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Aeroporto de Natal corta 56% das emissões e ganha selo verde mundial

Terminal de São Gonçalo do Amarante atinge nível 4 do programa Airport Carbon Accreditation, reduz emissões diretas e avança rumo à meta de zerar o balanço de carbono até 2040.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 14 de outubro de 2026 às 18:20 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

Pátio e terminal do Aeroporto Internacional de Natal, em São Gonçalo do Amarante
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Tribuna do Norte

SÃO GONÇALO DO AMARANTE/RN — O terminal potiguar que atende a Grande Natal entrou para um grupo restrito de aeroportos com gestão climática reconhecida no mundo. Segundo a concessionária Zurich Airport Brasil, o Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves conquistou o nível 4 do Airport Carbon Accreditation, programa global da Airports Council International voltado ao controle de gases de efeito estufa. Com isso, o equipamento passou a figurar como o segundo do Norte e do Nordeste e o quinto do país nesse patamar, de acordo com o anúncio feito nesta quarta-feira, 14 de outubro.

A certificação avalia desde o monitoramento das fontes emissoras até a estratégia de longo prazo para neutralizar o balanço de carbono. No caso potiguar, pesou a queda de 56% nas emissões diretas desde o início da atual concessão, em 2024, além do plano validado para buscar emissões líquidas zero até 2040, em sintonia com o Acordo de Paris e as diretrizes do painel científico do clima da ONU.

Por que o nível 4 importa para o RN

O programa internacional organiza a jornada climática em sete etapas, do mapeamento inicial até a neutralização plena. Alcançar o quarto degrau indica, na prática, que o aeroporto mede emissões de forma contínua, executa projetos de eficiência e mobiliza parceiros do sítio aeroportuário para reduzir a pegada conjunta, conforme critérios auditados por organismo independente e revisados pela entidade que mantém o selo.

Para o Rio Grande do Norte, o reconhecimento tem efeito direto na imagem do destino. O estado vende sol, vento e litoral o ano inteiro, recebe voos nacionais e conexões internacionais e disputa eventos, congressos e rotas turísticas. Um terminal com operação de baixo carbono fortalece a narrativa de destino verde, exigida por companhias aéreas, operadoras e passageiros atentos à sustentabilidade.

Os números apresentados pela concessionária ajudam a dimensionar o salto:

  • Queda expressiva no inventário: as emissões diretas monitoradas caíram de 1.668 toneladas de CO₂ equivalente em 2024 para 738 toneladas em 2025, pelos cálculos divulgados pela operadora.
  • Energia de fonte limpa: o terminal passou a utilizar eletricidade integralmente renovável, combinada com ajustes em climatização e rotinas de eficiência energética.
  • Posição nacional: além de Natal, Florianópolis, Vitória e Macaé, todos sob a mesma concessão, também estão no nível 4 — a operadora afirma ser a única da América Latina com todos os ativos nesse estágio.
  • Compromisso até 2040: o plano de descarbonização validado na auditoria prevê trajetória compatível com zerar as emissões líquidas até 2040.

Energia em solo, usina solar e próximos passos

Parte relevante do resultado veio do pátio. De acordo com a Zurich Airport Brasil, o aeroporto colocou em operação em 2025 os sistemas de fornecimento de energia e ar-condicionado às aeronaves paradas, conhecidos pelas siglas 400 Hz e PCA. Na prática, os equipamentos permitem desligar as turbinas auxiliares movidas a combustível fóssil enquanto o avião está em solo, com energia renovável e climatização vindas do terminal.

A concessionária informa que, desde maio de 2025, esse arranjo evitou a liberação de 1.616 toneladas de CO₂ equivalente atribuídas às companhias aéreas, elo indireto da cadeia da aviação. O volume, pelos parâmetros apresentados, corresponderia ao potencial de captura de cerca de 12,4 mil árvores de Mata Atlântica, ilustrando o peso da medida na transição para operações menos intensivas em carbono.

Outro passo em andamento é a usina fotovoltaica própria. O projeto, orçado em R$ 24 milhões, caminha para a fase final e deve ser inaugurado até o fim do ano, segundo a operadora. A expectativa é aproximar o terminal da autossuficiência elétrica, com geração limpa no próprio sítio — algo ainda raro entre aeroportos brasileiros.

“Esse resultado é uma conquista de grande importância para o que queremos nos nossos aeroportos: operações eficientes, sustentáveis e surpreendentes”, afirmou o executivo-chefe da concessionária, Ricardo Gesse, em declaração divulgada à imprensa, destacando a vocação do RN para energia renovável e biodiversidade.

A direção regional da entidade certificadora também comentou o desempenho. Segundo Rafael Echevarne, diretor-geral para América Latina e Caribe, reunir quatro aeroportos da mesma operadora no mesmo nível demonstra consistência na política de descarbonização e alinhamento com metas climáticas globais.

Conclusão

O selo coloca o terminal da Grande Natal em vitrine positiva, mas o desafio agora é manter a curva de queda e tirar do papel a geração solar própria e o engajamento de toda a comunidade aeroportuária, de companhias a prestadores de serviço. Novos balanços de emissões e o cronograma da usina devem mostrar, nos próximos meses, se o ritmo de 2024 e 2025 se sustenta. Até a publicação desta matéria, os dados divulgados indicam avanço concreto na gestão climática, com auditoria externa e meta de longo prazo formalizada.

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Fonte da Informação Veículo de origem: Tribuna do Norte (via RSS)
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