Aliada de Flávio prevê juro maior e carrinho mais vazio no Nordeste
Em entrevista à 96FM em Natal, Daniella Marques defendeu mudança no modelo econômico e disse que juros, câmbio e dívidas podem apertar o orçamento das famílias.
Por Tribuna RN
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 18:16 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — A economista Daniella Marques, responsável pela coordenação do programa econômico ligado à pré-campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (25), em entrevista ao programa Meio Dia RN, da 96FM, na capital potiguar, que o país precisa rever a condução da economia para frear juros, dólar e endividamento das famílias. As declarações foram relatadas pelo Blog do BG após a conversa ao vivo.
Segundo ela, a manutenção do atual desenho levaria a um aperto adicional no crédito e no custo de vida. Na entrevista, a coordenadora projetou um cenário hipotético em que, sem correção de rumo, a taxa básica poderia sair do patamar atual de 13,75% para 18%, com o dólar próximo de 6 reais, conforme frase dita por ela: “o juro não vai ser 13,75%, vai ser 18% e o câmbio vai ser 6”.
O alerta sobre juros, dólar e supermercado
O eixo central da fala foi o bolso do consumidor, tema sensível nas feiras, mercadinhos e supermercados da Grande Natal e do interior, do Seridó ao Oeste, do Litoral Sul ao Vale do Açu. Na avaliação da entrevistada, o comprometimento da renda com parcelas já reduz o poder de compra e tende a se agravar:
- Juros e parcelas: de acordo com ela, encargos mais altos encarecem crediário, cartão e financiamento, drenando parte relevante do salário das famílias.
- Câmbio e preços: na visão apresentada, um dólar mais caro pressiona custos de alimentos, combustíveis e insumos importados que chegam às gôndolas potiguares.
- Carrinho mais leve: para resumir o diagnóstico, ela disse que o orçamento doméstico já sente o aperto e usou a imagem de que “a dívida que já tá comendo uma parcela relevante do orçamento das famílias e o carrinho do supermercado que já tá vazio vai ficar mais vazio”.
- Contas públicas: ainda segundo a coordenadora, o endividamento do país é real e rebateu a ideia de que o diagnóstico seria falso, ao afirmar que “não é fake news” que as contas estejam pressionadas.
Em termos práticos, explicou ela, juro de dois dígitos mantém o crédito caro para quem precisa parcelar geladeira, material escolar ou conserto do carro em Natal, Mossoró e Caicó, enquanto a alta do dólar costuma aparecer no preço do pão, do óleo e da gasolina na BR-101 e na BR-304.
Plano defendido e recado ao Nordeste e ao RN
Na mesma conversa, a economista defendeu a proposta econômica do grupo político ao qual está vinculada e disse que uma virada na política monetária e fiscal poderia recolocar os juros em um dígito. Também criticou manifestações recentes do governo do presidente Lula sobre o estado das contas públicas, sempre na forma de posicionamento da entrevistada, sem apresentar novos documentos na pauta divulgada.
O recado com sotaque regional mirou diretamente o eleitor nordestino. Segundo o relato da entrevista, ela afirmou que a camada mais pobre sofre primeiro com a combinação de tributo e crédito caro e declarou: “Eles tentam enganar mais uma vez principalmente o povo nordestino e mais vulnerável”. Em outro trecho, acrescentou que, nesse arranjo, “os banqueiros vão ganhar dinheiro de qualquer jeito”.
Até a publicação desta matéria, o conteúdo divulgado reúne apenas a versão da coordenadora durante a entrevista à rádio natalense. Nenhum dado novo de arrecadação, de endividamento ou de projeção oficial foi anexado à pauta original, de modo que as cifras citadas devem ser lidas como avaliação da entrevistada, não como ato oficial.
O que acontece agora
O debate econômico deve ganhar corpo na campanha, com novos porta-vozes, números e contrapontos nos próximos dias. Para o leitor potiguar, a orientação prática é acompanhar as propostas registradas, comparar projeções com fontes oficiais e observar o efeito direto no cotidiano: parcela do cartão, preço da feira e custo do transporte. O espaço segue aberto para manifestações de outros agentes políticos e econômicos citados, e novas entrevistas devem detalhar quais medidas concretas comporiam a mudança de modelo defendida na 96FM.
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