Natal vende 78% mais imóveis e metro quadrado chega a R$ 9,7 mil
Capital potiguar negociou 1.720 apartamentos em 12 meses, com VGV de R$ 931 milhões, e setor acompanha juros, crédito e eleições para manter lançamentos.
Por Tribuna RN
Publicado em 01 de outubro de 2026 às 13:41 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — O mercado de apartamentos em Natal fechou os 12 meses encerrados em junho com 1.720 unidades comercializadas, volume 78% superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025. O levantamento foi produzido pela Brain Inteligência de Mercado a pedido do Sinduscon-RN e do Sebrae-RN e aponta ainda 1.596 unidades lançadas no período, expansão de 34%. Para quem vive na Grande Natal, o dado sinaliza mais oferta, mais obra e mais movimento em bairros como Ponta Negra, Zona Sul e Eixo do Prolongamento da Prudente de Morais.
O desempenho encerra um ciclo de anos com poucos lançamentos na capital e abre o último trimestre de 2026 com expectativa de continuidade, desde que o custo do financiamento e a previsibilidade econômica ajudem, segundo avaliação do setor.
Vendas, valores e comparação com o Nordeste
Os números financeiros acompanharam a retomada. De acordo com o estudo, o Valor Geral de Vendas dos residenciais verticais somou R$ 931 milhões, frente a R$ 671 milhões um ano antes, crescimento de 22%. O metro quadrado médio subiu de R$ 8.353 para R$ 9.780, valorização de 17% em 12 meses.
- Unidades vendidas: 1.720 em 12 meses até junho, com avanço de 78% sobre 2025
- Unidades lançadas: 1.596 no mesmo recorte, com crescimento de 34%
- Movimento financeiro: R$ 931 milhões em VGV, contra R$ 671 milhões no ciclo anterior
- Preço médio: R$ 9.780 por metro quadrado, após alta de 17%
- Termômetro regional: João Pessoa marcou R$ 13.915, Fortaleza R$ 11.977, Salvador R$ 11.492 e Recife R$ 11.240
"Os números mostram que Natal vem consolidando uma trajetória de crescimento, com aumento expressivo nas vendas e valorização dos imóveis", avaliou Francisco Ramos, vice-presidente de Mercado Imobiliário do Sinduscon-RN, ao comentar o levantamento.
Na leitura do setor, a diferença de preço em relação às vizinhas mantém a capital potiguar no radar de compradores locais e de investidores de fora, sobretudo no médio e alto padrão. O empresário Valdomiro Júnior, diretor da Emobi Imobiliária, citou Ponta Negra como exemplo dessa volta e relacionou o movimento à revisão do Plano Diretor, que teria devolvido segurança para projetar e lançar.
"Imóvel é uma decisão de longo prazo, tanto para quem compra quanto para quem constrói. Um empreendimento leva anos entre o lançamento e a entrega, então o mercado precisa de regras claras e de previsibilidade para continuar investindo", afirmou Valdomiro Júnior.
Crédito, Minha Casa Minha Vida e o efeito eleição
O ponto de atenção, segundo o empresário, é o bolso de quem financia. A avaliação é que juros menores destravariam famílias que hoje aguardam condição melhor para assinar contrato. O diagnóstico conversa com o cenário nacional apurado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção: o país vendeu 226.536 moradias novas no primeiro semestre, alta de 5,4%, enquanto o Nordeste cresceu 13,6% nas vendas do segundo trimestre e 24,6% nos lançamentos, sempre na comparação com 2025.
- Crédito como chave: custo do financiamento define a entrada de novas famílias no mercado
- Programa federal: o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 60% dos lançamentos no Nordeste e 58% no Brasil no segundo trimestre
- Nova faixa: em 2026 o programa passou a incluir renda mensal de até R$ 13 mil, com teto de R$ 600 mil na linha de classe média
- Cidade como ativo: urbanização, revitalização da orla e a expectativa do Parque Linear são vistos como vetores de valorização
"Os juros e o crédito são determinantes. É isso que define se a família consegue ou não entrar no financiamento", afirmou Valdomiro Júnior, ao projetar que a continuidade da queda poderia trazer de volta parte da demanda represada.
Sobre o calendário eleitoral, a análise apresentada é que o morador segue comprando porque a necessidade da família não pausa, enquanto parte dos investidores prefere aguardar definições antes de decidir. A expressão usada foi a de adiamento, e não de desistência.
Conclusão
A combinação de demanda represada, volta dos lançamentos, crédito e obras urbanas vai dizer se Natal vive apenas uma recuperação ou a abertura de um ciclo mais longo de expansão. Até a publicação desta matéria, o setor tratava o pós-eleição como variável de previsibilidade, e não de ruptura. Novos balanços da Brain, do Sinduscon-RN e da CBIC devem detalhar nos próximos meses o ritmo de vendas, o estoque e o comportamento dos preços por região da capital potiguar.
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