Liga do RN lidera pesquisa nacional que mapeia genética do câncer de mama
Com 98 pacientes incluídas, a Liga Norte Riograndense Contra o Câncer puxa o Onco-Genomas Brasil e coloca o Nordeste no mapa da medicina de precisão do SUS.
Por Tribuna RN
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 20:59 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — A Liga Norte Riograndense Contra o Câncer assumiu a liderança nacional no recrutamento de pacientes para o Onco-Genomas Brasil, o maior esforço do país para entender como os tumores se comportam no organismo do brasileiro. Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (30), a instituição potiguar incluiu 98 mulheres com câncer de mama entre 2024 e 2026 — o equivalente a 19,5% de todo o recrutamento nacional e a 75% do volume reunido pelo Nordeste.
O levantamento reúne 23 centros de referência em oncologia espalhados pelo país. A coordenação científica cabe ao Hospital Moinhos de Vento, com financiamento do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS), mantido pelo Ministério da Saúde. A meta é criar uma base genética brasileira capaz de orientar o tratamento oferecido pela rede pública.
Por que a liderança potiguar importa para o SUS
Na medicina de precisão, as características biológicas do paciente e do tumor ajudam a definir medicamentos, doses e condutas. Sem dados nacionais robustos, os protocolos tendem a repetir parâmetros internacionais, construídos majoritariamente a partir de populações europeias e norte-americanas.
É essa lacuna que o Onco-Genomas tenta fechar. De acordo com o médico Edilmar Moura, diretor do Instituto de Ensino, Pesquisa e Inovação da Liga (IEPI), a participação expressiva do RN garante que nordestinos estejam representados nas amostras que vão embasar futuras decisões do SUS — inclusive sobre quando e para quem os testes genéticos devem ser ofertados.
Os reflexos práticos, segundo a equipe científica, aparecem em três frentes:
- Escolha do tratamento: perfis genéticos que indicam terapias-alvo e evitam condutas ineficazes;
- Prevenção em família: alterações hereditárias que orientam rastreamento de parentes, diagnóstico precoce e redução de risco;
- Gestão pública: evidências para discutir incorporação de exames genéticos na rede pública, com critérios de custo e benefício.
Organização e volume explicam o primeiro lugar
Ainda segundo a Liga, as 98 participantes vieram do fluxo assistencial diário da instituição, sediada em Natal com atuação em todo o estado. O diretor do IEPI atribui o desempenho à combinação de alto volume de atendimentos, pesquisa clínica estruturada e engajamento das equipes multiprofissionais.
O histórico reforça a posição. Em maio deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou o Centro de Pesquisa Clínica da Liga em sexto lugar no ranking nacional de centros que conduzem ensaios clínicos, na nona edição do relatório anual da Coordenação de Pesquisa Clínica. Nenhuma outra instituição nordestina apareceu na lista, que inclui o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, o Hospital das Clínicas da USP, o Hospital Israelita Albert Einstein e o próprio Moinhos de Vento.
Instalado no Centro Avançado de Oncologia (Cecan), o centro potiguar completa 20 anos de atividade, com atuação em oncologia clínica, radioterapia e hematologia e participação em mais de 500 estudos ao longo da trajetória.
Conclusão
Ao responder por quase um quinto das amostras do Onco-Genomas, a Liga projeta o Rio Grande do Norte para o centro do debate sobre o futuro do tratamento do câncer no SUS. O desafio agora é transformar o mapa genético em acesso concreto: exames disponíveis, equipes treinadas e protocolos atualizados da Grande Natal ao interior. Novos resultados do estudo devem ser divulgados pelos centros participantes ao longo dos próximos meses.
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