Idosos devem emagrecer sem perder massa muscular, alerta geriatra em congresso
Especialista defende meta de 5% a 10% do peso com musculação, proteína e acompanhamento médico para evitar fragilidade e efeito sanfona na terceira idade.
Por Tribuna RN
Publicado em 26 de setembro de 2026 às 19:20 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

NATAL/RN — Perder peso na balança nem sempre significa ganhar saúde depois dos 65 anos. O alerta foi feito pelo médico Nelson Iucif Júnior, especialista em Geriatria e Nutrologia e responsável pelo Departamento de Geriatria da Associação Brasileira de Nutrologia, durante o XXX Congresso Brasileiro de Nutrologia, o CBN 2026, que se encerra neste sábado, dia 26, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Segundo o especialista, o objetivo do tratamento da obesidade em idosos deve ser melhorar a composição corporal e a condição metabólica, e não perseguir o chamado peso ideal a qualquer custo.
O congresso reúne mais de 3,5 mil profissionais para debater novas terapias para obesidade, preservação da musculatura no emagrecimento e envelhecimento saudável. Para a realidade potiguar, onde cresce o número de idosos acompanhados em unidades básicas de saúde de Natal, Mossoró e Caicó, a mensagem é direta: emagrecer sem proteger o músculo pode aumentar a fragilidade, o risco de queda e a dependência funcional.
Por que o músculo importa mais que a balança
De acordo com o médico, toda perda de peso carrega uma parcela de perda muscular. Em pessoas mais velhas, que já apresentam redução natural de massa magra, esse processo pode piorar a composição corporal em vez de melhorar. Em entrevista citada pela Tribuna do Norte, ele afirmou que, sem cuidado, o tratamento pode provocar uma espécie de dano involuntário, com o paciente mais leve, porém mais fraco e com mais gordura proporcional.
- Foco correto: reduzir gordura corporal e preservar músculo, com melhora dos exames metabólicos.
- Meta realista: perda de 5% a no máximo 10% do peso inicial, desde que acompanhada de menos gordura e manutenção da musculatura.
- Exercício prioritário: treino de resistência, como musculação com carga adequada, para estimular a síntese muscular.
- Complemento aeróbico: caminhada e outras atividades aeróbicas ajudam no condicionamento, mas não substituem o treino de força.
- Alimentação ajustada: com menos comida no prato, é preciso garantir proteína suficiente, além de vitaminas e minerais, para evitar desnutrição.
O especialista destacou ainda que não é necessário buscar perdas grandes, de 20, 30 ou 40 quilos, na terceira idade. O ganho está em levar o idoso para a melhor condição metabólica possível, com autonomia para as tarefas do dia a dia no bairro, na feira e em casa.
Canetas emagrecedoras e efeito sanfona exigem cuidado
Outro tema abordado no CBN 2026 foi o uso dos agonistas de GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras, em pacientes acima de 65 anos. Segundo o geriatra, esses medicamentos podem ser utilizados por idosos, mas sempre com acompanhamento próximo. O motivo é que, após a suspensão, pode ocorrer reganho de peso com piora da composição corporal, com aumento proporcionalmente maior de gordura do que de músculo.
- Uso permitido com supervisão: avaliação médica contínua antes, durante e após o tratamento.
- Risco do abandono: interromper por conta própria eleva a chance de recuperar os quilos perdidos.
- Efeito sanfona: ciclos repetidos de perder e ganhar peso são especialmente prejudiciais ao idoso.
- Monitoramento: o paciente precisa ser acompanhado ao longo do tempo para detectar sinais precoces de reganho.
- Decisão individual: dose, duração e associação com treino e dieta devem ser definidas caso a caso.
O alerta vale para potiguares que buscam o medicamento em clínicas particulares ou pelo acompanhamento em serviços de saúde da Grande Natal e do interior. Sem musculação e sem plano alimentar, o número menor na balança pode esconder um corpo mais frágil.
Obesidade e desnutrição podem andar juntas
Um dos pontos que mais chamou a atenção no congresso foi a coexistência de excesso de peso e carência de nutrientes. Segundo o especialista, um idoso pode consumir muitas calorias e, ao mesmo tempo, ingerir poucas proteínas, vitaminas e minerais, quadro que favorece anemia, perda muscular e sarcopenia.
Eu já vi obeso anêmico, relatou o médico, ao explicar que volume de comida não é garantia de nutrição adequada.
Para famílias do Rio Grande do Norte, o recado prático é observar a qualidade do prato, e não apenas a quantidade. Arroz, feijão, carne, ovos, leite, frutas e verduras seguem como base, com orientação profissional para ajustar porções à condição de cada idoso. Em caso de dificuldade de mastigação, falta de apetite ou perda de força, a recomendação é buscar avaliação em unidade de saúde antes de iniciar dieta restritiva.
Conclusão
A mensagem central do CBN 2026 para a terceira idade é trocar a obsessão pela balança por um plano de composição corporal: menos gordura, mais músculo e exames melhores, com meta modesta de peso e rotina de força e proteína. Até a publicação desta matéria, o congresso seguia com debates sobre terapias, sono e atividade física para o envelhecimento saudável. A orientação é que idosos potiguares procurem médico, nutricionista e educador físico nos serviços públicos ou privados e evitem dietas radicais ou medicamentos sem prescrição. Novos consensos do evento devem ser divulgados pela Associação Brasileira de Nutrologia nos próximos dias.
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