Esquema de bets com base em Bodó devolve R$ 1,4 milhão aos cofres públicos
Acordo do MPRN com três investigados da Operação Conto da Sorte prevê pagamento, perda de bens e programa de conformidade. Apuração sobre loteria irregular continua no RN.
Por Tribuna RN
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 19:18 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

BODÓ/RN — O Parquet potiguar garantiu o retorno de aproximadamente R$ 1,4 milhão em valores ligados a um arranjo de palpites eletrônicos sem licença, ancorado na loteria da cidade de Bodó, no Seridó. A cifra foi fechada num pacto de ANPP costurado pelo Gaeco com três averiguados da ofensiva batizada de Conto da Sorte, que teve suporte do Fisco federal e de tropas de outras unidades da federação. Na nota oficial, o MPRN ressalta que o feito contra os demais citados prossegue.
Pacto com admissão e ressarcimento
Na versão do órgão, o trio de pactuantes reconheceu por escrito os atos examinados no feito ministerial. Pelo documento chancelado, o grupo vai quitar duzentos mil reais de modo fracionado e atrelado ao cumprimento da execução, montante repartido meio a meio entre o Fisco e a pasta da Fazenda. Somou-se a isso a renúncia em definitivo de um vírgula dois milhão, tido como ganho presumido do negócio, em prol do erário estadual.
O ajuste traz ainda uma obrigação de governança: as firmas do conglomerado terão seis meses para exibir um sistema interno de integridade, com normas de fiscalização e freios contra reincidência. Para os promotores do núcleo especializado, o objetivo passa por impedir repetição e conferir rastro a fluxos que antes giravam em sociedades de papel.
- Cifra recomposta: aproximadamente R$ 1,4 milhão revertidos ao poder público
- Desembolso fracionado: duzentos mil reais, meio a meio entre Fisco e Fazenda
- Renúncia consolidada: um vírgula dois milhão de ganho presumido, para o Estado
- Compromisso de integridade: seis meses para exibir sistema interno de controle
Engrenagem espalhada por quatro estados
A Conto da Sorte mobilizou buscas ao mesmo tempo em Pernambuco, São Paulo e Ceará para colher indícios sobre a venda sem aval de palpites de cota fixa e jogatina digital, os populares bets. O trabalho nasceu de leitura técnica da área federal de apostas ligada à Fazenda (SPA), com reforço de auditores federais, dos Parquets das três unidades e das respectivas tropas.
Na narrativa dos apuradores, a âncora do arranjo atendia pelo nome de Lotseridó, serviço criado em Bodó, de onde partiam portais de jogatina sem amparo normativo. Para fisgar usuários, os operadores teriam devassado plataformas de repartições e embutido roteiros em portais bem avaliados, até com sufixos oficiais de governo e ensino, forjando indexadores que levavam buscadores e visitantes a domínios clandestinos de cara confiável.
O sumiço do dinheiro corria numa malha de sociedades apresentadas como pontes de pagamento ou retaguarda operacional. Na descrição do Gaeco, tais firmas figuravam em nome de testas de ferro — gente humilde, público de auxílio social e familiares dos mentores — ao passo que os chefes seguravam as contas via mandatos em cartório. O mapeamento flagrou locais fictícios, compartimentos ociosos e sedes virtuais, com duas dezenas mais uma de pessoas jurídicas fincadas num mesmo ponto fantasma bodocense, parte delas ainda girando cifras após a baixa formal no cadastro federal.
- Base seridoense: loteria bodocense empregada como verniz para jogatina online
- Armadilhas virtuais: devassa de plataformas e roteiros em portais oficiais
- Malha de papel: sociedades em testa de ferro sob comando por mandato
- Ponto fictício: duas dezenas mais uma de firmas no mesmo endereço inexistente
- Condutas em exame: branqueamento de capitais, jogatina sem aval, bando e lesão ao consumo
O que acontece agora
O acordo se aplica apenas à parcela dos investigados que aderiu ao termo, e o procedimento segue em relação aos demais nomes citados na apuração. Até a publicação desta matéria, o MPRN informou que novas medidas podem ser adotadas conforme a análise de documentos, quebras de sigilo e perícias em equipamentos recolhidos nos três estados alcançados pela operação.
Para o leitor potiguar, o recado é direto: desconfie de links de apostas que chegam por buscadores ou redes com promessa de ganho rápido, confira se a operadora tem autorização federal e nunca informe dados bancários em páginas acessadas por atalhos suspeitos. O caso permanece sob acompanhamento do Gaeco, e novos desdobramentos devem ser comunicados pelos canais oficiais do Ministério Público.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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