Desabamento sem alvará em Portalegre termina com quatro indiciados por duas mortes
Polícia Civil conclui que marquise que caiu sobre dois clientes em Portalegre não tinha licença nem técnico responsável e indicia quatro pessoas por duplo homicídio culposo.
Por Tribuna RN
Publicado em 01 de outubro de 2026 às 12:36 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (G1 RN)

PORTALEGRE/RN — A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a queda de uma marquise que vitimou dois frequentadores de uma adega no Centro de Portalegre, no Alto Oeste potiguar, e apontou quatro pessoas como supostas responsáveis por duplo homicídio culposo. Segundo os investigadores, o imóvel passava por reforma sem autorização da Prefeitura, sem engenheiro ou técnico habilitado acompanhando o serviço e sem barreiras de proteção para quem circulava pela calçada.
A tragédia aconteceu em 23 de julho deste ano. As vítimas, José Janderson Alves da Silva, de 30 anos, e Wallison Faustino da Silva Rocha, de 35 anos, estavam como consumidores, acomodados em uma mesa na parte externa do comércio, quando a cobertura com revestimento metálico ruiu sobre eles. De acordo com a Polícia Militar, um empregado que atuava na obra escapou ileso. Bombeiros de Pau dos Ferros, policiais militares e equipes do Samu foram mobilizados, a área foi isolada para resgate e perícia e o fornecimento de energia no entorno precisou ser suspenso por segurança. Os dois homens não resistiram e tiveram os óbitos constatados ainda no cenário da ocorrência.
O que a perícia encontrou na obra irregular
Os laudos de engenharia e os exames realizados no ponto do colapso indicaram, conforme a Polícia Civil, uma soma de falhas que levou à ruptura da estrutura. A corporação sustenta que a execução desrespeitou padrões técnicos, ignorou regras básicas de segurança do trabalho e ainda sofreu influência de fatores climáticos no período.
Entre os pontos destacados pelos investigadores estão:
- Ausência de licença municipal: o serviço teria sido tocado sem alvará expedido pela Prefeitura de Portalegre;
- Falta de responsável habilitado: nenhum profissional com registro técnico acompanhava a intervenção, segundo o apurado;
- Isolamento precário: não havia tapumes nem sinalização suficientes para afastar clientes e pedestres da zona de risco;
- Documentação confrontada: agentes colheram depoimentos de operários, contratantes e pessoas ligadas ao prédio, analisaram filmagens de câmeras e fizeram diligências junto ao Executivo municipal.
Para a Polícia Civil, esse conjunto demonstra negligência na condução da reforma e sustenta o indiciamento por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas se assume risco ao descumprir deveres de cuidado.
Quem foi indiciado e como o caso segue na Justiça
Ainda segundo a Polícia Civil, quatro pessoas foram formalmente apontadas como supostas autoras do duplo homicídio culposo:
- O encarregado geral da reforma, que coordenava o trabalho no local;
- Dois pedreiros que atuavam diretamente na execução da estrutura;
- A dona do prédio, que teria contratado a equipe sem exigir licença nem responsável técnico.
O inquérito já foi remetido ao Ministério Público do Rio Grande do Norte, a quem cabe avaliar as provas reunidas e decidir se apresenta denúncia formal à Justiça, pede novas diligências ou arquiva o procedimento. Até a publicação desta matéria, não havia informação sobre recebimento de denúncia ou decretação de medidas cautelares contra os apontados.
O que acontece agora
O caso segue sob acompanhamento do Ministério Público estadual, que vai definir os próximos passos na esfera criminal. Paralelamente, cabe à Prefeitura de Portalegre fiscalizar intervenções semelhantes no Centro e orientar comerciantes sobre a necessidade de alvará, projeto aprovado e profissional habilitado antes de qualquer reforma com impacto sobre a calçada. A orientação para moradores e comerciantes do Alto Oeste é redobrar a atenção a obras sem tapume, rachaduras em marquises e estruturas improvisadas, acionando a Defesa Civil municipal e o Corpo de Bombeiros diante de qualquer sinal de risco.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
Tópicos Relacionados:
Contexto Tribuna RN
Acompanhamento da nossa redação em Portalegre • Mossoró & Região Oeste: esta cobertura integra o giro permanente do portal pelo Rio Grande do Norte, com atualização contínua dos fatos que impactam a região. Ver mais notícias da região →
Compartilhe esta notícia
Espalhe informação de qualidade pelo Rio Grande do Norte
Compromisso Editorial • Tribuna RN:
O Tribuna RN preza pela apuração precisa, imparcialidade e respeito aos cidadãos potiguares. Nossas reportagens seguem rigorosos critérios éticos e jornalísticos. Sugestões e esclarecimentos podem ser encaminhados diretamente aos canais de contato da nossa redação.
Leia também

policia
FICCO Mossoró ajuda a tirar 520 kg de maconha de circulação na Paraíba

policia
Monitorado por tornozeleira é achado morto às margens da BR-304 em Mossoró

policia
Batida na traseira de carreta deixa motociclista em estado grave na BR-304

policia
