Desenrola 3.0 cria nova fase com leilão de dívidas e mira inadimplentes
Medida provisória assinada em São Paulo autoriza União a comprar carteiras inadimplentes e repassar desconto integral ao consumidor endividado.
Por Tribuna RN
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 14:56 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, a medida provisória que cria a terceira etapa do Desenrola Brasil. Segundo o Novo Notícias, com base em atos do governo federal, a principal novidade do Desenrola 3.0 é permitir que a União compre em leilão carteiras de dívidas de pessoas físicas que seguem inadimplentes e transfira o desconto obtido integralmente ao devedor na hora da renegociação.
O texto foi editado após o encerramento das fases anteriores e entra em vigor de imediato, mas precisa ser confirmado pelo Congresso Nacional em até 120 dias para virar lei em definitivo. A medida foi apresentada como resposta ao estoque de endividamento que ainda atinge milhões de brasileiros, incluindo famílias potiguares.
Como vai funcionar a nova etapa
Pelo desenho anunciado pelo Ministério da Fazenda, a União não vai atender diretamente no balcão. O caminho passa pelo mercado de créditos inadimplentes, com regras definidas em edital. O passo a passo previsto é o seguinte:
- Leilão de carteiras: credores oferecem lotes de dívidas atrasadas e a União arremata aqueles com maior desconto médio.
- Desconto repassado: a diferença obtida no leilão será transferida de forma integral para quem deve, reduzindo saldo, juros e multas.
- Intermediação financeira: bancos e instituições habilitadas vão operacionalizar os novos contratos renegociados.
- Foco em pessoa física: o público-alvo são consumidores com dívidas bancárias, de cartão, varejo e serviços, fora do sistema anterior.
De acordo com o governo federal, a operação não representa aumento de gasto sem lastro, mas uso do deságio do mercado para viabilizar acordos que hoje não saem do papel. O detalhamento de limites por CPF, faixas de renda e tipos de dívida elegível deve sair em portaria complementar da Fazenda.
Impacto direto no bolso potiguar
No Rio Grande do Norte, onde o comércio de Natal, Mossoró e Caicó depende do crédito parcelado, a renegociação pode destravar consumo no fim do ano. Dados nacionais de birôs de crédito citados pelo governo apontam que parte relevante dos inadimplentes deve valores abaixo de R$ 5 mil, perfil comum entre trabalhadores do comércio, serviços e turismo da Grande Natal e do litoral.
Para o consumidor potiguar endividado, a orientação de especialistas é prática:
- Não contrate ainda: aguarde a lista oficial de dívidas elegíveis e os canais habilitados, para não cair em golpe.
- Consulte canais oficiais: acompanhe comunicados do Ministério da Fazenda, do Banco do Brasil, da Caixa e do aplicativo oficial do programa, quando liberado.
- Desconfie de intermediários: nenhum agente está autorizado a cobrar taxa antecipada para incluir nome no Desenrola.
- Organize o orçamento: renegociar sem planejar parcelas pode gerar nova inadimplência em poucos meses.
O Ministério da Fazenda informou que a medida mantém o equilíbrio fiscal porque o valor usado na compra das carteiras retorna via pagamentos dos novos acordos, conforme nota divulgada após a assinatura em São Paulo.
Conclusão
A terceira fase do Desenrola entra agora na etapa de regulamentação. O governo federal deve publicar nos próximos dias o edital dos leilões, o cronograma de adesão e a relação de instituições participantes. No Congresso, a medida provisória passará por comissão mista antes de seguir ao plenário da Câmara e do Senado.
Até a publicação desta matéria, não havia data oficial para abertura das renegociações ao público. A recomendação para moradores do RN é acompanhar apenas fontes oficiais e desconsiderar links encaminhados por redes sociais que prometem inclusão imediata. Novos detalhes devem ser divulgados pela Fazenda e repercutidos pela Tribuna RN assim que as regras operacionais forem publicadas.
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