Alunas do RN levam ciência da Caatinga para fórum mundial da ONU em Roma
Cinco estudantes do IERN Natal criaram o projeto Ka'atinga com microalgas para recuperar solos e vão representar o estado no World Food Forum, na Itália.
Por Tribuna RN
Publicado em 01 de outubro de 2026 às 21:16 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

NATAL/RN — Cinco alunas do curso técnico em Química do Instituto Estadual de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (IERN), em Natal, vão representar o estado em Roma, na Itália, no World Food Forum 2026, encontro mundial promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Elas desenvolveram nos laboratórios da escola o projeto Ka'atinga, que estuda a recuperação de solos degradados da Caatinga com biomassa produzida por microalgas.
A comitiva potiguar reúne as estudantes Maria Vitória Hora Tavares, Maria Clara Galdino e França, Ana Júlia Câmara Brum, Ana Terra Duarte Ferreira Freitas Xavier e Helena Marillac de Azevedo Rondon, ao lado dos professores Acácio Silveira de Melo, Helton Gomes Alves e Joás Ferreira de Andrade. O grupo embarca para a programação que ocorre de 8 a 16 de outubro na sede da FAO, com o tema Inovar hoje, nutrir o amanhã. As passagens entre Natal e Roma foram custeadas pelo Instituto Clima e Sociedade, após articulação do Consórcio Nordeste.
Pesquisa nascida em laboratório de escola pública
Segundo a equipe, o Ka'atinga une química, biotecnologia e meio ambiente para buscar uma saída sustentável a um problema antigo do semiárido: o solo empobrecido. A proposta investiga como a biomassa de microalgas pode ajudar a recompor áreas degradadas, com ganhos para biodiversidade e segurança alimentar.
- Foco local: o bioma Caatinga, predominante no Nordeste e presente em grande parte do interior potiguar, do Seridó ao Oeste.
- Base experimental: testes e análises conduzidos nos laboratórios do IERN Natal, com orientação docente.
- Propósito prático: alternativa de baixo impacto para recuperar terra, preservar espécies nativas e apoiar a produção de alimentos.
- Dimensão formativa: vivência de método científico, trabalho em equipe e comunicação de resultados em evento internacional.
Nesta quinta-feira (1º), estudantes e professores foram recebidos na Governadoria, em Natal, pela governadora Fátima Bezerra, para apresentar a pesquisa. Segundo a governadora, a escola pública vai além do ensino e produz conhecimento, ao levar para o debate mundial uma investigação que conecta química, biotecnologia e ambiente, com atenção à sustentabilidade e à inclusão.
Mobilização para chegar a Roma
A seleção para o fórum não veio com bolsa ou ajuda de custo da organização. Diante do impasse, as alunas lançaram uma campanha nas redes sociais para arrecadar recursos. O apelo chegou ao Governo do Estado, que acionou o Consórcio Nordeste. A articulação resultou no custeio integral das passagens de ida e volta pelo Instituto Clima e Sociedade.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Regional do Consórcio Nordeste, Pedro Henrique Cordeiro Lima, a iniciativa combina dois eixos priorizados pelo bloco: ampliar a educação profissional e recuperar a Caatinga, vista como parte da resposta a desafios do clima, da biodiversidade e da diversificação produtiva.
A estudante Helena Marillac resumiu o vínculo afetivo com o tema. Segundo ela, a avó cresceu em um sítio na Caatinga, o que aproxima o grupo tanto da beleza quanto das dificuldades do bioma. A intenção, de acordo com a aluna, era criar algo útil para a região — a ida a Roma superou todas as expectativas da equipe.
A secretária estadual de Educação, Socorro Batista, afirmou que a presença em um palco internacional valoriza a ciência feita na rede pública e abre troca com pesquisadores de outros países. Segundo ela, a expectativa é que as jovens tragam aprendizados para compartilhar com colegas no Rio Grande do Norte.
Educação profissional em expansão no RN
A viagem também ilumina o crescimento do ensino técnico na rede estadual. Segundo o governo, as matrículas saltaram de 7.058 em 2019 para 21.518 em 2026, alta de 205%. Hoje, 144 unidades ofertam a modalidade, entre centros profissionalizantes, IERNs e escolas de ensino médio.
Para Natal e o interior, o recado é direto: laboratório de escola pública, com orientação e persistência, pode alcançar fóruns globais da ONU. A experiência tende a inspirar novas turmas em Mossoró, Caicó, Assú e na Grande Natal a transformar problemas do semiárido em perguntas de pesquisa.
Conclusão
Em Roma, o grupo acompanha debates sobre juventude, ciência, inovação e sistemas alimentares, além de apresentar o Ka'atinga a especialistas. O retorno está previsto após o encerramento no dia 16 de outubro, com socialização dos resultados em sala de aula. Até a publicação desta matéria, a agenda detalhada de apresentações seguia com a organização do fórum. Novos detalhes devem ser divulgados pela escola e pela Secretaria de Educação nos próximos dias.
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