RN soma 27 fugas em presídios no ano e troca comando da pasta
Levantamento aponta sete episódios entre maio e setembro em Nísia Floresta, Mossoró e Nova Cruz; 14 detentos foram recapturados e 13 seguem foragidos no estado.
Por Tribuna RN
Publicado em 28 de setembro de 2026 às 18:59 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

NÍSIA FLORESTA/RN — As unidades prisionais potiguares acumulam ao menos sete ocorrências de evasão neste ano, com 27 internos fora das celas entre os meses de maio e setembro. O balanço, apurado pela Tribuna do Norte a partir de informes da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária, indica que 14 homens já voltaram à custódia e 13 continuam foragidos. Os casos atingem o Complexo de Alcaçuz, na Grande Natal, o Complexo Agrícola de Mossoró, no Oeste, e a Cadeia Pública de Nova Cruz, no Agreste.
O fato mais recente aconteceu nesta segunda-feira, dia 28. Sete internos deixaram a cadeia de Nova Cruz durante o banho de sol, flagrados pelo videomonitoramento. Um deles acabou contido ao tentar saltar a muralha e outro foi localizado ainda à tarde, de modo que cinco permanecem fora do alcance das forças de segurança, de acordo com a pasta.
Alcaçuz concentra a maior parte das evasões
Somados os registros de maio, julho e setembro, 17 internos escaparam de pavilhões do Complexo de Alcaçuz, o maior do estado. O episódio de maior vulto ocorreu em 31 de julho na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga: 13 custodiados saíram de uma cela, dois foram contidos dentro do perímetro e 11 ganharam as ruas, flagrados pelas câmeras no trajeto externo. Até a última atualização da secretaria, em 22 de setembro, seis haviam sido reconduzidos e cinco seguiam foragidos.
- 2 de maio: cinco internos danificaram uma cela da triagem do Pavilhão 1, em meio às chuvas fortes que caíam no estado; todos foram localizados depois, o último deles no dia 25 de setembro.
- 8 de setembro: um custodiado teria usado uma obra do módulo de saúde como rota e superado duas linhas de concertina sobre o muro; ele seguia foragido no fechamento do balanço.
- 3 de setembro: um interno de 27 anos, internado com possível quadro psicótico na UPA de São José de Mipibu sob escolta, deixou a unidade de saúde e foi recapturado no dia 7.
A contabilidade leva em conta apenas evasões consumadas, quando o custodiado deixa a unidade ou escapa da vigilância direta. Tentativas barradas antes da saída não entram na soma.
Mossoró registra duas saídas em serviços externos
No Oeste potiguar, o Complexo Penal Agrícola Doutor Mário Negócio anotou dois casos no ano, ambos ligados a atividades de trabalho fora dos pavilhões. Em 16 de junho, um interno que executava solda na área externa, sob supervisão, se afastou do posto e não foi mais visto; ele permanecia foragido na última informação da Seap.
O segundo caso, em 11 de setembro, envolveu um interno classificado para o labor, considerado apto às tarefas. Ele pediu para usar o banheiro durante uma obra interna e se evadiu. Dessa vez, as equipes o localizaram já no dia seguinte e ele retornou ao sistema.
Com os registros de São José de Mipibu, Alcaçuz, Mossoró e Nova Cruz, setembro reúne quatro dos sete episódios do ano, com dez envolvidos: quatro recapturados e seis foragidos, conforme os informes mais recentes de cada ocorrência.
Troca de chefia e alerta sobre efetivo
A sequência de evasões atravessou uma mudança na cúpula da administração penitenciária. No dia 9 de setembro, o governo exonerou o então titular da Seap, Helton Edi Xavier, e a adjunta Arméli Brennand, em meio à crise provocada pelas saídas em Alcaçuz e pela repercussão de um vídeo que envolvia a ex-adjunta e um interno. O secretário de Segurança, coronel Araújo, assumiu interinamente, e dois dias depois o coronel da reserva Raimundo Aribaldo Mendes de Souza foi anunciado para o cargo. Curiosamente, no mesmo dia 11, Mossoró anotou mais uma evasão.
Um relatório interno da direção de Alcaçuz, referente a agosto, descreve quadro delicado: efetivo abaixo do necessário, postos de vigilância desativados e falhas em câmeras. O documento chegou a citar a proporção de um policial penal para 315 internos em um dos setores e classificou como de alto risco a circulação diária de cerca de 90 internos do labor nas oficinas sem vigilância suficiente. Procurada, a Seap disse não comentar detalhes de segurança, mas afirmou que a unidade segue sob controle, com segurança e disciplina.
O que acontece agora
O caso segue sob apuração da Polícia Civil e da administração penitenciária, com buscas ativas pelos 13 foragidos em todas as regiões do estado. A orientação é que moradores repassem qualquer informação pelos canais oficiais, sem se aproximar de suspeitos. A expectativa é que a nova chefia da Seap anuncie reforço de efetivo e revisão dos procedimentos de trabalho externo, pontos apontados pelo relatório interno como críticos para estancar a sequência de evasões.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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