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Super El Niño pode provocar 451 mil mortes pelo calor e Brasil está entre os mais afetados

Pesquisa da Universidade de Chicago projeta 451 mil mortes ligadas ao calor intenso entre setembro e junho, com 13,3 mil no Brasil, e lista ações de prevenção.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 23 de setembro de 2026 às 21:16 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Apodi Agora)

Super El Niño pode provocar 451 mil mortes pelo calor e Brasil está entre os mais afetados
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Apodi Agora

APODI/RN — O calor extremo associado a um Super El Niño pode provocar cerca de 451 mil mortes no mundo entre este setembro e junho do próximo ano. A projeção é de cientistas do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, divulgada neste mês. O Brasil aparece entre os cinco países com mais vítimas estimadas, com 13,3 mil óbitos ligados às altas temperaturas, o que acende o alerta também para o sertão potiguar, acostumado a longos períodos de estiagem.

O que o levantamento americano projeta

  • Total global: aproximadamente 451 mil mortes de setembro a junho, somando efeitos diretos do calor e desdobramentos como secas, queimadas e enchentes.
  • Próximos seis meses: cerca de 239 mil óbitos atribuídos ao calor extremo no planeta.
  • África e Sahel: 66,8 mil mortes adicionais previstas, com Nigéria (31,4 mil), Sudão (17,5 mil), Níger (10 mil) e Chade (8 mil) entre os mais atingidos.
  • Ásia: 19,4 mil vítimas estimadas em Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja, além de 19,3 mil na Indonésia e 15,8 mil na Índia.
  • América do Sul: o Brasil lidera a projeção regional, com 13,3 mil mortes ligadas ao fenômeno.
  • Ordem de grandeza: o volume total equivale a cerca de 65 vezes as 6,8 mil mortes e desaparecimentos ligados às recentes enxurradas no Nepal.

Segundo os pesquisadores, o cálculo cruza temperatura e excesso de mortalidade, considerando o clima de cada país, a vulnerabilidade social e a capacidade de adaptação. A conclusão é que as nações do Sul Global tendem a sofrer mais com o evento.

"Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas, e agora podemos prever o impacto no pior cenário possível: a morte", afirmou Michael Greenstone, cofundador do laboratório, na divulgação do relatório.

Por que o alerta interessa ao Rio Grande do Norte

O Alto Oeste, o Seridó e o Vale do Açu convivem com termômetros elevados durante boa parte do ano, e trabalhadores ao ar livre — do campo, da construção e do comércio ambulante — formam um grupo especialmente exposto. Com o El Niño, o padrão de chuvas pode mudar, alternando estiagem severa e episódios de chuva forte, com reflexos na agricultura, no abastecimento e na saúde da população.

Na rotina potiguar, isso significa redobrar cuidados simples nos dias mais quentes: beber água com frequência, buscar sombra nos horários de pico, proteger idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas e acompanhar os avisos da Defesa Civil e das secretarias de saúde. Em caso de mal-estar ligado ao calor, a orientação é procurar atendimento na rede pública o quanto antes.

O inventário de adaptação que acompanha o estudo sustenta que parte das perdas pode ser evitada com políticas públicas já testadas, como:

  • Alertas precoces de calor: avisos antecipados para a população e para os serviços de saúde e assistência.
  • Pontos de resfriamento: espaços climatizados para descanso de quem trabalha exposto ao sol.
  • Proteção laboral: pausas programadas, hidratação e reorganização de jornadas nos dias críticos.
  • Planejamento de longo prazo: o chamado "cartão-postal do futuro", que simula as temperaturas daqui a 20 anos para guiar investimentos em adaptação.

Conclusão

A projeção americana não é uma sentença definitiva, mas um cenário de risco que reforça a necessidade de prevenção no Nordeste e no RN. Medidas de alerta, hidratação, cuidado com grupos vulneráveis e políticas de adaptação reduzem o impacto das ondas de calor sobre a rotina e a economia local. Até a publicação desta matéria, o estudo seguia como referência em debate — e novos boletins de órgãos oficiais devem detalhar os efeitos do fenômeno sobre o semiárido nos próximos meses.

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