MPE apura 133 denúncias eleitorais no RN, entre elas compra de votos e pressão em trabalho
Balanço do Ministério Público Eleitoral no RN reúne suspeitas de compra de votos, uso da máquina pública e propaganda irregular: 86 denúncias no primeiro turno e 47 após a votação.
Por Tribuna RN
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 19:17 • 2 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — A fase final das eleições 2026 no RN corre cercada de alertas. O Ministério Público Eleitoral no estado já somava 133 denúncias sobre o pleito até o fechamento do último balanço, tornado público na terça (13): 86 registradas enquanto corria o primeiro turno; mais 47 chegaram depois que as urnas fecharam. Dinheiro oferecido em troca de apoio, coerção de trabalhadores, desvio da estrutura pública e propaganda fora das regras aparecem entre as queixas mais recorrentes, e a apuração segue em andamento na reta final da disputa.
As queixas que chegam ao órgão
O levantamento cobre frentes variadas da campanha. Entre os relatos recebidos pelo MPE estão:
- Venda de voto: dinheiro ou benefícios prometidos para conseguir apoio do eleitor nas urnas;
- Coerção no trabalho: queixas de servidores públicos e de empregados da iniciativa privada que se dizem pressionados durante o pleito;
- Estrutura pública: patrimônio e serviços do estado apontados como usados em favor de candidaturas, além de servidores chamados para eventos políticos em horário de serviço;
- Redes e internet: conteúdo impulsionado, inteligência artificial empregada na campanha e notícias falsas circulando no processo eleitoral;
- Propaganda fora das regras: publicidade em áreas vedadas pela lei e alto-falantes em horários não permitidos;
- Santinhos descartados: material de campanha encontrado perto de seções de votação.
Sobre a inteligência artificial, vale o detalhe: empregar a tecnologia, sozinha, não configura infração eleitoral — o que pesa é o que foi publicado e o contexto de cada caso.
O que as denúncias ainda não dizem
Recebida a comunicação, a apuração precisa seguir seu curso. O balanço não indica irregularidade comprovada em nenhum dos casos — recebimento de queixa não equivale a culpa de ninguém — e tampouco revela quantas denúncias cabem a cada categoria, o que impede apontar a prática mais frequente no estado. Não há, até agora, indicação de nomes ou de candidaturas específicas nos registros.
Em paralelo, 30 processos judiciais da eleição potiguar estão sob monitoramento da Procuradoria Regional Eleitoral — 19 deles são representações eleitorais. O órgão não informou se esses processos guardam ligação com as 133 denúncias recebidas.
O que acontece agora
A triagem das denúncias segue aberta na fase final do pleito, agendado para o dia 25 de outubro. Eventuais providências vão depender do que for verificado em cada caso apurado, e os canais oficiais do MPE permanecem à disposição de eleitores e trabalhadores que quiserem relatar pressões ou irregularidades no RN até o dia da votação.
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