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Pesquisadora da UFRN alerta para descaso com obesidade na atenção básica

Médica potiguar Maria Socorro Morais diz que remédios modernos seguem caros e restritos e defende equipe multi e SUS fortalecido; caso com perda de 36 kg mostra caminho possível.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 26 de setembro de 2026 às 16:22 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Tribuna do Norte)

Pesquisadora da UFRN alerta para descaso com obesidade na atenção básica
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Tribuna do Norte

NATAL/RN — A obesidade segue tratada como questão menor nos postos e unidades básicas de saúde, mesmo diante da oferta de terapias mais modernas. A avaliação é da médica nutróloga e ginecologista Maria Socorro Morais, docente, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Segundo ela, o país enfrenta uma pandemia de excesso de peso, mas o acesso às novidades permanece concentrado em quem pode pagar.

De acordo com a Tribuna do Norte, a especialista afirma que análogos e incretinas — hormônios intestinais que estimulam a insulina após as refeições e ajudam no controle da glicose — ainda custam caro e chegam a uma fatia privilegiada. A discussão sobre incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) avança, mas a ampliação concreta, na visão dela, deve ficar para o médio prazo.

Remédio caro, SUS em construção e prevenção diária

Socorro Morais, que também atua no Núcleo de Tecnologias Estratégicas Aplicadas à Saúde da Universidade Estadual da Paraíba e passou quase três décadas na Maternidade Escola Januário Cicco, na capital potiguar, vê o SUS como referência em construção permanente. O sistema, diz ela, precisa responder ao mesmo tempo ao envelhecimento da população, ao aumento da obesidade e à fila por cuidado contínuo.

Os gargalos apontados pela médica para a realidade de Natal, da Grande Natal e do interior do RN são:

  • Custo elevado: novas canetas e comprimidos para obesidade pesam no bolso e limitam a adesão;
  • Porta de entrada frágil: a atenção primária nem sempre enxerga a obesidade como doença crônica que exige plano de longo prazo;
  • Falta de rotina preventiva: faltam educação continuada, autocuidado orientado e informação acessível nas unidades;
  • Olhar além da balança: o foco não pode ser só o número do peso, mas adiposidade, massa magra e perfil metabólico.

Para ela, ginecologistas precisam estar prontos para conduzir esse cuidado, já que muitas mulheres têm a consulta ginecológica como principal contato com a rede. “Ao otimizar a saúde da mulher, impactamos positivamente o núcleo familiar”, afirma, ao defender que o hábito saudável da mãe tende a puxar o restante da casa.

Caso potiguar mostra virada com equipe completa

O argumento ganha força em um caso acompanhado pela equipe da médica. Uma paciente de 29 anos, com Síndrome dos Ovários Policísticos, gordura no fígado e desajustes metabólicos, passou por reprogramação metabólica, emocional e reprodutiva com time interdisciplinar, incluindo psicologia, nutrição e educação física.

O roteiro foi dividido em duas fases:

  • Primeiros seis meses: redução da gordura corporal, preservação de músculos e correção de carências de vitaminas e minerais;
  • Acompanhamento longo: ajustes de dieta, rotina de movimento e medicamentos em doses individualizadas, como metformina e agonistas de GLP-1, com participação ativa do marido.

Em 14 meses, segundo o relato, a paciente saiu de 110 kg para 74 kg, com melhora expressiva da composição corporal e do metabolismo. A mudança abriu caminho para planejar com segurança uma gestação desejada. A jovem virou corredora e trouxe o companheiro para a rotina ativa, exemplo citado pela médica para mostrar que constância e suporte familiar pesam tanto quanto a prescrição.

“Esse caso reforça que o sucesso vai além da perda numérica; trata-se de reduzir a adiposidade, melhorar o perfil metabólico e permitir um planejamento gestacional seguro”, conta a especialista, ao destacar educação contínua como pilar do resultado duradouro.

Conclusão

O alerta feito a partir de Natal vale para todo o Rio Grande do Norte: sem triagem atenta nos postos, sem equipe completa e sem acesso mais amplo a terapias eficazes, a obesidade seguirá lotando consultórios com complicações evitáveis. Até a publicação desta matéria, a incorporação plena dos novos fármacos ao SUS seguia em debate. A orientação prática é procurar a unidade básica de referência, pedir avaliação global e manter acompanhamento regular com profissionais habilitados.

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