Canetas emagrecedoras: Anvisa apura 13 suspeitas de lesão grave na visão
Monitoramento envolve Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro após notificações de neuropatia óptica rara. Agência diz que não há prova de causa e efeito e orienta pacientes a não suspender o uso sem médico.
Por Tribuna RN
Publicado em 27 de setembro de 2026 às 14:56 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Portal BO)

NATAL/RN — A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu um monitoramento técnico para examinar 13 notificações de suspeita de perda de visão em pacientes que utilizavam as chamadas canetas emagrecedoras no Brasil. Segundo o órgão regulador, os registros envolvem medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 — Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro — receitados para diabetes tipo 2 e controle do peso. O alerta interessa diretamente aos potiguares, já que esses fármacos são amplamente prescritos em consultórios e clínicas da Grande Natal e do interior. A agência esclarece que os casos seguem classificados apenas como suspeitos e que não existe, até agora, comprovação de relação de causa e efeito entre os remédios e a doença ocular.
O que a Anvisa está apurando
De acordo com a Anvisa, as 13 notificações descrevem diagnósticos de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica, conhecida pela sigla NOIA. Trata-se de uma lesão rara e grave do nervo óptico, provocada pela interrupção ou pela redução severa do fluxo de sangue que irriga a estrutura responsável por levar as imagens do olho ao cérebro. Quando instalada, a condição pode comprometer a acuidade visual de forma permanente.
A área de farmacovigilância da agência vai revisar prontuários e exames para responder à pergunta central da investigação:
- Há vínculo direto? Ou seja, se o uso dos agonistas de GLP-1 contribuiu para o surgimento da lesão ocular nos pacientes notificados.
- Há outros fatores? Como oscilações metabólicas, pressão alta ou histórico de doenças vasculares que, por si sós, elevariam o risco de problemas no nervo óptico.
- Qual é o perfil dos casos? Idade, doses utilizadas, tempo de tratamento e presença de diabetes ou obesidade entre os pacientes acompanhados.
O órgão reforça que a simples coincidência entre o uso do medicamento e o diagnóstico na mesma notificação não comprova que o fármaco causou a doença. A apuração segue em andamento e novas conclusões devem ser divulgadas pelos canais oficiais da agência.
Orientação para quem usa os medicamentos no RN
Enquanto a investigação não termina, as autoridades sanitárias pedem calma e responsabilidade aos pacientes potiguares em tratamento. A recomendação central é não tomar decisões por conta própria:
- Não suspenda o remédio sem falar com o médico: a interrupção abrupta pode descompensar o diabetes e trazer riscos maiores que o evento sob apuração.
- Procure atendimento diante de sinal de alerta: piora súbita da visão em um dos olhos, embaçamento repentino ou perda parcial do campo visual exigem avaliação médica imediata.
- Avise o profissional que prescreveu: relate qualquer alteração visual, mesmo que passageira, ao endocrinologista ou ao clínico responsável pelo acompanhamento.
- Registre a suspeita: médicos e pacientes podem notificar eventos adversos nos canais oficiais de farmacovigilância da Anvisa, o que fortalece o monitoramento em todo o país.
Especialistas em saúde ouvidos ao longo da cobertura nacional do tema avaliam que os dados disponíveis até o momento não justificam a suspensão generalizada dos tratamentos com indicação médica. A cautela maior vale para pessoas que já tiveram a doença no passado ou que apresentem perda visual recente — nesses casos, a conduta deve ser definida individualmente com o especialista.
Conclusão
O monitoramento da Anvisa sobre as 13 suspeitas de lesão no nervo óptico entre usuários das canetas emagrecedoras é um procedimento de rotina da vigilância sanitária e não equivale a uma condenação dos medicamentos. Para o leitor potiguar em uso de Ozempic, Wegovy, Rybelsus ou Mounjaro, a conduta segura é manter o tratamento prescrito, redobrar a atenção a qualquer mudança na visão e buscar o médico assistente diante do menor sintoma. Até a publicação desta matéria, a agência mantinha a apuração em curso, sem determinação de recolhimento ou de restrição aos fármacos, e novos esclarecimentos devem ser comunicados oficialmente.
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