Potiguar Lito Sousa morre aos 59 anos e deixa legado na aviação brasileira
Criador do canal Aviões e Músicas, nascido em Natal, morreu em São Paulo após diagnóstico de doença neurodegenerativa rara; aeroporto potiguar prestou homenagem.
Por Tribuna RN
Publicado em 01 de outubro de 2026 às 23:58 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

NATAL/RN — O especialista em aviação e produtor de conteúdo Lito Sousa, nascido em Natal, morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, em São Paulo. A informação foi confirmada pela família e pelo hospital onde ele estava internado na capital paulista, segundo apuração do G1 RN. A trajetória do potiguar, que transformou conhecimento técnico em vídeos populares na internet, ganhou homenagens no Rio Grande do Norte, incluindo nota da administradora do Aeroporto de Natal.
Lito comandava o canal Aviões e Músicas, com milhões de inscritos, e costumava lembrar a infância no Nordeste ao explicar como surgiu o fascínio por aeronaves. Ele relatava ter nascido na capital potiguar no fim dos anos 1960, período em que o país acompanhava a corrida espacial, e associava esse contexto à curiosidade que o acompanhou pela vida.
Trajetória do potiguar entre hangares e internet
Joselito Geraldo de Sousa, nome de registro do comunicador, construiu carreira longa na manutenção aeronáutica antes de migrar para a produção de vídeos. De acordo com o perfil divulgado pela imprensa, ele acumulou mais de três décadas de atuação no setor e passou por companhias tradicionais da aviação comercial, entre elas empresas brasileiras e uma norte-americana.
Pontos centrais da carreira, segundo as informações reunidas pelo G1 RN:
- Manutenção como escola: trabalhou por anos com revisão e suporte técnico de aeronaves, base que deu autoridade aos vídeos explicativos.
- Migração para o vídeo: transformou temas complexos — turbulência, procedimentos de emergência, investigação de acidentes — em linguagem direta para o público leigo.
- Alcance nacional: o canal ultrapassou a marca de 3,5 milhões de inscritos, com audiência formada por profissionais do setor e curiosos.
- Realização tardia: obteve a habilitação como piloto em 2021, após décadas como mecânico e estudioso do setor.
Em entrevistas, Lito contava que os pais eram paraibanos e que a família transitava entre o sertão da Paraíba e o interior potiguar. Ele dizia ter nascido em Natal e deixado a cidade ainda bebê, seguindo para uma localidade do interior que ele chamava de Baixa Verde. A referência, como observou o G1 RN, pode remeter a João Câmara, no Agreste, município que carregou esse nome até 1953 e ainda é lembrado assim por moradores antigos — embora não haja confirmação de que se trate do mesmo lugar citado por ele.
Outra memória recorrente era a proximidade simbólica com a Barreira do Inferno, em Parnamirim, na Grande Natal. O centro de lançamentos, um dos marcos científicos do estado, aparecia nas histórias como metáfora do destino: nascer perto de uma base de foguetes e dedicar a vida aos céus.
"Enquanto o homem se preparava para ir à Lua, no fim dos anos 60, eu estava me preparando para vir à terra e nasci pertinho de uma base de foguetes lá no Rio Grande do Norte", contou o comunicador em um dos vídeos recuperados pela imprensa.
Doença rara, internação e homenagens no RN
Em agosto deste ano, Lito revelou ter recebido diagnóstico de doença de Creutzfeldt-Jakob, enfermidade neurodegenerativa rara, progressiva e sem cura conhecida. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Ainda segundo o noticiário, ele havia tratado um câncer de próstata diagnosticado em julho. Ele deixa a esposa, Mila Seidl, e um filho de 7 anos.
Dados citados na cobertura ajudam a dimensionar a raridade do quadro:
- Casos em São Paulo: pouco mais de 200 registros de Creutzfeldt-Jakob no estado, líder nacional no levantamento mencionado.
- Casos no Brasil: 547 ocorrências em 16 anos, o que reforça o caráter excepcional do diagnóstico.
- Evolução rápida: a condição costuma avançar com deterioração neurológica acelerada, exigindo cuidado hospitalar intensivo.
No Rio Grande do Norte, a morte repercutiu de forma imediata. Em nota, a Zurich Airport Brasil, concessionária do Aeroporto de Natal, afirmou que o comunicador democratizou o conhecimento sobre o setor aéreo para milhões de brasileiros, com abordagem didática e apaixonada. A empresa disse que ele terá lugar permanente na memória de quem acompanha a aviação.
Conclusão
A partida do potiguar encerra uma trajetória que uniu sertão, pista e tela: do nascimento em Natal à consolidação como um dos divulgadores mais populares da aviação no país. Para o leitor do RN, fica o vínculo local — da Barreira do Inferno, em Parnamirim, às lembranças do interior do Agreste — e a lição de transformar saber técnico em serviço público de informação. Até a publicação desta matéria, não havia divulgação sobre velório e homenagens da família; novos detalhes devem ser informados pelos canais oficiais.
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