Falta de mão de obra trava canteiros no RN e setor aposta em qualificação
Encontro em Natal reuniu Sinduscon, IEL e empresários para discutir escassez de profissionais, retenção de talentos e alta do custo do metro quadrado no estado.
Por Tribuna RN
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 11:42 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — Quem circula por um canteiro de obra na Grande Natal percebe o ritmo acelerado das construções — e, ao mesmo tempo, a dificuldade das empresas para completar as equipes. Esse descompasso entre a demanda aquecida e a falta de trabalhador preparado dominou o debate promovido nesta quinta-feira (24), em Natal, pelo IEL-RN em parceria com o Sinduscon-RN, durante o encontro Café & Gente na Construção Civil.
Segundo os organizadores, o gargalo potiguar reflete um problema nacional: mais de 60% das construtoras do país afirmam ter dificuldade para contratar gente capacitada, conforme levantamento da CBIC citado pelo Senai-RN. No estado, o aperto aparece em duas frentes — preencher as vagas abertas e encontrar profissionais atualizados com as exigências técnicas dos canteiros modernos.
Por que está faltando gente nos canteiros
- Demanda aquecida: o volume de obras cresceu e ampliou a procura por pedreiros, armadores, eletricistas e encarregados em Natal e no interior.
- Exigência técnica maior: equipamentos, normas de segurança e métodos construtivos novos pedem leitura de projeto e treinamento contínuo.
- Rotatividade alta: empresas perdem profissionais formados para concorrentes ou para outros setores, o que encarece cada contratação.
- Formação no ritmo errado: a oferta de cursos ainda não acompanha a velocidade das vagas, avaliam as entidades.
De acordo com o presidente do Sinduscon-RN, Sérgio Azevedo, o setor sente o aperto dos dois lados — na quantidade de candidatos e na qualidade da formação. Como afirmou o dirigente durante o evento:
“Precisamos investir cada vez mais em capacitação, formação e desenvolvimento de pessoas para reduzir esse déficit e preparar profissionais para as oportunidades que estão surgindo”, afirmou Azevedo.
O que o setor quer fazer para virar o jogo
- Formar dentro de casa: programas internos de treinamento para evoluir ajudantes até funções especializadas, com plano de carreira no canteiro.
- Parceria com o Sistema S: ampliação de cursos com o Senai-RN, a exemplo do projeto Valorizando o Futuro da Construção Civil, lançado em abril com o Sinduscon-RN.
- Liderança que segura time: capacitação de mestres e encarregados para cumprir prazo, zelar pela segurança e reduzir a saída de bons profissionais.
- Cuidar de quem fica: políticas de retenção, com acompanhamento do clima de equipe e desenvolvimento individual.
A psicóloga organizacional Mariana Cabral, uma das palestrantes, ponderou que contratar é só metade da batalha. Nas palavras dela:
“O desafio maior é manter esse talento, desenvolvê-lo e potencializar suas capacidades dentro da empresa.”
O consultor Antonio Oliveira completou ao relacionar a qualidade da chefia direta ao desempenho da obra — do cumprimento do cronograma à prevenção de acidentes e à permanência das equipes.
Custo em alta pressiona decisão
O debate acontece num momento de bolso apertado para quem constrói. O Custo Unitário Básico (CUB) no Rio Grande do Norte alcançou R$ 2.134,18 por metro quadrado em junho, após cinco elevações seguidas em 2026, segundo os dados apresentados no encontro. Com insumo e mão de obra mais caros, cada vaga parada ou cada troca de equipe pesa no orçamento e ameaça o prazo de entrega — dos programas habitacionais aos empreendimentos privados da Via Costeira à Zona Norte.
Conclusão
A saída desenhada em Natal passa por formar mais gente e segurar quem já está no canteiro, com cursos, liderança preparada e carreira clara na obra. Até a publicação desta matéria, as entidades informaram que novas turmas de qualificação devem ser anunciadas nos próximos meses em parceria com o Senai-RN. Para o trabalhador potiguar, o recado é direto: quem buscar capacitação agora encontra um mercado aquecido — e, para as construtoras, investir em gente virou condição para entregar no prazo sem estourar o custo.
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