Flávio mira comando do Congresso e afasta apoio a Motta e Alcolumbre em 2027
Em Goiânia, Flávio Bolsonaro diz que eventual governo não sustentará Motta e Alcolumbre e projeta maioria de direita para comandar Câmara e Senado a partir de 2027.
Por Tribuna RN
Publicado em 07 de outubro de 2026 às 00:15 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — A disputa pelo comando da Câmara Federal e do Senado em 2027 entrou no centro da campanha presidencial. Na terça (6), em agenda em Goiânia (GO), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) indicou que, se chegar ao Palácio do Planalto, não trabalhará pela continuidade de Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, na Câmara nem de Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, no Senado. Segundo o relato do evento, o senador avalia que a nova correlação de forças no Legislativo abre espaço para a direita eleger os dois presidentes das Casas.
O recado foi dado ao comentar o desfecho das urnas para o Legislativo, que, na avaliação do candidato, ampliou o campo conservador. A partir desse diagnóstico, Flávio passou a defender a construção de maiorias próprias em cada Casa, capazes de sustentar nomes alinhados a um eventual governo dele. A escolha dos comandos está marcada para o mês de fevereiro de 2027. Ela vai definir o ritmo de votações, a pauta de prioridades e a relação entre Executivo e Legislativo nos quatro anos seguintes.
Recado em Goiânia e cálculo de maioria no Legislativo
De acordo com o Blog do BG, que acompanhou a agenda, Flávio afirmou que o eleitorado entregou um Congresso ainda mais à direita e com musculatura para decidir as presidências da Câmara e do Senado. Na fala reproduzida pelo portal, o candidato sustentou que teria votos suficientes para indicar os dois nomes e, com isso, destravar mudanças na Constituição. A declaração foi feita em tom de projeção, mirando a segunda fase da campanha e a montagem de alianças no parlamento.
O movimento tem lógica prática. Quem preside as duas Casas controla aspectos decisivos da rotina legislativa, como:
- Pauta de votações: define o que entra em plenário, quando e em que ordem;
- Comissões estratégicas: influencia a instalação e a relatoria de temas sensíveis;
- Rito de propostas: dita o ritmo de PECs, projetos e medidas provisórias;
- Relação com o governo: funciona como ponte — ou freio — entre o Planalto e os parlamentares.
Por isso, segundo analistas ouvidos habitualmente nesse tipo de cobertura, candidatos costumam antecipar o debate sobre os comandos para sinalizar governabilidade. No caso de Flávio, a mensagem busca consolidar o voto do eleitorado conservador e atrair parlamentares eleitos que ainda avaliam palanques para o segundo turno.
Por que a eleição de 2027 interessa diretamente ao Rio Grande do Norte
Para o leitor potiguar, a briga por Câmara e Senado não é um assunto distante de Brasília. É a bancada do estado — deputados federais e senadores — que vai votar nos futuros presidentes das Casas. Na prática, o posicionamento desses parlamentares pesa na hora de garantir recursos para obras, saúde, segurança e convivência com a seca, além de emendas para municípios do interior, da Grande Natal ao Seridó e ao Oeste.
O estado também acompanha de perto a articulação da direita, que tem no senador Rogério Marinho um dos seus nomes nacionais. Qualquer rearranjo no comando do Senado e da Câmara mexe com o espaço das lideranças potiguares nas comissões, nas relatorias e na interlocução com ministérios. Para prefeituras do RN, que dependem de repasses federais para manter serviços, a estabilidade dessa relação faz diferença no dia a dia.
Outro ponto relevante é o calendário. Até fevereiro do ano de 2027, quando os novos presidentes serão eleitos pelos próprios deputados e senadores, há uma longa janela de negociação. Nesse período, segundo a praxe do Congresso, siglas testam candidaturas, medem apoios regionais e trocam a presidência de comissões por votos. O eleitor do RN deve ver, portanto, uma sequência de declarações cruzadas, com cada grupo tentando mostrar força antes da votação interna.
O que acontece agora
A definição dos comandos do Congresso deve ganhar corpo após a etapa final da disputa, quando as bancadas eleitas começam a se reunir por partido e por bloco. Até a publicação desta matéria, não havia anúncio formal de candidaturas para suceder Motta e Alcolumbre, apenas a sinalização de Flávio de que pretende disputar essas vagas com nomes próprios. Novos detalhes devem ser divulgados pelos partidos e pelos gabinetes dos atuais presidentes nos próximos dias.
Para o eleitor potiguar, a orientação é acompanhar o posicionamento da bancada do RN e verificar as propostas em debate nos canais oficiais da Câmara, do Senado e da Justiça Eleitoral. O caso segue em apuração política, e o desfecho dependerá da correlação de forças que sair das urnas e das alianças costuradas até fevereiro de 2027.
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