Petistas do RN acionam PGR contra Flávio Bolsonaro e Meta na véspera do voto
Natália Bonavides e Daniel Valença protocolaram notícia de fato na PGR citando suposta ingerência externa e moderação de redes na reta final da eleição presidencial.
Por Tribuna RN
Publicado em 03 de outubro de 2026 às 21:55 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — A véspera do primeiro turno ganhou um capítulo jurídico com sotaque potiguar. A deputada federal Natália Bonavides e o vereador de Natal Daniel Valença, ambos do PT, protocolaram neste sábado (3) uma notícia de fato na Procuradoria-Geral da República pedindo a apuração de uma suposta interferência estrangeira na disputa presidencial. O documento cita o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Palácio do Planalto, e a Meta Platforms, dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp. Até a publicação desta matéria, não havia decisão da PGR sobre o pedido, que tramita como representação inicial.
O movimento parte de dois mandatos com base na capital potiguar e mira o centro da corrida nacional, decidida nas urnas neste domingo (4). Na peça, os parlamentares sustentam, em tese, que uma sequência de episódios envolvendo dinheiro externo, articulação política fora do país e decisões de moderação nas plataformas formaria um padrão com potencial de desequilibrar a campanha. Todas as afirmações são atribuídas pelos autores à própria representação e ainda dependem de verificação oficial.
O que a representação alega
De acordo com o relato divulgado pelo portal NOVO Notícias, a notícia de fato organiza os questionamentos em três frentes principais, sempre no campo das suposições levadas à PGR para apuração:
- Recurso internacional: a peça menciona reportagem do jornal britânico The Guardian sobre um repasse governamental de US$ 1 milhão, atribuído à gestão de Donald Trump, destinado ao projeto "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil", que apoiaria grupos críticos ao Supremo Tribunal Federal. Segundo os autores, o tema já motivou manifestações anteriores da Advocacia-Geral da União e da própria PGR sobre risco de ingerência externa.
- Vínculo com rede estrangeira: o texto afirma que haveria laços entre a campanha de Flávio Bolsonaro e a Rockbridge Network, rede conservadora norte-americana fundada por J.D. Vance. Na leitura dos representantes, consultorias prestadas por empresários ligados ao grupo configurariam, em tese, captação proibida de recursos e serviços de origem externa pela legislação eleitoral.
- Moderação nas plataformas: os petistas questionam ainda intervenções da Meta na reta final. A representação cita a remoção do perfil da série "Revelando o Brasil", apresentada por Fábio Porchat, cujo episódio relacionava a campanha do PL ao Banco Master, além da suspensão temporária da ferramenta de anúncios da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a dez dias do primeiro turno. O documento menciona também impulsionamento pago de conteúdos por influenciadores alinhados à direita norte-americana, como Matt Gaetz, com suposta vantagem do candidato do PL em plataformas de apostas.
Pedidos levados à Procuradoria
Ainda segundo a divulgação do caso, Natália e Daniel pediram à PGR a abertura formal de procedimento investigatório criminal, o depoimento do candidato citado, a requisição de documentos internacionais — incluindo relatórios encaminhados ao gabinete do Representante de Comércio dos Estados Unidos — e, ao final, a avaliação sobre eventual denúncia. O texto trata os citados como investigados em apuração preliminar, sem imputar culpa, e cabe agora ao Ministério Público Federal decidir se há elementos para diligências.
Procurada pelo noticiário local para comentar o protocolo, a campanha de Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado até a publicação desta matéria. A Meta tampouco havia divulgado posicionamento sobre os pontos de moderação citados. A Tribuna RN mantém o espaço aberto para as respostas dos mencionados.
O que acontece agora
O protocolo chega quando o país entra nas últimas horas antes da votação, e o calendário impõe cautela redobrada ao leitor potiguar. Representações à PGR não equivalem a investigação aberta nem a qualquer conclusão sobre irregularidades: são o ponto de partida para que procuradores avaliem indícios, peçam informações e decidam os próximos passos. Novos detalhes devem ser divulgados pelos órgãos oficiais, e o desfecho pode ficar para depois do primeiro turno, sem efeito automático sobre a votação deste domingo.
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