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Presídios passam por pente-fino nacional e têm 598 celulares retirados de celas

Operação Mute revistou 3,6 mil celas em 107 unidades do país, mobilizou mais de 4 mil policiais penais e reforça o cerco contra facções e golpes aplicados de dentro das cadeias.

Redação Tribuna RN

Por Tribuna RN

Publicado em 01 de outubro de 2026 às 18:20 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Agora RN)

Presídios passam por pente-fino nacional e têm 598 celulares retirados de celas
Registro fotográfico da matéria • Fonte: RSS / Agora RN

NATAL/RN — Um pente-fino coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública retirou 598 aparelhos telefônicos de dentro de presídios brasileiros entre os dias 21 e 25 de setembro. Batizada de Operação Mute, a ofensiva mobilizou 4.212 policiais penais federais e estaduais, vistoriou 107 estabelecimentos e revistou 3.604 celas em todos os estados e no Distrito Federal, incluindo unidades do Rio Grande do Norte.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), o foco foi cortar a comunicação irregular mantida por detentos com o lado de fora — canal usado para aplicar golpes, ordenar crimes e articular facções. As unidades alcançadas nesta etapa custodiam, juntas, mais de 88 mil pessoas privadas de liberdade.

Como foi a varredura dentro das unidades

As equipes atuaram a partir de relatórios de inteligência, com cronogramas simultâneos para evitar vazamento de informação entre pavilhões. O roteiro incluiu revista minuciosa de camas, colchões, tubulações, pátios de banho de sol e áreas de serviço.

  • Efetivo mobilizado: 4.212 policiais penais federais e estaduais;
  • Alcance: 107 presídios vistoriados em todo o país;
  • Celas revistadas: 3.604 compartimentos inspecionados;
  • Resultado da semana: 598 celulares apreendidos entre 21 e 25 de setembro;
  • Parcial anterior: 442 aparelhos já haviam sido localizados até o dia 24, de acordo com a Senappen;
  • Meta operacional: localizar telefones, chips, carregadores e outros objetos proibidos.

De acordo com o Ministério da Justiça, cada aparelho retirado representa dezenas de possíveis vítimas de estelionato evitadas, já que parte das fraudes com falso sequestro, falso prêmio e clonagem de aplicativos parte de chamadas feitas em celas.

Cerco permanente desde maio já tirou 3 mil aparelhos

A etapa de setembro integra uma sequência iniciada em maio deste ano, com fases nacionais e locais. No acumulado, o balanço apresentado pelo governo federal impressiona pelo tamanho do esforço.

  • Acumulado desde maio de 2026: 3.045 celulares apreendidos;
  • Policiais envolvidos no período: 17.555 agentes mobilizados;
  • Presídios alcançados: 419 estabelecimentos em todo o Brasil;
  • Celas vistoriadas: 13.799 compartimentos revistados;
  • Reforço tecnológico: 138 unidades selecionadas para receber novos equipamentos por critérios de inteligência penal.

Entre os itens distribuídos às unidades, segundo a Senappen, estão aparelhos de raio-X, kits de varredura eletrônica, georradares, drones, scanners corporais e detectores de metais. A ideia é trocar a revista manual, mais lenta e sujeita a falhas, por barreiras eletrônicas permanentes nas entradas, nos parlatórios e nas muralhas.

Para o Rio Grande do Norte, que convive com superlotação em parte da rede e com histórico de facções disputando território fora e dentro dos muros, a diretriz nacional reforça o trabalho da polícia penal estadual, responsável pelas revistas de rotina em unidades da Grande Natal, do Oeste e do Seridó. Até a publicação desta matéria, o Ministério não havia detalhado o recorte por estado desta semana.

O que acontece agora

O caso segue sob acompanhamento das secretarias de administração penitenciária de cada estado, que devem instaurar procedimentos internos para apurar como cada aparelho entrou nas unidades e se houve facilitação. No plano federal, a Senappen informou que novas fases da Operação Mute estão previstas até o fim do ano, com uso ampliado de inteligência e de equipamentos de detecção.

A orientação às famílias potiguares é direta: desconfiar de ligações que pedem dinheiro com urgência, que simulam sequestro de parente ou que solicitam códigos enviados por SMS e WhatsApp. A recomendação oficial é desligar, tentar contato com o familiar por outro número e acionar a Polícia Civil pelo 181 ou a Polícia Militar pelo 190, além de registrar ocorrência para rastreamento.

Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.

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