MPF no RN investiga venda irregular de Mounjaro em redes sociais e sites
Inquérito civil apura oferta do medicamento sem receita e com propaganda estética. Órgão quer identificar vendedores e cortar a cadeia de fornecimento no ambiente digital.
Por Tribuna RN
Publicado em 12 de outubro de 2026 às 19:58 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — O Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte abriu na última sexta-feira (9) um inquérito civil para apurar a venda irregular do medicamento Mounjaro, à base de tirzepatida, em plataformas digitais e redes sociais. Segundo o órgão, a comercialização ocorria sem exigência de receita médica e acompanhada de anúncios que estimulavam o uso apenas para emagrecimento rápido e fins estéticos. O procedimento vai mapear perfis, lojas virtuais e fornecedores que atuam no estado.
A medida partiu da conversão de uma notícia de fato em investigação formal, seguindo as diretrizes do Conselho Nacional do Ministério Público. Até a publicação desta matéria, as diligências iniciais buscavam identificar os responsáveis pelos anúncios e a origem dos produtos oferecidos pela internet a potiguares.
Remédio sob controle e risco à saúde
De acordo com o MPF, a tirzepatida age sobre hormônios ligados ao controle da glicose e do apetite e exige prescrição individual, acompanhamento profissional e vigilância sobre reações adversas. O uso fora de indicação, sem avaliação clínica, pode provocar complicações metabólicas e gastrointestinais severas.
- Princípio ativo: tirzepatida, indicada para quadros específicos com orientação médica.
- Exigência legal: retenção de receita e dispensação em estabelecimento regularizado.
- Acompanhamento: avaliação periódica por profissional de saúde para ajuste de dose.
- Perigo do uso improvisado: enjoo intenso, desidratação, descontrole glicêmico e interações com outros remédios.
- Órgão de controle: Agência Nacional de Vigilância Sanitária define regras de venda e propaganda.
Para o leitor potiguar, o alerta é direto: ofertas que prometem entrega rápida em Natal, Mossoró, Caicó ou pelo interior sem pedir receita desrespeitam as normas sanitárias. Profissionais de saúde da rede pública e privada reforçam que nenhum tratamento para perda de peso deve começar por anúncio de rede social.
Venda sem receita e propaganda irregular na mira
O foco da apuração está em dois pontos centrais: a dispensa clandestina do fármaco injetável e a publicidade que o apresenta como solução estética imediata. Ainda segundo o MPF, essa combinação viola normas da Anvisa e pode configurar infrações sanitárias, além de possíveis crimes contra a saúde pública e as relações de consumo, a depender do que for comprovado para cada vendedor.
- Canais investigados: lojas virtuais, perfis em redes sociais e aplicativos de mensagens.
- Prática apontada: entrega sem conferência de prescrição médica válida.
- Publicidade questionada: peças que destacam emagrecimento acelerado sem alertar para riscos.
- Cadeia de fornecimento: apuração sobre importação, armazenamento e transporte sem controle.
- Desdobramento possível: medidas administrativas e judiciais para retirar anúncios do ar.
A investigação também pretende distinguir o comércio eventual da atuação organizada. Quando há estoque, divisão de tarefas e alcance em várias cidades do RN, cresce a suspeita de esquema estruturado, o que pode agravar as consequências para os envolvidos.
Segundo o Ministério Público Federal, o objetivo imediato é interromper a oferta ilegal no ambiente virtual e responsabilizar quem lucra com a exposição de consumidores ao risco sanitário.
O que acontece agora
O inquérito civil segue com diligências para identificar titulares de páginas, responsáveis financeiros e fornecedores das canetas em circulação no Rio Grande do Norte. A partir das provas reunidas, o MPF poderá recomendar ajustes, firmar acordos ou acionar a Justiça para bloquear vendas, aplicar sanções e determinar a retirada de conteúdos.
Para a população, a orientação é comprar medicamentos somente em farmácias regularizadas, exigir nota fiscal, desconfiar de preços muito abaixo do mercado e nunca usar produto injetável sem prescrição. Denúncias sobre anúncios suspeitos podem ser feitas aos canais oficiais do MPF e à Vigilância Sanitária do município. Novos detalhes devem ser divulgados pelo órgão ministerial conforme a apuração avançar.
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