Médicos de UTIs restringem atendimentos em Mossoró e Assú por atraso salarial
Profissionais dos hospitais Tarcísio Maia e Nelson Inácio reduzem leitos de UTI após cinco meses sem receber por maio; Sinmed cobra Sesap e contrato termina em outubro.
Por Tribuna RN
Publicado em 14 de outubro de 2026 às 16:30 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Mossoró Notícias)

MOSSORÓ/RN — Médicos que atuam em leitos intensivos de dois hospitais regionais do interior passaram a limitar a recepção de novos pacientes nesta semana. A restrição atinge o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró, no Oeste, e o Hospital Regional Nelson Inácio dos Santos, em Assú, no Vale do Açu. Segundo o Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN), a motivação é a pendência referente aos plantões de maio, que completa cinco meses sem quitação até esta quarta-feira (14).
De acordo com a entidade representativa, os profissionais tentaram resolver o impasse em reuniões sucessivas, mas seguem sem calendário oficial de pagamento. Diante do cenário, a categoria optou por esvaziar vagas de forma programada: à medida que altas ocorrem, os leitos vinculados ao serviço deixam de ser reocupados até a paralisação completa dessas unidades.
Como funciona a restrição nos dois hospitais
A estratégia adotada não fecha portas de emergência de imediato, mas reduz progressivamente a capacidade intensiva disponível para a população do Oeste e do Vale do Açu. Na prática, cada cama liberada por melhora clínica permanece vazia, o que diminui dia após dia o número de vagas ofertadas à central de regulação.
- Onde vale: Tarcísio Maia (Mossoró) e Nelson Inácio dos Santos (Assú);
- O que muda: leitos desocupados não recebem novos internados no serviço afetado;
- Ritmo: desmobilização gradual até a suspensão integral dos leitos envolvidos;
- Quem decidiu: corpo médico do serviço, após deliberação com o Sinmed-RN.
Segundo lideranças da categoria, a medida foi debatida no sábado (10), quando os plantonistas avaliaram que a espera havia chegado ao limite. A entidade afirma que comunicou a necessidade de resposta concreta antes de qualquer redução, mas não obteve retorno com data e valores.
Impasse sobre pagamento e contrato com a SAMA
O atendimento intensivo nas duas unidades é operacionalizado pela empresa SAMA, contratada pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). Conforme o sindicato, o vínculo se encerra no fim de outubro, o que amplia a apreensão sobre a continuidade da assistência e sobre o destino dos débitos acumulados.
O secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, publicou em redes sociais menções a tratativas com a prestadora. O Sinmed-RN, por outro lado, declara que não recebeu comunicado formal com cronograma, montante reconhecido ou ordem de quitação, e que a própria companhia tampouco respondeu aos questionamentos encaminhados pela representação médica.
- Competência cobrada: plantões de maio, ainda sem depósito integral;
- Operadora do serviço: SAMA, com acordo válido até o fim de outubro;
- Posição da Sesap: citações a negociação em redes sociais do titular;
- Posição do Sinmed-RN: cobra notificação oficial com prazo e valores.
O que acontece agora
A expectativa é que o Governo do Estado apresente um posicionamento documentado, com datas de repasse e garantias para os plantões correntes, evitando a desativação plena dos leitos. Até a publicação desta matéria, não havia confirmação pública de pagamento nem de prorrogação contratual detalhada pela Sesap.
Enquanto isso, pacientes do Oeste, do Vale do Açu e de cidades vizinhas devem ficar atentos aos fluxos de regulação. Em caso de necessidade de terapia intensiva, a recomendação é procurar a unidade de urgência mais próxima, manter documentos e laudos organizados e acompanhar as atualizações pelos canais oficiais da Sesap e dos hospitais regionais.
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