BR-304: novos trechos entram em licitação e duplicação mira divisa com o Ceará
Ministério dos Transportes planeja licitar em 2027 três segmentos que somam 174 km da BR-304 no RN. Obra deve ligar Natal ao Oeste e avançar até a divisa com o Ceará.
Por Tribuna RN
Publicado em 06 de outubro de 2026 às 10:35 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

MOSSORÓ/RN — A duplicação da BR-304, principal corredor entre Natal e a região Oeste, deve ganhar um novo capítulo em 2027. O Ministério dos Transportes planeja abrir as licitações dos segmentos ainda não contratados, que juntos somam cerca de 174 quilômetros e podem estender as frentes de obra até a divisa do Rio Grande do Norte com o Ceará. O anúncio foi feito pelo ministro George Santoro após a entrega, na semana passada, dos primeiros 12 quilômetros duplicados entre Mossoró e Assú — marco inicial de um projeto aguardado há décadas por motoristas, produtores e comerciantes potiguares.
Os três segmentos que vão a licitação
- Riachuelo–Lajes: 52 quilômetros de pista a ser duplicada no Agreste e na região Central.
- Lajes–Assú: 82 quilômetros, o maior lote entre os previstos, cortando o interior em direção ao Vale do Açu.
- Mossoró–divisa com o Ceará: aproximadamente 40 quilômetros, prolongando a duplicação até o limite com o estado vizinho.
- Projetos prontos: segundo o ministro, a engenharia dos trechos está concluída, o que permitiria tocar várias frentes ao mesmo tempo.
- Prazo: editais previstos para 2027, conforme o cronograma federal.
Obras que já estão no asfalto
Duas frentes de duplicação seguem em execução no estado. No lote Mossoró–Assú, de 57,6 quilômetros, o investimento federal chega a R$ 388 milhões: 12 quilômetros foram liberados ao tráfego na semana passada e outros 7 quilômetros têm entrega prevista até dezembro. Já o lote entre a Reta Tabajara e Riachuelo, com 38,1 quilômetros, foi contratado pelo DNIT em maio ao custo de R$ 204,4 milhões, com prazo de 42 meses.
Também avançam os serviços remanescentes na travessia urbana de Macaíba e na Reta Tabajara, incluindo o viaduto de acesso ao Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante. A meta do governo federal é concluir o eixo Assú–Mossoró até dezembro de 2027. Para o secretário estadual de Infraestrutura, Gustavo Coelho, a obra federal se soma à recuperação das rodovias estaduais que conectam o Oeste às demais regiões.
Erguida na década de 1960 para ligar Natal a Mossoró, as duas maiores cidades do estado, a BR-304 tem cerca de 317 quilômetros em solo potiguar e funciona como artéria de cargas, do transporte de passageiros e do escoamento das produções agrícola e mineral. Até hoje, apenas três pontos operam em pista dupla: o eixo Parnamirim–Macaíba, dos anos 2000, a Reta Tabajara, junto ao entroncamento com a BR-226, e o trecho de 12 quilômetros recém-entregue.
Além da 304: BR-104 e Estrada do Cajueiro
O pacote federal para a malha potiguar inclui ainda a implantação da BR-104 no estado, com aproximadamente 215 quilômetros entre Macau e o limite com a Paraíba. O traçado atravessa Macau, Pendências, Afonso Bezerra, Pedro Avelino, Lajes, Cerro Corá, Campo Redondo, Coronel Ezequiel e Jaçanã, criando uma ligação inédita para a região salineira e para os polos de energia renovável. Em abril, uma portaria ministerial incorporou sete trechos de rodovias estaduais ao sistema federal, destravando a parte burocrática do projeto, cujas obras também são projetadas para 2027.
Outra aposta é a BR-437, a Estrada do Cajueiro, com 80,5 quilômetros entre a comunidade de Jucuri, em Mossoró, e Tabuleiro do Norte, no Ceará. Cerca de 32 quilômetros seguem sem asfalto no lado potiguar — uma espera de mais de 70 anos para a Chapada do Apodi, que depende da via para levar a produção agrícola aos mercados do RN e do Ceará. Sem pavimento, o custo logístico sobe e pesa sobretudo para a agricultura familiar, segundo o governo estadual.
Conclusão
Se o calendário anunciado se confirmar, o Rio Grande do Norte terá, ao mesmo tempo, a ampliação do seu principal eixo leste-oeste, a criação de uma rota federal pelo interior e a melhoria da conexão agrícola com o Ceará. Para quem trafega entre Natal, o Vale do Açu e Mossoró, a promessa é de viagens mais rápidas e seguras — mas o teste real será a abertura dos editais em 2027 e o ritmo das máquinas no canteiro. A Tribuna RN vai acompanhar cada etapa das licitações e das entregas.
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