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Setores produtivos selam pacto para atrair data centers usando a energia do RN

Crea-RN, FIERN e Sebrae lançaram a Carta de Natal durante a Data Center Conference 2026. O estado tem cerca de 13 GW eólicos e 6 GW solares, mas há energia ociosa por falta de grandes consumidores.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 21:19 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

Setores produtivos selam pacto para atrair data centers usando a energia do RN
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NATAL/RN — O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN) anunciou nesta sexta-feira (23) a criação de um pacto fechado com entidades dos setores de energia, tecnologia e indústria, como a FIERN e o Sebrae, para reconhecer o estado como rota preferencial de investimentos bilionários em data centers. O documento, batizado de Carta de Natal: Pacto pela Segurança Jurídica e Atração de Investimentos em Data Centers no Rio Grande do Norte, foi assinado oficialmente no âmbito da Data Center Conference 2026, que reuniu autoridades e lideranças empresariais na capital potiguar para discutir o tamanho da janela econômica ligada ao mercado global de armazenamento e processamento de dados.

A leitura oficial ocorreu em duas frentes ao mesmo tempo. O documento foi apresentado ao Idema, órgão responsável pela gestão ambiental do estado, e ao PAX — Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, ligado à UFRN —, duas estruturas que se mostram ativas no roteiro de atração de empresas ligadas à engenharia, à tecnologia e à inovação no território potiguar. Ambas expressaram disposição de colaborar com a iniciativa desde o início.

Energia sobrando, carga faltando

O principal argumento do pacto é o tamanho do sistema elétrico potiguar. Segundo o repasse oficial, o estado figura hoje entre os maiores produtores de energia limpa do país, com aproximadamente 13 gigawatts de capacidade instalada em geração eólica e cerca de 6 gigawatts em solar fotovoltaica. Esses números somam mais de 300 parques de energia espalhados pelo interior, desde o Sertão Central até o Vale do Açu e o litoral.

O problema, apontam os elaboradores da Carta, é que essa potência ainda não se converteu em estrutura de consumo local. A carta expressa o receio de que a liderança energética continue sem efeito prático na economia potiguar se o estado não passar a consumir o que produz, com empregos, arrecadação e serviços conectados à cadeia da eletricidade gerada aqui.

Para o engenheiro eletricista Roberto Wagner, presidente do Crea-RN, a chegada de data centers resolve grande parte desse descasamento. Segundo ele, o RN já enfrenta curtailment, termo técnico que designa o corte de geração quando não existem consumidores suficientes conectados na rede em períodos de máxima oferta. Na avaliação dele, data centers funcionam como grandes cargas de consumo que aproximam a demanda do ponto de produção, liberando espaço no sistema e reduzindo perdas desnecessárias. O engenheiro ressalta, porém, que o desafio exige planejamento prévio de transmissão, subtransmissão, subestações e pontos de conexão.

O que acontece agora

A implementação pactiada entre os órgãos passa por três frentes de trabalho. O documento defende que a oferta renovável venha acompanhada de segurança jurídica e de regras estáveis e previsíveis em três áreas determinadas para o modelo de negócio: licenciamento ambiental, tributação e uso do solo. Estão em estudo, segundo o documento, iniciativas das Secretarias de Tributação e de Desenvolvimento Econômico do RN voltadas à desoneração de ICMS na energia elétrica consumida pelas operações e ao abatimento tributário na importação de bens de capital do setor.

Basicamente, os termos da Carta confirmam que o conselho manterá a administração executiva da frente por meio do HUB Crea-RN. A adesão ao pacto está aberta a novas entidades sem prazo de encerramento definido. Com isso, o debate de transição energética ampliado ao universo de data centers deve seguir como tema forte em fóruns sobre inovação, industrialização e economia regional nos próximos meses, com possibilidade de novos investimentos anunciados no decorrer dos ciclos de planejamento estadual.

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