RN fica em 20º em eficiência e amarga 2ª pior educação do país, diz ranking
Ranking da Folha com o Datafolha coloca o RN em 20º lugar em eficiência, com nota 0,303. A educação ficou em 25º, enquanto a saúde teve o melhor desempenho do estado.
Por Tribuna RN
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 19:36 • 4 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

NATAL/RN — O Rio Grande do Norte terminou em 20º lugar entre 26 estados no Ranking de Eficiência dos Estados, elaborado pela Folha em parceria com o Datafolha e publicado em setembro de 2026. Com índice geral de 0,303, o estado ficou no grupo classificado como ineficiente e teve na educação o seu ponto mais fraco: nota 0,272 e 25ª posição, à frente apenas da Bahia.
O levantamento cruza indicadores de educação, saúde, infraestrutura, segurança pública e finanças com a receita disponível por habitante de cada estado. Educação e saúde têm peso dobrado na conta final. Pela régua adotada, índices gerais abaixo de 0,350 recebem o rótulo de ineficiente — faixa em que aparecem sete estados, incluindo o potiguar.
Onde o RN perdeu mais pontos
A comparação regional deixa o tamanho do desafio. O estado foi o penúltimo do Nordeste no índice geral, superando somente a Bahia, que ficou em 21º com 0,301. No outro extremo, o Ceará alcançou a vice-liderança nacional, com 0,665, e Piauí e Paraíba aparecem em 5º e 6º lugares. Pernambuco, Maranhão, Sergipe e Alagoas também terminaram à frente do RN, cuja nota ficou cerca de 34% abaixo da média nordestina, de 0,462.
- Nota geral do RN: 0,303, na 20ª posição entre 26 estados.
- Faixa de corte: abaixo de 0,350, o estado entra no grupo ineficiente.
- Contraste regional: Ceará em 2º lugar mesmo com a menor receita corrente líquida por habitante do país, segundo destaque da Folha.
- Peso decisivo: educação e saúde valem o dobro das demais áreas no cálculo.
A metodologia ajuda a entender por que a educação derrubou a média potiguar. O componente educacional não olha só para nota de prova: considera frequência escolar de crianças e adolescentes, ingresso no ensino superior estadual por habitante, abandono no ensino médio da rede estadual e o desempenho em língua portuguesa e matemática no Saeb.
Educação em 25º lugar, com Bahia logo atrás
Na dimensão da educação, o RN somou 0,272 e parou na penúltima colocação. A Bahia fechou a lista, com 0,165. Entre os vizinhos que integram o grupo dos eficientes no índice geral, o Ceará foi o 3º em educação, o Piauí ficou em 6º e a Paraíba, em 13º.
Ao comentar os fatores associados à eficiência na reportagem da Folha, o especialista em políticas educacionais Ivan Gontijo, do Todos pela Educação, destacou a importância de políticas mantidas ao longo do tempo e da cooperação com os municípios. Sobre o modelo cearense, resumiu:
"A lógica é de apoio estadual aos municípios."
A avaliação, feita na reportagem sobre o ranking, não é uma análise específica sobre o governo potiguar — e o próprio estudo reúne dados de 2022 a 2025, período que atravessa gestões e depende também de municípios e da União.
Saúde segura melhor marca; estradas e segurança ficam em 20º
Se a educação puxou a média para baixo, a saúde foi o contraponto. Com nota 0,538, a área alcançou o 12º lugar nacional — o melhor resultado do RN entre os serviços avaliados. O cálculo leva em conta cobertura da atenção primária, médicos e leitos do SUS por habitante e mortalidade infantil.
- Saúde: nota 0,538 e 12ª posição, a melhor do estado no ranking.
- Infraestrutura: nota 0,388 e 20º lugar, com água, esgoto e rodovias na conta.
- Segurança pública: nota 0,384 e 20ª posição, medida pela taxa de mortes violentas intencionais.
Nas rodovias, o retrato veio da Pesquisa CNT de 2025: dos 1.883 quilômetros avaliados no RN, 391 foram classificados como bons e nenhum trecho recebeu o conceito geral ótimo — ou seja, só 20,8% da malha examinada ficou nas duas melhores categorias. Na segurança, os números citados são do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: o estado registrou 1.007 mortes violentas intencionais em 2025, contra 840 em 2024, uma alta de 19,6%, a maior entre as unidades da Federação, enquanto o total nacional recuou 8,2%.
Finanças no topo não fecham a conta
O ponto fora da curva apareceu nas finanças: 4º lugar nacional, com nota 0,842. O componente, porém, tem alcance restrito — mede o comprometimento da receita com pessoal e a relação entre dívida consolidada líquida e receita, e não equivale a um atestado de contas equilibradas nem da qualidade dos serviços.
O próprio Relatório de Gestão Fiscal do Governo do RN mostra o limite dessa leitura. No fim de 2025, a despesa com pessoal do Executivo equivalia a 56,41% da receita corrente líquida ajustada, acima do limite geral de 49% da Lei de Responsabilidade Fiscal e do parâmetro transitório de 52,9% válido para o exercício — embora abaixo dos 57,56% registrados no fim de 2024.
Conclusão
O retrato da edição atual é direto: às vésperas do fim do segundo mandato da governadora Fátima Bezerra, o Rio Grande do Norte segue no grupo dos ineficientes, atrás de oito estados nordestinos e com a segunda pior educação do país em um dos quesitos de maior peso. O histórico dá contexto sem autorizar veredito isolado: em 2018, antes da atual gestão, o estado ocupava o 23º lugar, com 0,259 — três posições abaixo da atual —, mas o Datafolha alterou indicadores e faixas entre as edições. Até a publicação desta matéria, o governo estadual não havia detalhado medidas específicas a partir dos dados. Novos desdobramentos, incluindo eventuais respostas oficiais e a evolução dos indicadores de educação e segurança, devem aparecer nas próximas divulgações dos órgãos responsáveis.
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