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Cleitinho cobra Flávio e mira Rogério Marinho em debate sobre escala 6x1

Governador eleito de Minas, Cleitinho Azevedo pediu que Flávio Bolsonaro ouça os trabalhadores no debate do fim da escala 6x1 e criticou o senador potiguar Rogério Marinho.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 05 de outubro de 2026 às 19:00 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

Cleitinho cobra Flávio e mira Rogério Marinho em debate sobre escala 6x1
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Agora RN

NATAL/RN — O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), cobrou publicamente que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) abra espaço para a sua voz na campanha e reveja o papel do senador potiguar Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da candidatura, na condução do tema do fim da escala 6x1. A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (5) e repercutiu diretamente no Rio Grande do Norte, terra política de Marinho.

Segundo o relato da entrevista, Cleitinho defende o encerramento do regime de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso e foi questionado se transformaria esse compromisso em exigência para apoiar Flávio no segundo turno da disputa presidencial.

"Espero que pare de ouvir o Rogério Marinho", afirmou Cleitinho à CNN, ao defender que o candidato considere a posição dele e as demandas dos trabalhadores.

Na sequência, o mineiro ampliou a crítica e disse esperar que o senador passe a se dedicar mais aos assuntos do Rio Grande do Norte. De acordo com a emissora, ele declarou ainda:

"Espero que o senador Rogério Marinho comece a tratar mais do Rio Grande do Norte. Ele não conhece nada de Minas Gerais. E possa me ouvir, ouvir o povo."

Vitória expressiva como argumento político

Eleito no primeiro turno do último domingo (4), Cleitinho usou o próprio desempenho nas urnas para sustentar a cobrança. Com a totalização concluída, ele somou 6.321.590 votos, o equivalente a 55,40% dos votos válidos em Minas Gerais, tendo como vice Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos.

À CNN, o governador eleito ressaltou que conquistou a maioria em quase todos os municípios mineiros e citou Montes Claros, no norte do estado, como exemplo do contato com as demandas populares. Ele afirmou ainda que não utilizou recursos do fundo eleitoral na campanha:

"Eu fui eleito com 6 milhões e 300 mil votos. Não gastei um real de fundo eleitoral", declarou.

Ao conectar o resultado mineiro à corrida nacional, Cleitinho pediu que Flávio escute quem, na visão dele, conhece de perto a realidade de Minas:

"Comece a escutar quem realmente conhece Minas Gerais e quem realmente sabe a dor do povo. Eu sei, e eu espero que ele possa me ouvir, para que ele possa ter esse privilégio de virar presidente da República."

O outro lado: a proposta defendida por Marinho

Rogério Marinho, senador pelo Rio Grande do Norte e coordenador da campanha de Flávio, trilha o caminho oposto no tema. Ele se opõe ao texto apoiado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apresenta uma alternativa centrada na liberdade de negociação entre patrões e empregados, inclusive por meio de acordo direto e individual.

Dados da tramitação no Senado mostram que, em 2 de setembro, Marinho votou contra a matéria na Comissão de Constituição e Justiça e recorreu a manobras regimentais para tentar adiar a votação. O colegiado acabou aprovando o texto e enviando o assunto ao plenário. Na defesa da sua tese, o potiguar argumenta que a mudança chancelada pela Câmara elevaria custos, pressionaria preços e incentivaria a informalidade, e sustenta que a sua proposta "preserva todos os direitos que estão garantidos na Constituição".

Flávio Bolsonaro, por sua vez, alinhou-se ao coordenador. Em agosto, o presidenciável anunciou que trabalharia por um modelo baseado em horas contratadas, no qual o empregado poderia definir a própria carga horária. É exatamente essa posição que Cleitinho tenta reverter, aproximando o candidato do PL da bandeira de um segundo dia semanal de descanso.

Conclusão

O embate expõe uma fratura relevante na base que disputa o segundo turno: de um lado, um governador eleito com votação expressiva cobrando protagonismo na agenda trabalhista; de outro, o coordenador potiguar da campanha defendendo flexibilização negociada. Os próximos passos passam pelo plenário do Senado, onde a proposta do fim da 6x1 aguarda deliberação, e pelas costuras do segundo turno, em que cada apoio regional pode pesar. Novas manifestações de Flávio Bolsonaro sobre o tema devem indicar qual linha vai prevalecer até a votação decisiva.

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