Esquema vende abuso infantil no Telegram por R$ 10 usando TikTok de vitrine
Apuração monitorou mais de 30 perfis que burlam filtros com códigos e atraem compradores para o Telegram, com pacotes a partir de R$ 10 no PIX. PF diz que pagamentos deixam rastros. Saiba como denunciar no RN.
Por Tribuna RN
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 12:57 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — Uma apuração jornalística nacional revelou um esquema que utiliza o TikTok como isca para comercializar material de violência sexual contra crianças e adolescentes dentro do Telegram. Segundo o levantamento, mais de 30 perfis foram acompanhados durante semanas e usavam mensagens cifradas nos comentários para escapar da moderação e conduzir interessados até os vendedores. O alerta vale também para famílias potiguares, já que as duas plataformas são amplamente usadas por jovens em todo o Rio Grande do Norte.
Como o esquema atrai os compradores
De acordo com a investigação, a mecânica de aliciamento segue um roteiro repetido em dezenas de contas:
- Códigos nos comentários: os perfis publicam combinações de letras e símbolos que funcionam como senha para despistar os filtros automáticos;
- Pelo menos 35 links mapeados: endereços divulgados no TikTok conduziam o visitante para fora da rede, a maioria com destino ao Telegram;
- Venda direta ou por robôs: a negociação acontece com os próprios operadores, por meio de atendentes automáticos ou em páginas internas do aplicativo de mensagens;
- Valores baixos para ampliar o alcance: pacotes com cerca de 3 GB saíam por R$ 10, enquanto arquivos de aproximadamente 15 GB eram ofertados por R$ 35;
- Amostra antes do pagamento: os vendedores chegavam a enviar prévias para convencer o comprador de que o acervo anunciado existia;
- Recompensa por divulgação: interessados ganhavam acesso liberado ao republicar os endereços no TikTok, o que multiplicava a circulação do golpe.
Os pagamentos, ainda segundo o apurado, eram feitos por PIX ou criptomoedas, e parte das cobranças passava por contas de terceiros, numa tentativa de ocultar os recebedores.
Penas previstas e o que dizem as plataformas
Investigadores da Polícia Federal ouvidos na apuração afirmam que as transferências por PIX produzem rastros que podem ajudar a chegar aos compradores. Desde agosto, a lei brasileira pune com 4 a 10 anos de prisão, além de multa, quem produz ou comercializa esse tipo de arquivo. Quem adquire, guarda ou mantém o conteúdo pode receber pena de 3 a 6 anos, mais multa, conforme a legislação citada no levantamento.
O presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares, ouvido na reportagem, explica que a tática não se limita a uma rede: expedientes parecidos aparecem também em serviços como X, YouTube e Facebook. A entidade afirma repassar às empresas os termos empregados pelos operadores para reforçar a detecção. Procurados, o Telegram declarou que veda esse conteúdo e que eliminou mais de 339 mil grupos e canais ligados ao tema em 2026, enquanto o TikTok disse remover as postagens e banir de forma definitiva as contas flagradas.
Como denunciar no Rio Grande do Norte
Pais, responsáveis, professores e qualquer cidadão potiguar podem acionar os canais oficiais ao encontrar conteúdo suspeito:
- Disque 100: canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos, com atendimento gratuito;
- SaferNet: denúncias anônimas pela internet, com encaminhamento às autoridades;
- Polícia Federal no RN: responsável por investigar crimes dessa natureza na esfera federal;
- Conselhos Tutelares: em Natal e nos municípios do interior, acolhem casos envolvendo crianças e adolescentes;
- Delegacias e 190: em situações de flagrante ou risco imediato, acione a Polícia Militar.
A orientação dos especialistas é não compartilhar nem armazenar o material encontrado, preservando os links e prints para entregar às autoridades.
O que acontece agora
O caso segue sob apuração das autoridades e das equipes de moderação das plataformas, que prometem reforçar a varredura de perfis e grupos. Até a publicação desta matéria, não havia informação oficial sobre prisões decorrentes especificamente desse monitoramento. A recomendação para as famílias do RN é acompanhar de perto a vida digital de crianças e adolescentes, ativar filtros parentais e denunciar qualquer abordagem estranha pelos canais oficiais.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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O Tribuna RN preza pela apuração precisa, imparcialidade e respeito aos cidadãos potiguares. Nossas reportagens seguem rigorosos critérios éticos e jornalísticos. Sugestões e esclarecimentos podem ser encaminhados diretamente aos canais de contato da nossa redação.
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