Congresso decide futuro das bets após MP proibir apostas em todo o país
Medida provisória proíbe bets desde 25 de setembro e Congresso tem até 120 dias para manter, mudar ou derrubar a regra; entenda prazos e saques.
Por Tribuna RN
Publicado em 27 de setembro de 2026 às 15:38 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — As apostas de quota fixa estão proibidas em todo o Brasil desde a última sexta-feira, dia 25, quando o governo federal editou a Medida Provisória 1.394. A norma, que já vale como lei, veta exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets, mas só vira regra definitiva se passar pelo crivo da Câmara e do Senado nos próximos meses.
Na prática, nada muda para o apostador potiguar nesta semana por decisão própria das empresas: as plataformas seguem impedidas de operar e de receber depósitos enquanto o Congresso não concluir a análise. O texto tramita em regime próprio e concentra pressão de clubes, operadoras e entidades de defesa do consumidor.
O que o Congresso pode fazer com a medida
A medida provisória tem força imediata, mas precisa ser convertida em lei. Segundo a Constituição, o roteiro no Legislativo segue etapas encadeadas:
- Exame inicial: uma comissão mista de deputados e senadores analisa o texto e as emendas apresentadas pelos parlamentares.
- Três destinos possíveis: o plenário pode aprovar na íntegra, alterar trechos pontuais ou rejeitar por completo a proibição editada pelo Planalto.
- Vai e volta: se houver mudança, o texto retorna para sanção ou veto presidencial antes de valer em definitivo.
- Prazo total: são 60 dias prorrogáveis por mais 60. Depois de 45 dias sem votação, a pauta tranca e passa a bloquear outras deliberações na Casa onde estiver parada.
- Se caducar: sem votação no prazo, a MP perde efeito e o Congresso pode editar decreto para disciplinar o período em que ela valeu.
De acordo com o portal Agora RN, que destrinchou a tramitação, parlamentares do RN devem pesar o impacto sobre o esporte local, já que contratos de patrocínio com clubes e eventos entram diretamente na mira da vedação publicitária.
Dinheiro do apostador e fim dos anúncios
Enquanto a decisão não sai, valem as regras de transição publicadas com a medida. Os pontos centrais para quem tem saldo em conta são:
- Saída do ar: as casas autorizadas deixam de aceitar novos depósitos e precisam encerrar a operação para o público a partir de 6 de outubro.
- Saque voluntário: o resgate pode ser feito normalmente até as 23h59 do dia 5 de outubro, pelos canais de cada plataforma.
- Devolução assistida: valores esquecidos devem ser repassados pelas empresas às instituições financeiras e restituídos entre os dias 9 e 14, conforme cronograma oficial.
- Propaganda zerada: peças com clubes de futebol, eventos esportivos e influenciadores precisam sair do ar até 5 de outubro, incluindo placas, camisas e posts pagos.
- Canal potiguar: a recomendação é guardar comprovantes, extratos e protocolos e buscar os canais oficiais das operadoras e do Banco Central em caso de falha no estorno.
O debate no Congresso deve opor o argumento fiscal e esportivo das empresas ao discurso da saúde financeira das famílias, que aponta endividamento e dependência ligados aos jogos.
O que acontece agora
As bets só voltam a funcionar legalmente em três cenários: se o Congresso derrubar a medida, se deixar o prazo esgotar sem votação ou se aprovar um texto que autorize de novo a atividade, com ou sem novas condições. Fora dessas hipóteses, a proibição continua valendo em Natal, Mossoró, Caicó e em todo o país.
Até a publicação desta matéria, não havia data marcada para a instalação da comissão mista. A Tribuna RN seguirá acompanhando a tramitação em Brasília e os reflexos para o torcedor potiguar, do patrocínio aos clubes até o bolso de quem ainda tem saldo a resgatar.
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