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Confronto na UFRN: fala de general contra alunos vira alvo de apuração em Brasília

Deputado General Girão acusou universitários da UFRN de desordem e comércio de drogas sem apresentar provas; representação no Conselho de Ética da Câmara apura o caso após confronto no campus.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 20 de outubro de 2026 às 15:16 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

Deputado federal General Girão, representante do PL no Rio Grande do Norte
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Novo Notícias

NATAL/RN — O deputado federal General Girão (PL-RN) acusou estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) de promover desordem no campus e até de comercializar drogas dentro da instituição, em declaração à rádio Mix FM Natal registrada nesta terça-feira (20). A fala, feita sem apresentação de nomes, inquéritos ou provas materiais, é mais um desdobramento do episódio que colocou militantes da direita e alunos universitários em conflito físico na segunda-feira (19), no campus central, em Natal, após um ato de apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Em paralelo, uma representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, em Brasília, pede apuração da conduta do próprio parlamentar.

O que o general afirmou

Durante a entrevista, o deputado cunhou a expressão "estudantes profissionais" para definir alunos que, segundo sua avaliação, ficam vários anos na universidade por reprovarem em disciplinas e prolongariam a permanência no campus para praticar militância política com recursos públicos. A partir desse argumento, ele avançou para a acusação de venda de entorpecentes:

  • Acusação sem respaldo apresentado: Girão declarou que "a droga está dentro da universidade", embora tenha reconhecido que o problema não se estenderia a todos os departamentos. A afirmação não veio acompanhada de nomes, procedimentos policiais ou levantamentos oficiais.
  • Chamado ao contribuinte: Girão prosseguiu afirmando que o contribuinte deveria "parar para poder pensar e reavaliar" a apropriação da comunidade acadêmica pela esquerda, discurso que reproduziu como contestação ao financiamento público da universidade.
  • Ataque à segurança patrimonial: o deputado avaliou a atuação dos agentes de segurança da UFRN como "fraca, omissa e talvez até conivente" no episódio do dia 19.
  • Ação prometida contra os agentes: ele anunciou que vai protocolar representação diretamente com o reitor José Daniel Diniz Melo, pedindo providências sobre a atuação dos guardas durante o confronto.

O confronto no campus central

O pano de fundo da polêmica é o ato "Vire à direita: UFRN anti-Lula", realizado no estacionamento do Setor IV da universidade em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. A atividade reuniu apoiadores com carro de som, bandeiras e um boneco inflável alusivo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Incomodados com o barulho que interrompeu as aulas, estudantes formaram um cordão humano para impedir o avanço do protesto. Segundo o relato publicado pelo portal Novo Notícias, o embate terminou com agressões físicas, depredação de um portão de ferro e um universitário de jornalismo ferido.

Na versão defendida por Girão, o ato seguia pacífico até a aproximação dos alunos contrários. Ele sustentou que integrantes da comitiva foram alvo de pedradas, que veículos de apoiadores tiveram a lataria riscada e pneus perfurados com facas e que um aparelho celular foi furtado durante a confusão. Os dois relatos seguem divergentes e, até a publicação desta matéria, nenhuma autoridade divulgou balanço oficial consolidado das ocorrências no campus.

Representação em Brasília

A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) protocolou representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara pedindo investigação sobre se Girão teria utilizado prerrogativas do mandato legislativo para fomentar agressões e criar um ambiente de intimidação dentro da instituição de ensino. Em suas redes sociais, a parlamentar mineira defendeu que o ambiente acadêmico deve ser preservado como espaço de liberdade democrática e argumentou que a imunidade parlamentar não constitui autorização para abuso de autoridade.

O que acontece agora

O caso caminha para duas frentes de apuração: o colegiado de ética da Câmara dos Deputados, que vai decidir se instaura ou não investigação formal contra o deputado, e a representação prometida por Girão ao reitor da UFRN sobre a atuação da segurança patrimonial. As declarações contra os estudantes seguem sem qualquer confirmação oficial e nada indica, por ora, que exista procedimento policial para apurá-las. A tendência é que novos detalhes sejam divulgados nos próximos dias pela própria universidade e pelos órgãos competentes, enquanto a comunidade acadêmica aguarda posicionamento institucional sobre a violência registrada no campus.

Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.

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