Lenha domina extrativismo no RN e rende R$ 45,5 milhões em 130 cidades
Pesquisa do IBGE mostra que a extração vegetal potiguar somou R$ 62 milhões em 2025, com alta de 5,8%. Só a lenha respondeu por R$ 45,5 milhões em 130 municípios.
Por Tribuna RN
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 19:36 • 5 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — A extração vegetal potiguar fechou 2025 com mais de R$ 62 milhões em valor de produção, uma alta de 5,8% sobre os R$ 58,6 milhões do ano anterior. Os números são da Pesquisa da Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do IBGE, divulgada na quinta-feira (24). O que sustenta o resultado é um produto só: a lenha, que respondeu por 73,36% de todo o dinheiro do extrativismo no estado.
A pesquisa mede, município por município, a exploração de recursos da vegetação nativa e a produção das florestas plantadas em todo o país. No Rio Grande do Norte, o retrato é diferente do nacional: enquanto o Brasil cresce puxado pela silvicultura, por aqui quem manda é a retirada da mata nativa — e, dentro dela, a lenha.
A força da lenha no interior
Só de lenha, o território potiguar produziu 1,11 milhão de metros cúbicos em 2025, avaliados em mais de R$ 45,5 milhões — a maior cifra de um produto isolado no extrativismo do estado. Somados lenha, madeira em tora e carvão vegetal, os madeireiros concentraram 82,68% de todo o valor da extração vegetal potiguar.
- Alcance recorde: a retirada de lenha foi registrada em 130 dos 167 municípios, quase 78% das cidades do RN.
- Trio de frente: Alexandria liderou com R$ 8,55 milhões, seguida por Santa Cruz, com R$ 6,50 milhões, e Caraúbas, com R$ 5,25 milhões.
- Concentração: os três juntos somaram R$ 20,3 milhões, perto de 45% de tudo que a lenha rendeu no estado.
- Outros madeireiros: a madeira em tora do extrativismo rendeu R$ 706 mil em 13,2 mil metros cúbicos, com Macaíba concentrando dois terços do volume; o carvão vegetal apareceu em 118 municípios, com 3.578 toneladas e mais de R$ 5,07 milhões.
O desenho contrasta com o cenário brasileiro. No país, silvicultura e extração vegetal somaram R$ 47,9 bilhões em 2025, com alta de 6,7% e recorde histórico, puxadas pelas florestas plantadas. No RN, a lógica se inverte: o peso está na vegetação nativa.
Umbu e mangaba puxam os alimentos
Fora da madeira, o crescimento mais rápido em volume veio dos alimentos. O grupo rendeu 1.750 toneladas em 2025, contra 1.501 toneladas no ano anterior — avanço de 16,59% — e passou de R$ 4,15 milhões em valor de produção.
- Umbu em quantidade: 825 toneladas e mais de R$ 1,19 milhão, colhidas em 43 municípios; São Miguel do Gostoso respondeu por 300 toneladas (36,4%) e Pedra Grande, por 200 — juntas, mais de 60% do total.
- Mangaba em valor: 605 toneladas renderam R$ 2,06 milhões, cerca de R$ 870 mil acima do umbu mesmo com volume 27% menor; Nísia Floresta concentrou 530 toneladas, quase 88% do volume estadual.
- Preço explica a inversão: cada tonelada de umbu valeu em média cerca de R$ 1,4 mil, enquanto a de mangaba ficou perto de R$ 3,4 mil, mais que o dobro.
- Coadjuvantes: castanha de caju somou 107 toneladas e R$ 440 mil; o cajá, 22 toneladas e R$ 71 mil; os demais alimentos, juntos, responderam por aproximadamente R$ 380 mil.
Carnaúba na contramão
Na contramão dos alimentos, a carnaúba perdeu força. A quantidade destinada à fabricação de pó e cera caiu de 428 toneladas em 2024 para 381 toneladas em 2025, recuo de 10,98% — quase tudo pó de carnaúba, com 379 toneladas. Apenas 16 municípios registraram a atividade no ano, com Upanema, Ipanguaçu e Assú entre os principais produtores.
O valor acompanhou a queda: R$ 6,59 milhões em 2025, abaixo do ano anterior, segundo o recorte estadual informado pelo IBGE. A carnaúba alimenta cadeias que vão além da porteira — a cera das folhas termina em embalagens, medicamentos e cosméticos —, o que liga o extrativismo dos municípios a mercados industriais. O resultado destoa do setor como um todo, que cresceu 5,8% em valor enquanto a palmeira-símbolo do sertão perdeu volume e receita.
Plantadas ainda são coadjuvantes por aqui
O recorte que separa mata nativa de floresta plantada mostra o quanto a silvicultura ainda é pequena no RN. A lenha de eucalipto somou 1,5 mil metros cúbicos em 2025, avaliados em R$ 120 mil — cerca de 740 vezes menos que o 1,11 milhão de metros cúbicos do extrativismo. Pureza concentrou 1,2 mil metros cúbicos (R$ 96 mil, ou 80% do total) e Macaíba, os 300 metros cúbicos restantes (R$ 24 mil).
Pureza concentrou ainda toda a madeira em tora de eucalipto para outras finalidades informada no estado: R$ 2,4 milhões em 6 mil metros cúbicos. No Brasil, o eucalipto segue como a principal espécie plantada, fornecendo matéria-prima para siderurgia, energia, madeira, papel e celulose. No território potiguar, porém, o roteiro continua outro: extrativismo na frente, lenha nativa no comando.
Conclusão
Os números de 2025 deixam duas marcas no setor potiguar: a dispersão pelo território, com a lenha em 130 municípios e o carvão em 118, e a concentração do dinheiro nos madeireiros, donos de mais de oito em cada dez reais do extrativismo. Dentro da atividade, os movimentos foram distintos — alimentos em alta de 16,59% com umbu e mangaba, carnaúba em queda e eucalipto restrito a Pureza e Macaíba —, mas o agregado prevaleceu: de R$ 58,6 milhões para mais de R$ 62 milhões em um ano, com quase três quartos vindos de um produto só. A próxima edição da PEVS, com os dados de 2026, vai mostrar se a lenha mantém o domínio e se os alimentos ampliam a participação no interior.
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