Carlos Eduardo cobra devolução de celular e computador de Allyson apreendidos pela PF
Ex-prefeito de Natal e coordenador de campanha diz que a PF já teve tempo para periciar equipamentos de Allyson Bezerra na Operação Mederi e critica uso eleitoral do caso.
Por Tribuna RN
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 18:58 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — O ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves, do União Brasil, defendeu nesta quarta-feira, dia 30, que a Polícia Federal devolva o celular, o computador e os demais equipamentos apreendidos na casa do ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, também do União Brasil, durante a Operação Mederi. A declaração foi dada na condição de coordenador da campanha de Allyson em Natal e repercutida inicialmente pelo jornal O Correio de Hoje, segundo o portal Agora RN.
Para Carlos Eduardo, o intervalo desde as buscas, cumpridas em 27 de janeiro, já seria suficiente para a conclusão das perícias e para a apresentação de elementos concretos da apuração. Na fala reproduzida pela imprensa, ele afirmou que os investigadores deveriam restituir o material ao ex-gestor mossoroense.
O caso envolve uma das apurações de maior repercussão no Oeste potiguar neste ano e voltou ao centro do debate político na reta final da corrida eleitoral no estado, com trocas de farpas entre aliados e adversários em Natal e em Mossoró.
O que Carlos Eduardo pediu
Coordenador da mobilização pró-Allyson na capital, Carlos Eduardo saiu em defesa do aliado e questionou a manutenção dos bens sob custódia da investigação mais de oito meses após a apreensão.
De acordo com o relato publicado pelo Agora RN, os pontos centrais da fala foram:
- Restituição imediata: devolução de um celular, um notebook e dois HDs pessoais recolhidos na residência do então prefeito de Mossoró.
- Tempo de perícia: para o ex-prefeito da capital, o período desde janeiro já permitiria extrair cópias, concluir laudos e demonstrar eventual irregularidade.
- Crítica ao uso eleitoral: Carlos Eduardo reprovou o que classificou como exploração política da operação no palanque, às vésperas da votação.
- Pedido de desculpas: na declaração reproduzida, ele disse esperar retratação pública caso nada seja comprovado contra Allyson.
A manifestação ocorre em um momento em que o nome de Allyson circula entre as principais lideranças do interior na disputa estadual, com forte base em Mossoró e presença crescente na Grande Natal.
Entenda a Operação Mederi
A Operação Mederi é conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União e apura suspeitas de irregularidades na compra e no fornecimento de medicamentos a prefeituras potiguares, incluindo Mossoró, administrada à época pelo investigado.
Segundo o material da investigação citado nas reportagens, os agentes examinam hipóteses como:
- Supostas fraudes em licitações para aquisição de fármacos;
- Possíveis atos de corrupção e desvio de recursos públicos;
- Suspeita de lavagem de dinheiro na cadeia de fornecedores;
- Conversas entre empresários sobre eventual divisão de valores ligados a contratos, ponto que segue sob análise dos peritos.
Na ação deflagrada em janeiro, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em diferentes pontos do Rio Grande do Norte. No endereço ligado a Allyson, os policiais recolheram os equipamentos eletrônicos agora alvo do pedido de devolução.
O ex-prefeito de Mossoró nega qualquer participação em esquema ilícito. Em entrevista concedida em 17 de setembro, ele declarou ter solicitado a abertura integral do sigilo do material e a divulgação do conteúdo apreendido, sustentando que a transparência afastaria suspeitas. Até a publicação desta matéria, não havia anúncio oficial de denúncia formal contra ele no âmbito da operação.
O que acontece agora
O caso segue sob apuração da Polícia Federal, com acompanhamento do Ministério Público Federal e da Justiça Federal. Caberá às autoridades decidir sobre a manutenção ou a restituição dos aparelhos, a partir dos laudos periciais, e sobre eventual oferecimento de denúncia caso os elementos colhidos sustentem acusação formal.
Nos bastidores políticos, a expectativa é que o tema continue rendendo embates entre Natal e Mossoró até a votação. Aliados de Allyson pregam que a demora sem prova robusta esvazia a tese investigativa, enquanto adversários cobram celeridade e transparência total na divulgação dos achados.
A orientação para o eleitor potiguar é acompanhar os desdobramentos pelos canais oficiais — Polícia Federal, CGU e Justiça Federal — sem antecipar conclusões. Investigações desse porte costumam ter novas fases, oitivas e cruzamento de dados bancários e telefônicos antes de qualquer desfecho.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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