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Fim das bets esvazia cofres do futebol e 14 clubes da Série A perdem milhões

Medida Provisória que proíbe apostas de quota fixa obriga 14 dos 20 clubes da Série A a trocar patrocinador master e impõe prazo até 5 de outubro para remover marcas.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 26 de setembro de 2026 às 22:40 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

Fim das bets esvazia cofres do futebol e 14 clubes da Série A perdem milhões
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Agora RN

BRASÍLIA/DF — A proibição das apostas de quota fixa no país virou uma corrida contra o relógio nos departamentos de marketing dos grandes clubes. Publicada pelo governo federal na sexta-feira (25), a Medida Provisória nº 1.394 veda a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das bets, incluindo apostas esportivas e jogos on-line. Segundo o levantamento da consultoria Convocados citado pelo portal Agora RN, 14 dos 20 times da Série A do Campeonato Brasileiro estampam casas de apostas como patrocinadoras principais e terão de renegociar contratos milionários.

O impacto alcança em cheio o torcedor potiguar, que acompanha Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo pela TV e nas rodas de conversa do Alecrim à Abolição, em Mossoró. De acordo com o governo federal, as empresas têm até 5 de outubro para retirar materiais publicitários e patrocínios em meios físicos, como camisas, placas de estádio e backdrops. Sites e aplicativos deverão sair do ar a partir do dia 6.

Quanto cada gigante perde com a saída das casas de aposta

Os números reunidos pela consultoria mostram o tamanho da dependência. Em 2025, segundo o levantamento, as bets investiram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios aos clubes da elite. Para a maioria das equipes, essa receita representa entre 5% e 8% do orçamento anual, fatia que banca salários, base e futebol feminino.

  • Flamengo e Betano: R$ 268,5 milhões por ano, o maior contrato do país;
  • Corinthians e Esportes da Sorte: R$ 150 milhões por ano;
  • São Paulo e Superbet: R$ 113 milhões por ano;
  • Palmeiras e Sportingbet: R$ 100 milhões por ano;
  • Atlético-MG e H2Bet: R$ 62 milhões, seguido por Botafogo, Fluminense, Vasco, Grêmio, Cruzeiro, Santos, Vitória e Remo, com valores entre R$ 55 milhões e R$ 12 milhões;
  • Chapecoense e ZeroUm: valor não divulgado pelo clube catarinense.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, afirmou, segundo o Agora RN, que o clube pode perder mais de R$ 430 milhões ao somar patrocínio direto e outras receitas ligadas ao setor. O caso do rubro-negro, que arrasta multidões também no Rio Grande do Norte, virou símbolo do debate sobre o peso do dinheiro das apostas no futebol brasileiro.

Clubes buscam plano B e Congresso terá a palavra final

Flamengo e Fluminense, de acordo com a apuração original, já se manifestaram contra a proibição. Os clubes alegam que o corte atinge o profissional, as categorias de base, o futebol feminino e outras modalidades mantidas com verba comercial. Operadoras como Betano, Sportingbet e Superbet, ainda segundo o relato, começaram a alertar as diretorias sobre possíveis revisões ou rescisões contratuais.

Para ABC e América-RN, que disputam divisões de acesso e vivem de orçamentos enxutos, o episódio serve de alerta. Dirigentes potiguares ouvidos em debates do setor defendem diversificar receitas com sócio-torcedor, venda de produtos e parcerias regionais para não repetir a dependência vista na elite. Na Grande Natal, lojistas que vendem camisas oficiais também acompanham o calendário, já que a troca de patrocinador master costuma gerar nova coleção nas araras.

A medida provisória já está em vigor, mas precisará passar pelo crivo do Congresso Nacional, onde deputados e senadores podem manter, alterar ou derrubar o texto. Até a publicação desta matéria, seguiam valendo os prazos fixados pelo Planalto para a retirada das marcas e o desligamento das plataformas.

O que acontece agora

O próximo passo é duplo: dentro de campo, os clubes aceleram conversas com bancos, varejistas e montadoras para ocupar o espaço nobre da camisa; fora dele, o Congresso decide o destino definitivo da MP nº 1.394. Apostadores com saldo nas plataformas têm até as 23h59 do dia 5 de outubro para sacar os valores de forma voluntária, segundo o cronograma oficial. Quem não retirar no prazo deverá receber por meio das instituições financeiras entre 9 e 14 de outubro. Novos detalhes devem ser divulgados pelos órgãos federais e pelos próprios clubes nos próximos dias.

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