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UFRN monitora lagoas da Grande Natal e acompanha presença de nitrito na água

Pesquisa da UFRN analisa água de lagoas da Grande Natal para acompanhar níveis de nitrito, orientar preservação e apoiar o saneamento na região metropolitana.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 24 de setembro de 2026 às 22:55 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

UFRN monitora lagoas da Grande Natal e acompanha presença de nitrito na água
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Novo Notícias

NATAL/RN — Um projeto de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Norte acompanha de perto a qualidade da água das lagoas da Região Metropolitana de Natal. Segundo o portal Novo Notícias, a partir de informações da Agecom/UFRN, o Laboratório de Toxicologia do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas, ligado ao Centro de Ciências da Saúde, detectou íons nitrito em amostras recolhidas nesses mananciais durante as atividades de 2026.

O trabalho não afirma que a água esteja imprópria para beber nem aponta perigo imediato para moradores e visitantes. De acordo com os pesquisadores, o achado funciona como um sinal de atenção: é preciso seguir medindo a concentração do composto e entender melhor as condições ambientais de cada ponto de coleta na Grande Natal.

Projeto coleta água no Norte e no Sul da Grande Natal

A iniciativa, intitulada Monitoramento de íons nitrito em águas de lagoas da região metropolitana de Natal, prossegue ao longo de 2026 com coletas periódicas. A coordenação é da professora Aline Schwarz, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas, que atua com toxicologia ambiental, qualidade da água, saúde pública e diálogo com comunidades.

Conforme relato divulgado pela universidade, a rotina prevê duas campanhas por ano, com amostras em pontos distribuídos nas duas faixas da região metropolitana:

  • 5 lagoas acompanhadas na zona Norte da Região Metropolitana de Natal;
  • 6 lagoas acompanhadas na zona Sul da Região Metropolitana de Natal;
  • Análises centralizadas no Laboratório de Toxicologia, no campus da UFRN, em Natal;
  • Comparação com a série reunida entre 2020 e 2025, para observar estabilidade, variação sazonal ou tendência de alta e queda.

"O nosso projeto vem em cima disso mesmo, vem em cima da qualidade da água. O foco são lagoas da Região Metropolitana de Natal", explicou a coordenadora Aline Schwarz, em declaração divulgada pela Agecom/UFRN.

Por que o nitrito importa para lagoas, torneiras e saúde

O nitrito é uma forma de nitrogênio que pode surgir na água por caminhos naturais ou por interferência humana. Entre as origens possíveis citadas pelos pesquisadores estão o despejo de esgoto doméstico, a decomposição de matéria orgânica e o escoamento de áreas com uso de fertilizantes nitrogenados.

Na prática potiguar, o tema toca diretamente a rotina da Grande Natal. Algumas lagoas monitoradas têm ligação com a rede de abastecimento, como Bonfim e Extremoz, cuja água bruta chega às casas pela torneira após tratamento. Outras, como Carcará e Pitangui, recebem banhistas, bares e passeios de pedalinho e movimentam o turismo local. Por isso, segundo a equipe, o acompanhamento serve de apoio para:

  • Fiscalização ambiental e planejamento urbano nos municípios da região;
  • Melhoria do saneamento, com atenção a fossas, ligações de esgoto e descarte de resíduos;
  • Educação ambiental, com divulgação de resultados em linguagem acessível;
  • Prevenção em saúde pública, ao identificar mudanças antes que virem problema maior.

Como referência sanitária, o projeto adota o limite máximo de 1 mg/L de nitrito para água destinada ao consumo humano. A universidade ressalta, porém, que esse parâmetro não deve ser aplicado de forma isolada às lagoas: a leitura correta depende da concentração medida, do tipo de corpo d'água, da finalidade de uso e do conjunto de exames físico-químicos e microbiológicos. A agência ambiental dos Estados Unidos também trata nitritos como contaminantes que exigem controle, por causa de efeitos possíveis à saúde, entre eles a cianose neonatal, conhecida como síndrome do bebê azul.

O que acontece agora

Até a publicação desta matéria, a orientação dos pesquisadores é manter a série histórica e ampliar a divulgação educativa, inclusive pela página pública do projeto, para que moradores, estudantes e gestores compreendam a situação de cada lagoa. Novos boletins devem detalhar números, unidades de medida, locais e datas de coleta, sempre com a avaliação técnica da equipe.

Para quem vive na Grande Natal, o recado é prático: não jogar lixo nas lagoas, fazer manutenção periódica de fossas em imóveis próximos aos mananciais, evitar lançamento irregular de esgoto e cobrar políticas de saneamento. A universidade destaca ainda a parceria com a Caern para cruzar dados da água bruta com a operação do abastecimento tratado. O trabalho está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para saúde e bem-estar e para água e saneamento, com foco em transformar relatório de laboratório em informação útil para a população potiguar.

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