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Umbu e mangaba puxam extrativismo e RN soma R$ 62 milhões em 2025

Levantamento do IBGE mostra umbu e mangaba no topo da extração potiguar, com 1,75 mil toneladas de alimentos e lenha respondendo por 73% do valor no RN.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 27 de setembro de 2026 às 15:38 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

Umbu e mangaba puxam extrativismo e RN soma R$ 62 milhões em 2025
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / G1 RN

SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/RN — O Rio Grande do Norte colheu da mata nativa o sustento de centenas de famílias em 2025. Segundo a Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura, divulgada pelo IBGE na última semana, o umbu e a mangaba lideraram a coleta de frutos nativos no estado, dentro de uma atividade que movimentou mais de R$ 62 milhões em valor de produção no território potiguar.

O estudo apura o que foi retirado de formações espontâneas, sem plantio direto, como frutos silvestres, lenha, madeira em tora e carvão. De acordo com o instituto, não entram nessa conta as frutas da agricultura irrigada, a exemplo do melão do Vale do Açu. O retrato, portanto, é o do extrativismo tradicional, presente do Mato Grande ao Seridó.

Umbu no interior e mangaba no Litoral Sul

Os números colocam o sertão e o litoral na mesma cadeia produtiva. Confira os destaques apurados pelo IBGE:

  • Umbu lidera em volume: foram 825 toneladas no estado, com valor de R$ 1,19 milhão, colhidas em 43 municípios, com proa em São Miguel do Gostoso, no Mato Grande, e em Pedra Grande, no interior.
  • Mangaba vale mais: com 605 toneladas, a fruta somou R$ 2,06 milhões, concentrada sobretudo em Nísia Floresta, na Grande Natal, onde a restinga preservada sustenta a coleta.
  • Cesta alimentar cresce: o conjunto dos alimentos nativos somou 1.750 toneladas, alta de 16,59% sobre 2024, e gerou R$ 4,15 milhões no RN.
  • Caju e cajá completam: a castanha de caju rendeu R$ 440 mil, o cajá movimentou R$ 71 mil e outros itens somaram R$ 380 mil, segundo o levantamento.

Para o leitor potiguar, o dado revela duas fronteiras vivas: o umbu do interior, que segura renda na estiagem, e a mangaba do Litoral Sul, que liga comunidade, turismo e doce caseiro vendido na beira da estrada.

Lenha sustenta a conta e carnaúba perde fôlego

O peso maior, porém, segue no fogão e na construção. De acordo com o IBGE, os produtos madeireiros responderam por 82,68% do valor da extração no RN:

  • Lenha domina: foram 1,11 milhão de metros cúbicos, com R$ 45,5 milhões, o equivalente a 73,36% de todo o valor extrativo estadual, presente em 130 cidades.
  • Polos da lenha: Alexandria, no Alto Oeste, Santa Cruz, no Trairi, e Caraúbas, no Oeste, aparecem entre os maiores valores, abastecendo cerâmicas, padarias e casas de farinha.
  • Tora e carvão: a madeira em tora somou 13,2 mil metros cúbicos e R$ 706 mil, com força em Macaíba, na Grande Natal; o carvão alcançou 3.578 toneladas e R$ 5,07 milhões em 118 municípios.
  • Carnaúba recua: a extração do pó e da cera caiu de 428 para 381 toneladas, e o valor encolheu de R$ 7,62 milhões para R$ 6,59 milhões, concentrada em Upanema, Ipanguaçu e Assú, no Vale do Açu.

O instituto também registrou a silvicultura de eucalipto em Pureza e Macaíba, com lenha plantada e tora para outros usos, sinal de que o plantio começa a dividir espaço com a mata nativa.

O que acontece agora

O retrato de 2025 confirma o extrativismo como rede de proteção social no interior e na faixa litorânea do RN. A orientação de técnicos ouvidos pelo setor é que cooperativas e prefeituras avancem na organização da coleta, com manejo certificado, beneficiamento local e feiras que agreguem preço ao umbu, à mangaba e ao caju.

Até a publicação desta matéria, o IBGE mantinha a série histórica da PEVS aberta para consulta pública. Novos desdobramentos, como políticas de convivência com o semiárido e linhas de crédito para agroextrativismo, devem ser anunciados pelos órgãos responsáveis e a Tribuna RN seguirá acompanhando o impacto no bolso do potiguar.

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Fonte da Informação Veículo de origem: G1 RN (via RSS)
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