Com calor forte, Cosern prevê alta de 5% na luz e reforça rede no RN
Neoenergia Cosern estima crescimento do consumo entre outubro e março e diz usar inteligência artificial, inspeções e R$ 4,1 bilhões em investimentos para evitar falhas no verão potiguar.
Por Tribuna RN
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 16:15 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — O calor que aperta do mês atual até o fim do verão deve puxar para cima a conta de luz do potiguar. A Neoenergia Cosern calcula uma elevação em torno de cinco por cento na demanda em todo o território potiguar durante a fase de temperaturas mais altas, quando climatizadores, ventiladores e refrigeradores disparam em residências, lojas e prestadores de serviço. Para suportar a carga adicional, a concessionária declara ter estruturado uma estratégia que une recursos digitais, vistorias intensas na malha e um pacote de obras bilionário até o fim da década.
A estimativa foi divulgada nesta segunda-feira (13), segundo o Novo Notícias, e vale como média estadual — ou seja, nem toda cidade vai sentir o mesmo ritmo de crescimento, que varia conforme o clima, o perfil de consumo e o tamanho da rede local. Ainda assim, o recado é direto para quem vive na Grande Natal, no Oeste e no Seridó, onde as tardes de calor extremo costumam lotar o sistema no fim do dia.
Por que o consumo dispara quando o termômetro sobe
No verão potiguar, a lógica é simples: quanto mais quente, mais aparelho ligado por mais tempo. Um ar-condicionado que no inverno roda poucas horas passa a funcionar a tarde inteira. Ventiladores, freezers e bebedouros seguem o mesmo caminho, e o efeito acumulado aparece no medidor.
Esse comportamento já é conhecido do setor elétrico. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou bandeira verde para outubro, o que significa que não há cobrança extra na fatura neste mês. Mas a atenção segue ligada, porque do momento atual até março se concentram historicamente os picos de carga no Nordeste, exigindo reforço na geração, na transmissão e, sobretudo, na distribuição que chega até a porta do consumidor.
Para o leitor, o impacto prático vai além do valor da fatura:
- Residências: maior uso de climatização e refrigeração eleva o consumo mesmo sem mudança de tarifa;
- Comércio e serviços: bares, mercados, salões e escritórios ampliam o horário de refrigeração e ventilação;
- Interior: cidades do Oeste e do Vale do Açu, com temperaturas entre as mais altas do estado, tendem a sentir picos mais intensos no fim da tarde;
- Rede local: transformadores e cabos trabalham mais carregados, o que aumenta o risco de falhas se não houver manutenção.
Como a Cosern diz estar se preparando
Conforme a concessionária, o preparo envolve ferramentas digitais e equipes em campo. Nos nove primeiros meses deste ano, a empresa declara ter vistoriado quase dezenove mil km de fiação em todas as áreas potiguares e executado em torno de cinquenta mil cortes preventivos de galhos para impedir toques na rede e quedas de fornecimento — um dos motivos mais frequentes de interrupção em dias quentes com vento.
Outro pilar citado é o uso de recursos inteligentes. A Cosern relata manter treze aplicações automatizadas em solo potiguar, entre elas:
- Leitura de calor por imagem: câmeras e sensores detectam superaquecimento fora do padrão em aparelhos antes da pane;
- Automação da malha: mecanismos que separam pontos defeituosos e buscam retomar o atendimento por rota alternativa, sempre que a estrutura viabiliza a manobra;
- Monitoramento contínuo: cruzamento de dados de carga, clima e histórico de falhas para priorizar equipes e obras.
No médio prazo, a companhia sinaliza um aporte superior a quatro bilhões de reais no estado até o fim da década. A cartela divulgada prevê dez subestações inéditas, expansão de outras dezesseis e a implantação de perto de mil e oitocentos km de fiação nova, além de iniciativas de atualização do sistema vigente. São obras que, se cumpridas no cronograma, ampliam a margem de segurança para absorver o crescimento do consumo e a entrada de novas cargas, como condomínios, indústrias e usinas de pequeno porte.
O que acontece agora
A orientação para os próximos meses é dupla. Do lado da rede, a expectativa é que a distribuidora mantenha o ritmo de inspeções e conclua as intervenções preventivas antes dos picos de dezembro e janeiro, quando o calor costuma apertar ainda mais no interior. Do lado do consumidor, vale redobrar os cuidados que seguram a fatura sem abrir mão do conforto: limpar filtros do ar-condicionado, evitar abrir a geladeira toda hora, concentrar o uso de aparelhos mais pesados fora do horário de pico e conferir a fiação de casa com eletricista de confiança.
A Tribuna RN vai acompanhar a execução do plano de investimentos e os indicadores de qualidade do fornecimento divulgados pelos órgãos reguladores. Se houver mudança de bandeira tarifária ou novas medidas da Aneel para o verão, esta cobertura será atualizada com o impacto direto no bolso do potiguar.
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