Justiça condena ex-gestor e dois ex-juízes eleitorais por negócio de R$ 150 mil em eleição
Sentença da 2ª Vara da Justiça Federal do RN reconhece negociação de R$ 150 mil em troca de decisão em eleição suplementar em Francisco Dantas, em 2014, mas absolve de lavagem.
Por Tribuna RN
Publicado em 22 de outubro de 2026 às 20:15 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

FRANCISCO DANTAS/RN — Um esquema avaliado em R$ 150 mil, costurado para alterar o resultado de uma eleição suplementar no interior potiguar, termina doze anos depois com três réus sentenciados. Um gestor que havia perdido o cargo por cassação e dois magistrados então integrantes da Justiça Eleitoral do RN receberam condenação da Justiça Federal do RN, na sua 2ª Vara, que acolheu a tese de vantagem prometida mesmo sem o dinheiro mudar de mãos de fato. O berço do caso é Francisco Dantas, cidade do Alto Oeste distante quase 400 km da capital.
O esquema que a sentença descreveu
Segundo a acusação do MPF, a negociação girava em torno de um despacho judicial: os dois ex-magistrados foram sentenciados no crime de corrupção passiva por negociar favorecimento ligado a um recurso contra o registro barrado de uma candidatura. O ex-gestor do município — marido de quem disputava o cargo com o deferimento pendente — respondeu pela versão ativa do crime de corrupção nessa mesma trama.
O dossiê que sustentou a condenação reuniu peças variadas:
- Voto escrito antes da sessão: um esboço de decisão favorável aos interesses da chapa foi achado na caixa de e-mails de um dos ex-magistrados, montado antes da sessão prevista para o mês de junho daquele ano;
- Rastreio de contas e ligações: contas reviradas, ligações mapeadas e conversas eletrônicas compuseram o acervo;
- Relato premiado: o próprio ex-prefeito detalhou o acerto como colaborador, o que pesou a seu favor na hora de dosar a punição;
- Testemunhas: quem acompanhava o caso confirmou a existência da negociação.
Um vídeo detonou a trama antes do pagamento
O dinheiro permaneceu no papel. Véspera da sessão que definiria o resultado, o irmão do postulante a vice da chapa barrada distribuiu um vídeo narrando a história da compra pretendida do julgamento, com repasses prometidos a membros do tribunal. A repercussão forçou um recuo em série: o processo saiu de pauta, o relator se afastou declarando-se suspeito e o TRE-RN, ao julgar o mérito, seguiu barrando a chapa que contava com a bênção do ex-gestor.
A apuração criminal ganhou corpo com a Operação Balcão, ação que veio em 2019. Na lista de sinais de riqueza sem lastro declarado, o MPF apontou um veículo avaliado em R$ 123 mil quitado em espécie e colocado no nome de uma companhia vinculada à família de um dos ex-magistrados, e também um montante de R$ 149,9 mil creditado na conta de quem é casado com um segundo réu por pessoa alheia à família, sem esclarecimento sobre a procedência dos valores.
Como ficou a conta
O tamanho da punição ficou assim: um ano de reclusão para o ex-gestor, encolhida pela colaboração, e três anos e três meses para cada um dos dois ex-magistrados. Como todos preencheram os requisitos legais, nenhuma cadeia à vista: as penas de prisão saíram convertidas em restrições de direitos, entre elas a prestação de serviços à comunidade, prestações pecuniárias e pagamento de multas.
No capítulo da lavagem, a sentença considerou faltar prova suficiente e absolviu os três réus. O MPF discorda: o apelo sustenta que os rastros financeiros são robustos o bastante para uma condenação também nesse ponto.
O que acontece agora
As defesas podem recorrer da decisão, e o apelo do MPF sobre a lavagem aguarda julgamento em instância superior. Como não há trânsito em julgado, ninguém deve ser tratado como definitivamente condenado. Para o eleitorado do pequeno município do Alto Oeste, o desfecho reabre um episódio de mais de uma década que barrou uma candidatura, derrubou um prefeito e ainda aguarda a última palavra da Justiça.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
Tópicos Relacionados:
Contexto Tribuna RN
Acompanhamento da nossa redação em Francisco Dantas • Mossoró & Região Oeste: esta cobertura integra o giro permanente do portal pelo Rio Grande do Norte, com atualização contínua dos fatos que impactam a região. Ver mais notícias da região →
Compartilhe esta notícia
Espalhe informação de qualidade pelo Rio Grande do Norte
Compromisso Editorial • Tribuna RN:
O Tribuna RN preza pela apuração precisa, imparcialidade e respeito aos cidadãos potiguares. Nossas reportagens seguem rigorosos critérios éticos e jornalísticos. Sugestões e esclarecimentos podem ser encaminhados diretamente aos canais de contato da nossa redação.
Leia também

politica
TCE congela licitação de R$ 68 milhões de brinquedos e kits escolares no Oeste do RN

politica
Zona Eleitoral ordena remoção de campanha pintada em muro no Doze Anos, em Mossoró

politica
Festa com hora marcada: MP Eleitoral manda comemoração em Mossoró acabar às 22h

politica
