Polícia identifica adultos após vídeo de criança com simulacro em festa em Parnamirim
Polícia Civil localizou os responsáveis pela criança vista sobre um carro com possível simulacro em festa pós-eleição em Parnamirim e abriu oitivas para definir responsabilidades.
Por Tribuna RN
Publicado em 07 de outubro de 2026 às 00:15 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

PARNAMIRIM/RN — A Polícia Civil potiguar avançou na apuração do vídeo que mostra uma criança em cima de um veículo segurando um objeto com aparência de pistola durante uma festa após a etapa inicial das urnas, no domingo (4), no bairro de Cohabinal, em Parnamirim, na Grande Natal. Segundo a corporação, os adultos responsáveis pelo menor já foram localizados e serão ouvidos em depoimento, com outras diligências em andamento para esclarecer como o objeto chegou às mãos da criança. Até a publicação desta matéria, os investigadores tratam o item como possível simulacro, sem confirmação de que seria armamento verdadeiro.
O registro circulou em redes sociais e aplicativos de mensagem e gerou forte repercussão na Grande Natal por reunir, na mesma cena, um menor de idade, um objeto que imita armamento e uma aglomeração festiva com motivação eleitoral. De acordo com o portal G1, a Civil informou que seguirá com depoimentos e medidas complementares, mas vai preservar detalhes nesta fase para não comprometer as diligências. Nomes, endereços e imagens que identifiquem a criança não foram divulgados, em respeito às normas de proteção de menores.
Vídeo na Cohabinal e identificação dos responsáveis
Conforme o relato oficial, as imagens foram feitas à noite, em via pública de Cohabinal, durante uma concentração de moradores que comemorava o resultado das urnas. No trecho que viralizou, a criança aparece em pé sobre um automóvel, cercada por adultos, erguendo usando apenas uma das mãos um objeto escuro de formato parecido com o de uma pistola. Não há, nos trechos divulgados, registro de disparo, confronto ou ameaça direta a alguém. A gravação é próxima, com iluminação precária, o que dificulta concluir apenas pelo vídeo do que se trata.
A partir da repercussão, a delegacia responsável iniciou o trabalho de verificação, que incluiu:
- Confirmação do cenário: data, horário aproximado e ponto exato da festa em Cohabinal, em Parnamirim;
- Localização de testemunhas: identificação de quem filmou, de quem estava no entorno e de quem organizou a aglomeração;
- Cadeia do objeto: apurar quem apresentou, entregou ou deixou o item ao alcance do menor;
- Natureza do material: verificar se o objeto foi recolhido e se será submetido a exame para dizer se é arma, réplica de airsoft ou outro simulacro.
Segundo a Civil, os responsáveis pelo menor já foram encontrados e os depoimentos vão ajudar a remontar a sequência dos fatos. A corporação informou ao portal que, por causa do andamento das diligências, novas informações só serão repassadas quando puderem ser compartilhadas sem risco à investigação.
Oitivas, perícia e proteção da criança na Grande Natal
Na prática policial potiguar, casos desse perfil seguem um roteiro padrão. Primeiro, registra-se a notícia do fato e intimam-se os envolvidos para depor. Depois, juntam-se vídeos originais, com metadados sempre que possível, para evitar conclusões baseadas em cópias recortadas. Se o objeto for localizado, ele é apreendido e encaminhado à perícia, que pode indicar categoria, funcionamento e origem. Em paralelo, a rede de proteção à infância pode ser acionada para avaliar a situação do menor.
Do ponto de vista jurídico, a análise costuma separar esferas distintas. No campo protetivo, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê medidas quando há exposição a risco, sem antecipar culpa de ninguém. No campo criminal, a apuração avalia a conduta dos adultos a partir do que for comprovado — por exemplo, se houve omissão de cuidado ou irregularidade ligada ao objeto, caso se confirme arma de fogo. Tudo isso, segundo a corporação, será examinado com cautela, tratando os adultos como investigados até a conclusão do inquérito.
Para moradores de Parnamirim e da Grande Natal, o caso reforça cuidados básicos em festas com aglomeração:
- Nunca deixar objeto que imite arma ao alcance de crianças;
- Evitar exibir réplicas ou simulacros em público, mesmo em tom de brincadeira;
- Acionar a Polícia Militar pelo 190 diante de risco imediato;
- Guardar o vídeo original e encaminhar aos canais oficiais, sem edições.
O que acontece agora
O caso segue sob apuração da Civil, com depoimentos marcados e análise das imagens em curso. Se a perícia confirmar que se trata de armamento real, a investigação vai se concentrar na origem do material e na responsabilidade dos adultos presentes. Se for atestada réplica ou simulacro, o foco passa a ser a exposição da criança a situação de risco e as medidas de proteção cabíveis. Até lá, segundo a corporação, novos informes serão divulgados no momento adequado pelos canais oficiais, e a orientação é evitar conclusões precipitadas ou compartilhamento de imagens que exponham o menor.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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