Seca do El Niño já custa R$ 68 milhões ao RN e ameaça lavouras de 2027
Levantamento da CNM aponta R$ 68,2 milhões em perdas no RN, com pecuária e agricultura na linha de frente; 62 mil potiguares já foram atingidos e o Estado prepara ações contra a seca.
Por Tribuna RN
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 13:14 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — O fenômeno climático que bagunça as chuvas no Nordeste já deixou uma conta salgada para os potiguares. Entre julho e agosto deste ano, os estragos associados ao Super El Niño somaram R$ 68,2 milhões no Rio Grande do Norte, de acordo com apuração da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O levantamento mostra 62,3 mil pessoas afetadas no estado e 25 decretos municipais de anormalidade — e a projeção para os próximos meses preocupa quem vive do campo.
Prejuízo concentrado no campo potiguar
Os números destrinchados pela CNM revelam onde o clima bateu mais forte na economia norte-rio-grandense:
- Pecuária na liderança das perdas: R$ 35,4 milhões desapareceram dos currais, com pastagens castigadas e custo de alimentação do rebanho em alta.
- Agricultura em seguida: R$ 24,4 milhões de danos nas lavouras, sobretudo nas áreas de sequeiro, que dependem exclusivamente da chuva.
- Conta dividida: R$ 60,5 milhões do rombo caíram sobre a iniciativa privada e R$ 7,7 milhões sobre os cofres públicos.
- Mapa da estiagem: dos 25 decretos de anormalidade editados no período, 92% têm relação direta com seca ou estiagem.
O retrato confirma o que sertanejos do Seridó, do Oeste e da região Central já relatavam nas feiras e nos currais: reservatórios baixos, pasto ralo e colheita frustrada.
Nordeste concentra o maior estrago do país
O Rio Grande do Norte não está sozinho no prejuízo. Segundo a mesma pesquisa da CNM, o Brasil acumulou mais de R$ 8,2 bilhões em danos econômicos apenas entre julho e agosto — e o Nordeste responde pela maior fatia regional, com R$ 3,9 bilhões. Nos municípios nordestinos, o roteiro se repete: estiagem prolongada, agravamento das condições hídricas e, em pontos isolados, temporais intensos.
E o pior pode estar por vir. A entidade indica chance superior a 90% de o El Niño ganhar intensidade muito forte entre o segundo semestre de 2026 e o começo de 2027. O meteorologista Gilmar Bristot avalia que os reflexos sobre a produção agrícola tendem a se acentuar no próximo ano, com risco de comprometimento do período chuvoso — fator decisivo para quem planta no sequeiro potiguar.
Governo do Estado monta resposta e pecuaristas contam perdas
Diante do cenário, a Secretaria estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca informou que mantém um grupo de trabalho voltado ao enfrentamento de uma possível seca prolongada. Ainda segundo a pasta, projetos foram encaminhados ao Governo Federal prevendo a continuidade do fenômeno até fevereiro, com medidas estruturantes:
- Água no subsolo: perfuração e instalação de poços tubulares em comunidades rurais.
- Convivência com o semiárido: construção de barragens subterrâneas para segurar a umidade do solo.
- Obras de grande porte: andamento das adutoras do Seridó e do Agreste, aguardadas há anos pela população do interior.
Enquanto as obras não chegam, o produtor amarga o prejuízo no dia a dia. Criadores de leite das regiões Central, Seridó e Oeste perderam de 20% a 25% do faturamento já no primeiro semestre, conforme balanço do Sindicato das Indústrias de Leite e Produtos Derivados do RN. A agricultura de sequeiro, sem irrigação para socorrer a plantação, também sentiu o baque da irregularidade das chuvas.
O que acontece agora
O próximo capítulo dessa história será escrito pelo céu — e pelos gabinetes. Até a publicação desta matéria, o grupo de trabalho do Estado seguia monitorando os reservatórios e o comportamento das chuvas, e novos decretos municipais podem ser editados caso a estiagem avance. A orientação para produtores rurais é acompanhar os boletins oficiais de meteorologia e buscar os canais da Secretaria da Agricultura e da Defesa Civil municipal em caso de perdas. Novos balanços da CNM devem atualizar o tamanho do prejuízo nos próximos meses, e a Tribuna RN seguirá apurando os desdobramentos para o campo potiguar.
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