Operação Primavera prende suspeita de vender imóvel bloqueado pela Justiça
Polícia Civil do RN prendeu em Arapiraca uma mulher investigada por vender imóvel sob indisponibilidade judicial em esquema de lavagem de dinheiro; dois suspeitos seguem foragidos.
Por Tribuna RN
Publicado em 08 de outubro de 2026 às 16:16 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — A Polícia Civil potiguar prendeu de forma preventiva, no âmbito da Operação Primavera, uma mulher indicada como titular de um imóvel que havia sido declarado indisponível pela Justiça e teria sido negociado mesmo assim. A captura aconteceu em Arapiraca, no Agreste alagoano, em ação conjunta com as forças de segurança daquele estado. Conforme os investigadores, a suspeita responde por indícios de branqueamento de capitais e ocultação de bens.
Conforme a corporação, o caso envolve integrantes de um mesmo núcleo familiar e também apura suspeitas de tráfico de entorpecentes. Além da presa, o Judiciário ordenou a captura de outros dois investigados — José Erivaldo da Paz e Bruna Souza Menezes —, ambos originários de Arapiraca e considerados foragidos até a publicação desta matéria.
O que a Operação Primavera apura
Conforme divulgado pelos investigadores, o imóvel constava cadastrado em nome da detida e já figurava com restrição de indisponibilidade imposta por decisão judicial, ou seja, não poderia ser transferido. Para os investigadores, a negociação posterior sugere manobra para disfarçar a titularidade de bens e dificultar o alcance da Justiça sobre o patrimônio do grupo.
Os eixos da apuração, conforme divulgado pela corporação, são:
- Negociação de bem indisponível: venda de imóvel com restrição judicial vigente, em nome da investigada;
- Branqueamento de capitais e ocultação de bens: suspeita de dissimular origem e posse de valores e patrimônio;
- Tráfico de drogas: linha complementar que envolve o núcleo familiar investigado;
- Possível ligação com homicídios: um dos foragidos também é verificado por suposto envolvimento em mortes, segundo a polícia;
- Medidas cautelares amplas: buscas, quebra de sigilos, bloqueio de ativos, indisponibilidade de imóveis e sequestro de veículos.
A operação mobilizou mandados cumpridos em Alagoas a partir de investigações conduzidas no Rio Grande do Norte, mostrando a ramificação interestadual do caso entre o Nordeste potiguar e o Agreste alagoano.
Foragidos, medidas judiciais e como colaborar
Conforme a polícia, José Erivaldo da Paz e Bruna Souza Menezes tiveram a prisão preventiva decretada e seguem procurados. Os dois são naturais de Arapiraca, onde a operação concentrou as diligências desta etapa. Qualquer informação sobre o paradeiro deles pode ser repassada de forma anônima ao Disque Denúncia 181, sem necessidade de identificação do colaborador.
Antes mesmo das prisões, o Judiciário já havia autorizado um pacote de providências para descapitalizar o esquema e preservar provas, incluindo:
- Mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados;
- Afastamento de sigilos bancário e fiscal dos alvos;
- Bloqueio de contas e ativos e sequestro de veículos;
- Indisponibilidade de imóveis para impedir novas transferências.
Para o leitor potiguar, o recado prático é direto: negócios envolvendo imóveis com restrição judicial podem ser anulados e ainda gerar responsabilização criminal para quem vende e para quem compra de má-fé. A consulta da matrícula atualizada no cartório de registro de imóveis, antes de fechar qualquer negócio, é a forma mais simples de evitar prejuízo — orientação repetida por advogados e corretores a cada operação desse tipo no estado.
O que acontece agora
O inquérito segue em andamento na Polícia Civil do Rio Grande do Norte, com oitivas, análise do material apreendido e tentativa de localizar os dois foragidos. A presa permanece à disposição da Justiça e deve passar por audiência de custódia, seguindo o rito processual. O Ministério Público acompanha os desdobramentos para eventual oferecimento de denúncia. Até a publicação desta matéria, a corporação informou que novas fases não estão descartadas, e detalhes adicionais serão divulgados pelos canais oficiais sem comprometer as diligências em curso.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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