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Marinho é citado em ofensiva para travar fim da escala 6x1

Senadores de oposição e empresários articulam esvaziar sessões da PEC que reduz a jornada no Senado, e o potiguar Rogério Marinho aparece no centro da articulação, segundo a Veja.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 06 de outubro de 2026 às 16:57 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

Plenário do Senado Federal durante sessão de discussão da PEC sobre o fim da escala 6x1
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Blog do BG

BRASÍLIA/DF — O desfecho da etapa inicial das urnas em 2026 embaralhou o tabuleiro da proposta que pretende extinguir a jornada 6x1 no Senado. Senadores de oposição e representantes do empresariado passaram a articular uma estratégia para esvaziar os debates da PEC 221/2019, enquanto o Planalto tenta segurar o texto na agenda em plena fase decisiva da corrida presidencial. O relato é da revista Veja, repercutido pelo Blog do BG, e situa o senador Rogério Marinho, do PL potiguar, no epicentro da resistência à proposta.

O primeiro teste dessa queda de braço se deu nesta terça, dia 6. O comandante da Casa, Davi Alcolumbre, do União do Amapá, manteve a PEC na ordem do dia e marcou para as duas da tarde o primeiro dos cinco debates regimentais que antecedem qualquer deliberação inicial em plenário, com novas rodadas agendadas para os dois dias seguintes. O Planalto ainda avalia solicitar um rito acelerado para abreviar o caminho mas, nos bastidores, a avaliação é que o avanço da oposição nas urnas deixou a aprovação politicamente mais difícil.

A estratégia do esvaziamento

A tática descrita pela publicação combina pressão empresarial com manobra regimental. De um lado, lideranças do varejo, dos serviços e da indústria fazem corpo a corpo para que parlamentares se ausentem das reuniões, reduzindo o quórum e travando o andamento. De outro, a oposição trabalha para adiar cada etapa da análise, ganhando tempo até que a nova correlação de forças do Senado se consolide.

  • Quórum exigido: pelo menos 49 dos 81 votos da Casa, em duas rodadas de deliberação, para aprovar uma emenda constitucional;
  • Rito em curso: cinco debates em plenário antes da primeira rodada de deliberação, abrindo às duas da tarde desta terça;
  • Pauta da semana: novos debates agendados para os dois dias seguintes, salvo alteração de agenda;
  • Conteúdo da PEC: corte do teto semanal de 44 para 40 horas, garantia de duas folgas e proibição de achatar salários;
  • Posição do governo: empurrar o texto ainda na fase decisiva, contra a tentativa de adiamento da oposição.

Segundo a Veja, movimento parecido já havia ocorrido em setembro, na Comissão de Constituição e Justiça. Naquele episódio, o líder governista no Congresso, Randolfe Rodrigues, do PT do Amapá, apontou Flávio Bolsonaro, do PL do Rio, e Rogério Marinho como autores de uma manobra que segurou o envio imediato da matéria ao plenário.

Marinho no centro da articulação

Para o Rio Grande do Norte, o nome que resume a disputa é o de Rogério Marinho. Ex-ministro e representante potiguar no Senado, ele rejeitou o relatório favorável à PEC na CCJ, em companhia de Tereza Cristina, Hamilton Mourão e Jaime Bagattoli — quarteto que formou todos os votos divergentes do colegiado, segundo o registro oficial.

A posição do parlamentar já havia rendido atrito público nesta semana: o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo, cobrou, em entrevista à CNN Brasil, que Flávio Bolsonaro reveja o papel de Marinho, coordenador da campanha, na condução do tema trabalhista. O episódio ampliou a exposição do potiguar em um debate que mobiliza centrais sindicais, federações patronais e candidatos em plena campanha de segundo turno.

Do lado dos defensores da PEC, o argumento é que a jornada de seis dias seguidos para um de folga penaliza comerciários, vigilantes, equipes de saúde e trabalhadores de bares e restaurantes — categorias numerosas também na Grande Natal, em Mossoró e no Seridó. Do lado contrário, empresários alegam aumento de custo e risco para pequenos negócios. Até a publicação desta matéria, nenhum dos lados havia reunido votos suficientes para decidir o impasse, e o texto seguia em fase de discussão, sem votação concluída.

O que acontece agora

O desfecho da semana depende da presença dos senadores nos debates convocados por Alcolumbre. Com presença garantida, a PEC conclui as discussões regimentais e fica pronta para entrar na fila da primeira rodada de deliberação; se o esvaziamento prosperar, o texto pode hibernar até depois da etapa final, quando a votação de 25 de outubro já tiver selado a nova correlação de forças.

A orientação ao trabalhador potiguar é acompanhar os canais oficiais do Senado e dos sindicatos da sua categoria, onde devem sair notas técnicas sobre jornada, descanso semanal e eventuais regras de transição por setor. A Tribuna RN seguirá apurando os desdobramentos em Brasília, sempre com atribuição às fontes e sem antecipar regra que ainda não foi votada.

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