Perícia vê queda voluntária em morte de jovem e namorado segue preso no Ceará
Laudos da Pefoce indicam queda voluntária do rooftop em Fortaleza; Justiça mantém prisão do namorado e polícia apura induzimento, violência psicológica e obstrução.
Por Tribuna RN
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 20:35 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

FORTALEZA/CE — A apuração técnica sobre a morte da estudante Isabelle Caracristi, de 22 anos, avançou nesta quarta-feira (23) com a divulgação dos primeiros laudos da Perícia Forense do Ceará. Segundo a Pefoce, os exames apontam para uma queda classificada como “precipitação voluntária” a partir do terraço de um residencial no bairro Aldeota. A jovem foi localizada sem vida no dia 13 de setembro no condomínio onde dividia a rotina com o namorado. Até a publicação desta matéria, o investigado permanece preso preventivamente e o inquérito continua aberto.
O anúncio foi feito em entrevista coletiva no Centro Integrado de Segurança Pública, na capital cearense. De acordo com o chefe da Pefoce, Júlio Torres, o trabalho reuniu levantamentos de local, análise de imagens e cálculos de dinâmica de queda. A Polícia Civil do Ceará ressalva que a conclusão pericial não encerra o caso, pois ainda restam diligências para afastar por completo a atuação de outras pessoas.
Laudos, câmeras e queda no La Piazza
Conforme detalhado pela perícia, a equipe esteve no edifício La Piazza e concentrou a primeira avaliação no ponto de onde a queda teria partido. Ainda segundo o órgão, registros de uma câmera instalada na área da piscina ajudaram a recompor os segundos finais do deslocamento.
- Local examinado: cobertura sem estrutura de proteção no topo do prédio, além da faixa próxima à piscina onde o corpo foi encontrado;
- Posição e trajeto: os técnicos descrevem descida em eixo vertical, com percurso estimado em cerca de três segundos até o impacto;
- Volume de exames: dez dias de trabalho resultaram em pelo menos 11 documentos técnicos, com medições de velocidade, tempo e marcas no solo;
- Imagens: vídeos do circuito interno foram entregues na íntegra e, de acordo com a perícia, não apresentaram sinais de manipulação;
- Toxicologia preliminar: não foram identificados vestígios de agressão física, nem consumo de drogas ou álcool, apenas resquício de medicamento de efeito relaxante muscular.
Segundo a Pefoce, uma grade existente na área de impacto entrou em contato com a perna da vítima no momento da colisão. O dado integra o conjunto usado para sustentar a hipótese apresentada na coletiva, sempre tratada como conclusão parcial dentro de uma apuração maior.
Outro ponto esclarecido envolve a suspeita de gestação, levantada publicamente pelo irmão da estudante em entrevista a uma rádio cearense. De acordo com os peritos, os testes laboratoriais afastaram a hipótese de gravidez.
Prisão mantida e linhas de apuração
Pouco antes da coletiva, informou a Polícia Civil, a Justiça cearense decidiu manter a prisão preventiva de João Munhoz Neto, de 33 anos, bacharel em Direito e namorado da jovem, detido na manhã de terça-feira (22) na Aldeota. A custódia cautelar não representa condenação e segue passível de revisão judicial.
De acordo com o delegado-geral Márcio Gutiérrez, o inquérito apura a conduta do investigado sob três frentes principais, sem tese definitiva anunciada:
- Possível induzimento: apuração de eventual instigação ou auxílio a ato contra a própria vida;
- Contexto doméstico: verificação de suposta violência psicológica em ambiente familiar;
- Obstrução: avaliação de suposto embaraço às diligências e à preservação de provas.
Segundo a Polícia Civil do Ceará, oito depoimentos já foram colhidos e novas oitivas estão previstas para os próximos dias. Os investigadores também analisam telefones celulares, aparelhos eletrônicos e trechos adicionais do circuito de segurança. A condução cabe a um grupo especializado que reúne a 2ª Delegacia da Capital, a 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e o Departamento de Homicídios, com atenção à perspectiva de gênero.
“O que a gente percebeu foi uma conduta não colaborativa do namorado”, afirmou o delegado-geral, segundo registro da imprensa local, ao justificar o pedido de custódia como forma de resguardar o sigilo das diligências.
A corporação acrescenta que o imóvel onde a jovem vivia — compartilhado com o namorado e familiares dele — passou por levantamento minucioso. Para o leitor potiguar, que acompanha o episódio pela proximidade entre Natal e Fortaleza e pelo perfil universitário da vítima, o recado oficial é de cautela: perícia indica um caminho, mas só o inquérito completo dirá se houve participação de terceiros.
O que acontece agora
O caso segue sob apuração da Polícia Civil do Ceará. Os próximos passos incluem a conclusão das oitivas pendentes, a juntada dos laudos complementares e a perícia nos eletrônicos apreendidos. A prisão preventiva do investigado permanece em vigor até nova decisão da Justiça, e o Ministério Público acompanhará o desfecho do inquérito para avaliar eventuais medidas judiciais.
Até a publicação desta matéria, não há denúncia formal nem decisão de mérito. Novas informações devem ser divulgadas pelos órgãos oficiais à medida que as diligências forem encerradas, com a prudência exigida em ocorrências que envolvem morte e investigação criminal em curso.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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