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Varejo potiguar supera média nacional e acumula alta de 3% até agosto

Comércio do RN avançou 3% de janeiro a agosto, acima dos 1,7% do país, com força de supermercados e combustíveis. Agosto teve queda, mas ano segue positivo.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 17:35 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

Movimento de consumidores em rua de comércio popular em Natal
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Tribuna do Norte

NATAL/RN — O caixa do comércio potiguar fechou os oito primeiros meses de 2026 no azul. As vendas do varejo restrito subiram 3% entre janeiro e agosto, ritmo quase duas vezes maior que o observado no país, que marcou 1,7% no mesmo intervalo. O levantamento foi organizado pelo Instituto Fecomércio RN a partir da Pesquisa Mensal de Comércio, produzida pelo IBGE, e aponta supermercados e combustíveis como os motores centrais do resultado estadual.

Com o desempenho, o Rio Grande do Norte ficou com a quarta melhor marca do Nordeste no acumulado do ano. O ritmo perdeu fôlego nos meses mais recentes, mas o saldo segue acima do registrado em igual período de 2025, já descontada a inflação — sinal de que o consumo das famílias sustenta o movimento mesmo em um cenário de crédito mais caro.

Quais segmentos seguraram o resultado no ano

O primeiro quadrimestre concentrou a maior parte do ganho, segundo a análise do instituto. Itens de compra recorrente, presentes na rotina de bairros como Alecrim e Centro, em Natal, e nos polos de Mossoró e Caicó, puxaram o índice para cima, enquanto bens dependentes de parcelamento longo sentiram mais o peso dos juros.

  • Supermercados e alimentos: base do consumo doméstico, mantiveram fluxo estável ao longo dos oito meses;
  • Combustíveis e lubrificantes: acompanharam a mobilidade e o transporte de mercadorias no estado;
  • Primeiro quadrimestre: período de maior tração, que garantiu gordura para o acumulado mesmo com a perde de ritmo posterior;
  • Comparação regional: RN entre os quatro melhores do Nordeste, à frente da média brasileira de 1,7%.

Para o presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Fernandes de Queiroz, o recado dos números é duplo: há resiliência no varejo local, mas o freio recente pede cautela. Em nota divulgada com o estudo, ele defendeu condições de crédito que estimulem o consumo responsável e deem previsibilidade para o lojista planejar estoques e contratações.

Por que agosto destoou com queda de 4,4%

O retrato mensal de agosto foi menos favorável. O varejo potiguar recuou 4,4% ante agosto de 2025, puxado para baixo por móveis e eletrodomésticos e por equipamentos de escritório, informática e comunicação. São justamente as prateleiras mais sensíveis a financiamento, onde juro alto e inadimplência travam a decisão de compra e alongam o ciclo de reposição.

O tombo interrompeu uma sequência de 16 meses de altas nessa base de comparação, mas precisa ser lido com ponderação, de acordo com o instituto. Em agosto do ano passado, o comércio estadual havia saltado 7,2%, criando uma régua elevada para 2026. No ano anterior completo, de janeiro a agosto de 2025, o avanço havia sido de 3,1%, patamar próximo ao atual.

No conceito ampliado — que soma veículos, motos e peças, material de construção e atacado de alimentos — o recuo de agosto foi mais suave, de 2,4%. As vendas de veículos e o atacado alimentício amorteceram a perda. No acumulado de oito meses, o varejo ampliado cresce 2% no estado.

Conclusão

A expectativa do Instituto Fecomércio RN é de que o comércio estadual termine 2026 em expansão, mesmo com a marcha mais lenta do segundo semestre. Para o consumidor potiguar, o cenário recomenda pesquisa de preço, atenção a taxas de parcelamento e prioridade a dívidas caras. Para o lojista da Grande Natal ao Seridó, vale reforçar o sortimento de giro rápido, negociar prazos com fornecedores e calibrar promoções para as datas de fim de ano, quando o varejo costuma recuperar parte do terreno. Novos dados da pesquisa mensal devem mostrar se o freio de agosto foi um ponto fora da curva ou o início de uma acomodação mais longa.

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