Fátima Bezerra recebe o menor salário entre governadores do país, diz ranking
Levantamento com dados dos Portais da Transparência mostra subsídio bruto de R$ 21,9 mil para a governadora do RN, o menor do Brasil, ante teto de R$ 46,3 mil em Sergipe.
Por Tribuna RN
Publicado em 03 de outubro de 2026 às 16:55 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), aparece com a menor remuneração entre todos os chefes de Executivos estaduais do Brasil, segundo levantamento publicado neste sábado (3) pelo NOVO Notícias a partir dos Portais da Transparência dos estados e do Distrito Federal. O subsídio bruto fixado para a potiguar é de R$ 21.914,76, com valor líquido de R$ 16.080,58 após os descontos legais.
No extremo oposto da tabela está o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), cujo vencimento atinge R$ 46.366,19, equivalente ao teto constitucional do funcionalismo estadual. A diferença entre o maior e o menor contracheque chega a cerca de R$ 24,7 mil, revelando o peso das legislações locais aprovadas por cada Assembleia Legislativa, sempre sob o limite do artigo 37 da Constituição Federal.
Quem ganha mais e quem ganha menos
De acordo com o levantamento, o topo do ranking nacional concentra nomes do Norte, Nordeste e Sudeste:
- Maior salário: Fábio Mitidieri (PSD-SE), com R$ 46.366,19 brutos, no teto constitucional.
- Segunda posição: Mailza Assis (PP-AC), com R$ 42.645,49 brutos.
- Terceiro lugar: Mateus Simões (PSD-MG), com R$ 41.845,49 brutos.
- Quarta posição: Paulo Dantas (MDB-AL), com R$ 40.080,75 brutos.
- Menor salário: Fátima Bezerra (PT-RN), com R$ 21.914,76 brutos e R$ 16.080,58 líquidos.
- Segunda menor: Elmano de Freitas (PT-CE), com R$ 22.878,41 brutos e R$ 13.605,85 líquidos.
Ainda na faixa intermediária aparecem, segundo o estudo, Jerônimo Rodrigues (PT-BA), com R$ 36.894,89; Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com R$ 36.301,53; Ricardo Ferraço (MDB-ES), com R$ 36.165,63; e Rafael Fonteles (PT-PI), com R$ 35.574,64. Governadores de Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Rondônia, Paraíba, Roraima, Mato Grosso, Amazonas, Paraná, Goiás, Maranhão, Amapá e Tocantins ficam entre R$ 32,5 mil e R$ 35,4 mil.
Casos fora da tabela
Três governantes não entraram diretamente no comparativo porque abriram mão do subsídio do mandato para manter vencimentos de carreiras de origem, conforme informou o levantamento:
- Pará: a governadora Hana Ghassan (MDB) optou pela aposentadoria como auditora fiscal estadual, no valor do teto de R$ 46.366,19.
- Pernambuco: Raquel Lyra (PSD) manteve os proventos de procuradora do Estado, superiores a R$ 50 mil mensais.
- Rio de Janeiro: o governador Ricardo Couto recebe como desembargador do Tribunal de Justiça, com créditos mensais de R$ 91,8 mil e líquido em torno de R$ 58 mil.
Segundo o NOVO Notícias, essas opções são formais e constam das folhas de pagamento dos órgãos de origem, não das folhas do Executivo estadual. A prática é permitida quando o eleito já pertence a carreira pública com remuneração maior que o subsídio de governador.
Conclusão
O retrato mostra que ser governador no Brasil não significa ganhar o mesmo em todo o país: tudo depende da lei estadual que fixa o subsídio, da realidade fiscal de cada ente e das travas do teto constitucional. No caso potiguar, o valor segue como o mais baixo da federação, mesmo após anos de debates sobre recomposição e equilíbrio das contas públicas no RN.
Para o leitor do Rio Grande do Norte, do Centro de Natal ao interior do Seridó e do Oeste, o dado ajuda a entender parte da discussão sobre gasto com pessoal, transparência e atratividade dos cargos eletivos. Novos levantamentos devem atualizar a tabela sempre que Assembleias aprovarem reajustes, e os Portais da Transparência seguem como fonte oficial para consulta direta de qualquer cidadão.
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