Jantar com Lula frustra empresários que esperavam sinal sobre corte de gastos
Encontro em São Paulo reuniu mais de 700 executivos na sexta-feira e terminou sem anúncio sobre despesas, juros e dívida, com reflexos para comércio e indústria do RN.
Por Tribuna RN
Publicado em 27 de setembro de 2026 às 20:54 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — O jantar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com mais de 700 empresários, banqueiros e executivos, realizado na sexta-feira (25) em São Paulo, terminou em clima de decepção para boa parte dos convidados. Segundo relatos publicados pelo jornal O Estado de S. Paulo e repercutidos por blog potiguar, os participantes esperavam anúncios sobre contenção de despesas, rumos da equipe econômica e controle da dívida, mas saíram do encontro sem medidas concretas.
A reunião contou com a presença da ministra-chefe da Casa Civil em exercício e do vice-presidente Geraldo Alckmin, além de nomes de peso do mercado financeiro e da indústria. Nos discursos oficiais, o governo preferiu destacar programas em andamento e resultados da gestão. Para uma plateia preocupada com juros altos e gasto público em alta, o tom soou mais eleitoral do que técnico, na avaliação de quem estava no salão.
O que os empresários esperavam e o que ouviram
De acordo com a apuração que serviu de base para esta matéria, a frustração se concentrou em três ausências:
- Medida de ajuste: não houve anúncio de pacote para frear despesas nem cronograma de metas fiscais para os próximos anos.
- Mudança de condução: circulavam apostas sobre trocas na área econômica, mas nenhuma alteração foi confirmada no palco.
- Resposta sobre juros e dívida: os discursos não detalharam como o governo pretende lidar com o custo do crédito e o crescimento do endividamento público.
Dois participantes ouvidos pelo Estadão chegaram a classificar a noite como desrespeitosa com a plateia, justamente pela distância entre a expectativa criada e o conteúdo apresentado. Outros foram mais ponderados: reconheceram o encontro como prestação de contas, mas cobraram profundidade no tema fiscal.
O vice-presidente do Secovi-SP, Basilio Jafet, avaliou que o evento ajudou a entender o pensamento do governo, mas disse ter sentido falta de firmeza no tratamento do ajuste, ponto visto como central pelo setor produtivo.
Já o economista Christopher Garman, da consultoria Eurasia Group, observou que houve acenos verbais ao equilíbrio das contas, porém sem força para recuperar a confiança do mercado. A frase atribuída a ele resume o sentimento: existe promessa, falta credibilidade.
Impacto direto no bolso do potiguar
À primeira vista, um jantar em São Paulo parece distante da rotina de Natal, Mossoró e Caicó. Mas a ligação é direta. Quando o governo federal não sinaliza controle de gastos, o mercado projeta juros altos por mais tempo, o crédito ao consumo e ao investimento encarece e o dólar tende a ficar pressionado. O reflexo chega ao comércio da Grande Natal, à indústria apoiada pela FIERN, ao agronegócio do Vale do Açu e ao turismo do Litoral Sul e da Costa Branca.
Para o pequeno negócio potiguar, que depende de empréstimo para girar estoque e manter empregos, cada ponto a mais na taxa de juros pesa no fim do mês. Para o consumidor, significa parcela mais cara no cartão, no financiamento da moto e no crediário da loja de bairro. É por isso que entidades do estado acompanham com lupa qualquer sinal de Brasília sobre Orçamento, reforma de despesas e política monetária.
No Seridó, no Oeste e no Mato Grande, onde prefeituras dependem de repasses federais para obras e saúde, a saúde das contas da União também define o ritmo de convênios, emendas e programas. Um governo sem âncora fiscal clara transmite incerteza a governadores e prefeitos que planejam o ano seguinte.
Conclusão
O episódio deixa uma lição para a última semana antes do primeiro turno: o mercado quer números, prazos e responsáveis, não apenas balanço de realizações. Até a publicação desta matéria, o Palácio do Planalto não anunciou pacote complementar ao jantar. A expectativa agora recai sobre os próximos pronunciamentos da equipe econômica e sobre a reação de bancos, varejo e indústria. Para o leitor do RN, o serviço é acompanhar os canais oficiais, comparar promessas com o Orçamento real e cobrar dos candidatos, de todos os campos, propostas verificáveis para juros, emprego e custo de vida.
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