Bloqueio relâmpago: anúncios de Lula saem do ar e voltam no mesmo dia
Meta tirou do ar a conta de anúncios do candidato Lula no Facebook a dez dias do primeiro turno. A campanha recorreu, o acesso foi restabelecido horas depois e o caso reacende o debate sobre big techs.
Por Tribuna RN
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 19:44 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — A dez dias do primeiro turno das eleições, a conta de anúncios do candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Facebook foi desativada temporariamente pela Meta, conglomerado que controla também o Instagram e o WhatsApp. Segundo a coordenação da campanha petista, o bloqueio ocorreu sem justificativa apresentada pela plataforma, o que motivou um recurso imediato. O acesso foi normalizado ainda no mesmo dia, mas a equipe do candidato afirma que segue aguardando uma posição oficial da empresa sobre o que provocou a interrupção.
O episódio, revelado nesta sexta-feira (25), ganhou repercussão rápida porque envolve diretamente a disputa presidencial na reta final da campanha, período em que os anúncios pagos nas redes funcionam como uma das principais vitrines dos candidatos. Para o eleitor potiguar, que acompanha a corrida eleitoral também pelo celular, o caso levanta uma pergunta prática: até que ponto as plataformas podem interferir — mesmo que por poucas horas — na comunicação entre candidatos e votantes.
Recurso da campanha e silêncio da plataforma
De acordo com o relato da campanha, divulgado por meio da Agência Brasil, os representantes do candidato acionaram os canais da Meta assim que perceberam a desativação, sustentando que não havia motivo para a medida. A resposta operacional veio em horas, com o restabelecimento da conta, porém sem uma explicação formal sobre a causa do bloqueio até o fechamento das informações.
Procurada pela reportagem da Agência Brasil, assinada pelo repórter Lucas Pordeus León, a Meta não se manifestou. A ausência de esclarecimento alimenta a desconfiança de aliados do petista, que enxergam no incidente mais um capítulo da queda de braço entre o campo progressista e as grandes empresas de tecnologia sediadas nos Estados Unidos.
Entre os pontos destacados por apoiadores da campanha estão:
- Rapidez do restabelecimento: a conta voltou ao ar no mesmo dia, após o recurso;
- Falta de motivação declarada: a campanha diz que nenhum fundamento foi comunicado;
- Momento sensível: o bloqueio aconteceu a dez dias da votação em primeiro turno;
- Expectativa de resposta: a equipe aguarda um posicionamento da big tech sobre o ocorrido.
Repercussão política e o pano de fundo com as big techs
Aliados de Lula reagiram ao caso reforçando a tese de que companhias norte-americanas de tecnologia atuariam de forma desfavorável ao PT e a seus candidatos. O argumento se conecta a um contexto mais amplo de atritos entre o governo brasileiro e as plataformas digitais em torno da regulação do ambiente virtual, da responsabilização por conteúdos ilícitos e do combate à desinformação.
Esse embate ganhou novos contornos depois que o empresário Mark Zuckerberg, dono da Meta, anunciou publicamente, em janeiro de 2025, um alinhamento da companhia com o segundo governo de Donald Trump na Casa Branca. Na ocasião, segundo registros da época, o executivo afirmou que trabalharia junto ao presidente norte-americano para pressionar governos que, na visão da empresa, perseguiriam companhias dos Estados Unidos.
Do outro lado, a defesa de regras mais rígidas para as plataformas é uma bandeira sustentada pelo atual governo brasileiro, o que tem gerado tensão diplomática com Washington. O governo Trump, por sua vez, critica iniciativas de países que tentam disciplinar a atuação das gigantes digitais e criar mecanismos contra crimes praticados na internet. É nesse tabuleiro que episódios como o bloqueio temporário da conta de anúncios ganham peso político além do aspecto técnico.
O que acontece agora
A campanha de Lula trata o caso como encerrado na parte operacional, já que a veiculação de anúncios foi retomada, mas mantém a cobrança por transparência: quer saber exatamente qual regra teria sido supostamente violada e quais garantias existem de que novas interrupções não vão ocorrer até o dia da votação. Para as campanhas no Rio Grande do Norte — que também investem em impulsionamento para alcançar eleitores da Grande Natal ao interior —, o episódio serve de alerta sobre a dependência das plataformas privadas na reta final. Até a publicação desta matéria, a Meta seguia sem apresentar explicação pública, e novos desdobramentos devem surgir caso a empresa se pronuncie ou a campanha leve o caso a outras instâncias.
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