Reta final no RN leva passado da chapa de Cadu de Lula para o centro do debate
Disputa pelo Governo do RN entra na última semana com inserção na TV e debate na Inter TV Cabugi que recolocam processos antigos ligados à família Rosado no centro da campanha.
Por Tribuna RN
Publicado em 01 de outubro de 2026 às 16:56 • 5 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Mossoró Notícias)

MOSSORÓ/RN — A corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte chegou à última semana com o horário eleitoral e os debates ditando o ritmo da conversa nas ruas, nos grupos de bairro e nas calçadas do Oeste ao Litoral. Nesta quinta-feira (1º), uma peça veiculada na televisão e os desdobramentos do encontro entre candidatos promovido pela Inter TV Cabugi na terça-feira (29) trouxeram de volta à pauta episódios judiciais antigos relacionados à família da candidata a vice-governadora Larissa Rosado (PSB), que compõe a chapa encabeçada por Cadu de Lula (PT), segundo relato publicado pelo portal Mossoró Notícias.
O movimento é típico de reta final: com a votação marcada para este domingo (4), as campanhas tentam cristalizar imagens, reforçar diferenças e disputar o voto do eleitor que decide na última hora em Natal, na Grande Natal, em Mossoró e no interior.
Peça na TV e debate na Cabugi mudam o eixo da semana
De acordo com a publicação de origem, a inserção televisiva recuperou registros públicos de investigações e ações judiciais das décadas passadas envolvendo o pai da candidata a vice, Laíre Rosado, e desdobramentos que alcançaram outros integrantes da família. O assunto também teria sido levantado durante o debate da Inter TV Cabugi, emissora sediada em Natal com alcance em todo o estado.
Na prática, a estratégia transfere parte da discussão da campanha das promessas para o retrospecto:
- O que foi exibido: uma peça curta de TV que resume episódios já noticiados pela imprensa nacional e potiguar ao longo dos anos.
- Onde repercutiu: no debate da terça-feira (29) e nas redes, com cortes circulando entre apoiadores e adversários.
- Por que agora: faltando poucos dias para o domingo de votação, qualquer fato com apelo de memória política ganha tração rápida.
- Quem observa: eleitores da Grande Natal, do Oeste e do Seridó, onde o nome Rosado tem longa trajetória eleitoral, sobretudo em Mossoró.
Até a publicação desta matéria, não havia registro público, no conteúdo apurado, de resposta formal da chapa citada sobre a peça. A Tribuna RN mantém o espaço aberto para manifestação.
Quais casos antigos voltaram a circular
Sempre com base em registros oficiais e na cobertura da época, citados pelo portal de origem, os episódios mencionados são dois, distintos entre si:
- Operação Sanguessuga (2006): investigação conduzida pela Polícia Federal que apurou supostas fraudes em licitações e sobrepreço na aquisição de ambulâncias com verbas federais. Segundo as apurações da época, emendas parlamentares teriam sido usadas para direcionar compras a empresas ligadas ao esquema. O caso teve repercussão nacional e motivou a criação da chamada CPI dos Sanguessugas no Congresso Nacional. Laíre Rosado, pai da candidata a vice, chegou a ser condenado em desdobramento do caso, conforme os registros judiciais citados.
- Fundação Vingt Rosado e maternidade: o Ministério Público Federal apresentou denúncia envolvendo Larissa Rosado, os pais Sandra e Laíre Rosado e outras pessoas por suposto desvio superior a R$ 2,7 milhões em recursos federais destinados à fundação familiar. O mesmo conjunto de apurações alcançou a gestão de uma maternidade mantida pela entidade em Mossoró. Na época, a Vigilância Sanitária apontou falhas graves no atendimento, incluindo menção a reutilização de seringas, e a Justiça Federal determinou intervenção na unidade em 2014 diante do quadro relatado para gestantes.
É importante separar os planos: uma coisa é a existência de investigações, denúncias e decisões judiciais já documentadas; outra, bem diferente, é o uso eleitoral desses episódios na reta final. Cabe à Justiça dizer, em cada processo, o alcance definitivo das responsabilidades, e cabe ao eleitor pesar o retrospecto diante das propostas para o futuro do estado.
O que está em jogo a três dias da votação
Com cerca de 2,6 milhões de eleitores aptos no Rio Grande do Norte, a disputa estadual se resolve neste domingo em turno único ou com desdobramento para o segundo turno, a depender do desempenho nas urnas. Na Grande Natal, onde se concentra a maior fatia do eleitorado, e em Mossoró, segundo maior colégio eleitoral, a última semana costuma ser decidida no corpo a corpo, nos comícios de bairro, nas carreatas da BR-101 e da BR-304 e no horário eleitoral.
Nesse ambiente, peças de televisão funcionam como atalho de memória:
- Para a oposição: reforçam a narrativa de desgaste e tentam associar a chapa adversária a um passado controverso.
- Para a situação e aliados da chapa citada: o desafio passa a ser responder de forma direta, levar a conversa de volta para propostas de saúde, segurança e emprego e evitar que a campanha se resuma ao retrospecto.
- Para o eleitor indeciso: o teste é checar a procedência das informações, buscar os documentos e decisões citados e comparar com os planos de governo registrados.
A orientação de especialistas em direito eleitoral ouvidos em coberturas semelhantes é recorrente: propaganda deve se manter dentro dos limites da veracidade e do respeito à honra, cabendo direito de resposta quando houver excesso. Até o fechamento deste texto, não havia informação pública sobre pedido de resposta ou decisão judicial específica acerca da inserção mencionada.
O que acontece agora
A campanha entra nas últimas 72 horas com agenda intensificada em Natal, Parnamirim, Mossoró, Caicó e no Vale do Açu. Novos debates, sabatinas e inserções devem ocupar o horário eleitoral até a véspera da votação. A expectativa é que as chapas apresentem esclarecimentos e documentos sobre os pontos levantados, enquanto a Justiça Eleitoral segue de plantão para analisar representações.
A Tribuna RN seguirá acompanhando os desdobramentos, com atribuição clara das fontes e sem antecipar juízo sobre condutas ainda em discussão pública. Novos detalhes devem ser divulgados pelos órgãos responsáveis e pelas próprias campanhas até o domingo de votação.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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