Mossoró fica fora da Câmara Federal e Oeste perde espaço em Brasília
Mesmo com mais de 100 mil votos no candidato mais votado da cidade, Mossoró não elegeu deputado federal e seguirá sem representante direto na bancada do RN a partir de 2027.
Por Tribuna RN
Publicado em 05 de outubro de 2026 às 14:42 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Mossoró Notícias)

MOSSORÓ/RN — A segunda maior cidade do Rio Grande do Norte chegará a 2027 sem uma cadeira própria na Câmara dos Deputados. Segundo apuração divulgada após o primeiro turno, nenhum nome com base eleitoral em Mossoró conquistou uma das oito vagas destinadas à bancada potiguar em Brasília, frustrando a expectativa de retomada de espaço perdida desde 2022.
O último parlamentar com vínculo político direto com o município foi Beto Rosado, que não obteve a reeleição naquele pleito. Desde então, lideranças do Oeste potiguar vinham articulando a recomposição de uma voz mossoroense na Câmara, com candidaturas competitivas e campanhas concentradas na região. O resultado das urnas, porém, manteve o jejum por mais uma legislatura.
Votação expressiva não garantiu cadeira
O desempenho mais forte entre os mossoroenses foi o de Cabo Deyvison, que somou 100.795 votos em todo o Estado. De acordo com os dados apurados, ele terminou como o nono nome mais votado no Rio Grande do Norte, mas ficou na quarta posição dentro da própria legenda e permaneceu na suplência, sem alcançar uma das vagas pelo quociente partidário.
Os demais candidatos com atuação em Mossoró ficaram distantes da faixa de corte:
- Marleide Cunha (PT) — 11.928 votos, na 19ª colocação geral;
- Dani Ribeiro (União) — 5.735 votos, na 23ª posição;
- John Kenneth (Solidariedade) — 4.567 votos, na 24ª posição;
- Nagila Diniz (União) — 2.130 votos, na 30ª posição.
Os números mostram que, apesar da pulverização de candidaturas locais, a votação mossoroense se dividiu entre diferentes projetos e siglas, o que reduziu a chance de concentrar votos suficientes para puxar uma cadeira dentro das regras do sistema proporcional.
O peso do Oeste na bancada potiguar
Para o Oeste, a ausência de um deputado com domicílio político em Mossoró tem efeito prático. A bancada federal costuma ser a ponte para emendas, convênios e articulação de obras estruturantes, como adutoras no Alto Oeste, investimentos no porto de Areia Branca, na fruticultura do Vale do Açu e na infraestrutura urbana da capital do Oeste.
Sem um representante direto, a cidade dependerá da interlocução com parlamentares votados na região, mas eleitos com base em outras praças, além da bancada estadual na Assembleia Legislativa e da articulação da prefeitura com ministérios. Lideranças locais avaliam, segundo o debate pós-eleição, que a reorganização do campo mossoroense será decisiva para 2030, com menos fragmentação e alianças mais amplas no Oeste, no Vale do Açu e na região salineira.
O que acontece agora
A definição dos oito deputados federais do Rio Grande do Norte será formalizada com a diplomação e a posse em 2027. Até lá, os suplentes seguem na expectativa de eventuais convocações por licenças ou nomeações para cargos no Executivo, o que pode abrir brechas temporárias na bancada.
Para Mossoró, o desafio passa a ser manter a pauta do Oeste no Congresso mesmo sem voto próprio na Câmara, com agenda unificada em torno de segurança hídrica, BR-304, saúde regional e desenvolvimento do semiárido. Novos detalhes sobre a composição final da bancada e a suplência devem ser confirmados pela Justiça Eleitoral nos próximos dias.
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