Globo suspende debate final após veto do TSE e ordem do STF sobre convidados
Emissora cancelou o encontro da véspera do primeiro turno após veto ao púlpito vazio, inclusão de candidato por liminar e desistências. Entenda o impasse.
Por Tribuna RN
Publicado em 02 de outubro de 2026 às 00:16 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — O eleitor potiguar perdeu o último confronto direto entre os presidenciáveis na televisão antes da votação de domingo (4). A TV Globo suspendeu o debate marcado para a noite desta quinta-feira (1º), o derradeiro do primeiro turno das Eleições 2026, após uma sequência de ordens judiciais que alteraram as regras do programa e provocaram a saída de candidatos, segundo relato do Blog do BG.
A decisão da emissora saiu a três dias da abertura das urnas, quando cerca de 2,6 milhões de eleitores do Rio Grande do Norte se preparam para escolher presidente, governador, senadores e deputados. Sem o encontro, o estado entra na reta final sem o tradicional termômetro nacional que costuma orientar indecisos na Grande Natal, no Oeste, no Seridó e nas demais regiões.
O que travou o debate na véspera da votação
De acordo com a apuração do portal de origem, dois comandos da Justiça Eleitoral e do Supremo mudaram o roteiro previsto pela emissora em poucas horas:
- Púlpito vazio vetado: a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral, proibiu a Globo de exibir a bancada vazia reservada ao presidente Lula (PT), que já havia avisado que não compareceria ao programa.
- Convidado incluído por liminar: o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, mandou incluir Renan Santos, do Missão, na bancada — entendimento que contraria posições anteriores das ministras e ministros Cármen Lúcia e Kassio Nunes Marques, ainda segundo o relato publicado.
- Efeito dominó nas cadeiras: depois da restrição sobre a imagem da ausência, Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que também ficaria de fora e classificou a medida como censura.
- Quem seguia confirmado: Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) mantinham presença acertada até o anúncio do cancelamento.
O cruzamento dessas decisões esvaziou o formato combinado com as campanhas. Para a emissora, não havia mais condição editorial de levar ao ar um debate com regras impostas de última hora e sem dois dos principais nomes da disputa.
Ausências e reação das campanhas
Ainda conforme o portal que revelou o cancelamento, Lula foi o primeiro a comunicar a ausência. O presidente avaliou a agenda da reta final e optou por não participar do último encontro televisionado antes do primeiro turno.
Na sequência, Flávio Bolsonaro condicionou a ida ao estúdio à possibilidade de a emissora registrar o lugar desocupado pelo adversário. Com o veto da ministra do TSE, o senador informou a desistência e usou o termo censura para definir a determinação judicial.
O impasse ganhou peso porque o debate da Globo fecha tradicionalmente o ciclo de confrontos do primeiro turno. No RN, onde a corrida nacional convive com disputas acirradas pelo Governo do Estado e pelas duas vagas ao Senado, a expectativa era usar o programa como referência para comparar propostas sobre economia, segurança e obras federais com impacto direto em rodovias como a BR-101 e a BR-304.
A emissora ainda não divulgou se haverá reposição do encontro ou entrevista compensatória com os candidatos antes de domingo, de acordo com as informações disponíveis até a publicação desta matéria.
O que acontece agora
O calendário eleitoral segue sem alteração: o primeiro turno ocorre neste domingo (4), com votação em todo o Rio Grande do Norte. A orientação da Justiça Eleitoral é que o eleitor confira o local de votação, leve documento oficial com foto e acompanhe apenas canais oficiais para checar informações sobre candidaturas, horários e resultados.
Até a publicação desta matéria, o caso seguia restrito ao âmbito das decisões judiciais citadas e do comunicado da emissora. Novos detalhes sobre recursos das campanhas ou eventual revisão das liminares devem ser divulgados pelos órgãos responsáveis. Para o eleitor potiguar, vale redobrar a atenção a conteúdos verificados e evitar o compartilhamento de versões distorcidas sobre debates, pesquisas e regras de votação.
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