Governo trava bets e manda 28 milhões de apostadores sacarem até segunda
Saldo parado em sites de apostas caiu de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,45 bilhão após medida provisória; resgate deve ser pedido até as 23h59 de segunda (5).
Por Tribuna RN
Publicado em 03 de outubro de 2026 às 14:16 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Mossoró Notícias)

NATAL/RN — As plataformas de apostas de quota fixa praticamente pararam de movimentar dinheiro no país após a medida provisória do governo federal que proibiu a atividade. Segundo balanço apresentado nesta sexta-feira (2) pelos ministérios da Fazenda e da Justiça e Segurança Pública, o montante guardado pelos usuários nos sites recuou 31% desde 26 de setembro, passando de cerca de R$ 2,1 bilhões para R$ 1,453 bilhão. A queda de R$ 652,6 milhões reflete saques acelerados e a interrupção do fluxo diário, que antes superava R$ 600 milhões.
Para os apostadores potiguares, o recado é direto: quem ainda tem saldo nas plataformas precisa solicitar a retirada até as 23h59 de segunda-feira (5), último dia de funcionamento de sites e aplicativos autorizados a operar a devolução. Mesmo com a redução, ainda restam R$ 1,453 bilhão distribuídos em contas ligadas a 28,65 milhões de CPFs em todo o Brasil, incluindo milhares de contas no Rio Grande do Norte.
Quanto saiu das plataformas desde o bloqueio
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a operação diária das casas foi essencialmente travada após a edição da medida provisória. O diagnóstico oficial mostra um enxugamento rápido dos recursos mantidos nos ambientes virtuais, com milhões de usuários correndo para reaver os valores antes do desligamento.
- Recuo total: o saldo agregado caiu R$ 652,6 milhões em poucos dias, retração de 31% sobre o patamar anterior.
- Patamar atual: restam R$ 1,453 bilhão parados nas plataformas, ante R$ 2,1 bilhões registrados antes do dia 26 de setembro.
- Giro interrompido: a circulação diária, antes acima de R$ 600 milhões, foi praticamente zerada, segundo a Fazenda.
- Universo atingido: os recursos remanescentes estão pulverizados em contas vinculadas a 28,65 milhões de CPFs.
Na prática, o bloqueio atinge tanto apostadores eventuais, com saldos pequenos esquecidos nos aplicativos, quanto usuários frequentes das regiões metropolitanas de Natal e Mossoró, do Seridó ao Alto Oeste. A orientação do governo é não deixar a solicitação para a última hora, diante do risco de instabilidade nos canais de atendimento.
Contas sob suspeita e ofensiva contra sites ilegais
Segundo o Ministério da Fazenda, a fiscalização identificou 48 contas com saldo superior a R$ 500 mil. Esses casos passarão por análise individual e poderão ser encaminhados para investigação caso surjam indícios de irregularidade, como lavagem de dinheiro ou operação clandestina.
- Contas em pente-fino: 48 titulares com mais de meio milhão de reais cada terão a movimentação examinada separadamente.
- Bloqueio de domínios: entre 25 de setembro e 1º de outubro, 10.435 endereços ilegais foram enviados para bloqueio pela Agência Nacional de Telecomunicações.
- Histórico de derrubadas: o Ministério da Justiça informou que aproximadamente 78 mil páginas já haviam sido retiradas do ar em ações anteriores.
- Cerco ampliado: o monitoramento passou a alcançar também as empresas mantenedoras das plataformas e as instituições que processam os pagamentos, com possibilidade de bloqueio de contas em operações ilícitas, nos termos da lei.
A ofensiva mira o ecossistema que sustentava o mercado irregular, de portais espelhados a intermediadores financeiros. Para o RN, onde proliferaram anúncios agressivos de apostas em redes sociais e em transmissões esportivas, a expectativa é de redução da exposição de jovens e de famílias vulneráveis ao endividamento.
O que acontece agora
O cronograma oficial prevê que os pedidos de saque sejam feitos até a noite de segunda-feira (5). Entre os dias 7 e 8 de outubro, as empresas deverão informar aos bancos os saldos remanescentes de cada cliente. A devolução está programada para o intervalo de 9 a 14 de outubro. Se os valores não forem restituídos nesse período, o montante será transferido para a Caixa Econômica Federal, que assumirá a tarefa de ressarcir os titulares.
A recomendação para o apostador potiguar é guardar comprovantes da solicitação, acompanhar o extrato bancário nos dias seguintes e buscar os canais oficiais da Fazenda em caso de divergência. Novos balanços devem ser divulgados pelos ministérios ao longo da próxima semana.
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