Afastados do Walfredo Gurgel: operação apura suposta venda de exames em Natal
Polícia Civil cumpriu 15 mandados no maior hospital do RN e apura se servidores furavam a fila do SUS para exames de imagem em troca de vantagem indevida.
Por Tribuna RN
Publicado em 07 de outubro de 2026 às 14:37 • 3 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Blog do BG)

NATAL/RN — O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, referência para urgência e emergência na capital potiguar, passou por uma manhã de buscas judiciais nesta quarta-feira (7). Segundo a Polícia Civil, equipes estiveram na unidade para colher provas sobre uma suspeita de cobrança paralela que permitiria passar na frente de outros pacientes na fila de exames de imagem bancados pelo SUS.
A ação, batizada de Sine Mora, mobilizou investigadores, pessoal da Secretaria Estadual de Saúde e integrantes do Gaeco, do Ministério Público estadual. Até a publicação desta matéria, ninguém havia sido preso, mas sete pessoas viraram alvo de restrições determinadas pela Justiça.
O que os agentes procuram dentro do maior hospital do RN
De acordo com a Polícia Civil, o foco está em radiografias, tomografias e demais procedimentos de imagem realizados fora do fluxo oficial. A suspeita é que funcionários do quadro permanente, em combinação com particulares, teriam criado um caminho alternativo para marcar e liberar esses atendimentos mediante pagamento por fora.
Os pontos centrais informados até agora são:
- Quinze buscas autorizadas: os policiais recolheram aparelhos telefônicos, papéis, agendas e arquivos que podem revelar contatos, valores e agendamentos paralelos.
- Sete investigados com cautelares: cinco servidores concursados foram retirados temporariamente das escalas e ficaram impedidos de entrar na unidade hospitalar.
- Regras para não atrapalhar a apuração: os alvos não podem conversar entre si nem com testemunhas, precisam comparecer em juízo quando chamados e só deixam a comarca com permissão.
- Apoio técnico da saúde: a Sesap acompanha o caso porque a denúncia inicial partiu de uma checagem interna da própria pasta.
Para quem depende do Walfredo Gurgel, vindo de Natal, da Grande Natal e de cidades do interior, a fila de imagem costuma definir o ritmo do tratamento. Qualquer privilégio indevido, portanto, atinge diretamente quem espera há semanas por um diagnóstico no serviço público.
Como a suspeita chegou até a delegacia
Segundo os investigadores, tudo começou quando a Sesap percebeu divergências entre o movimento registrado na portaria e a quantidade de exames lançada no sistema. Havia ainda registros de procedimentos feitos fora do horário e do percurso padrão de marcação, o que levantou a hipótese de facilitações.
A partir desse alerta, a Polícia Civil passou a cruzar escalas, prontuários e logs de acesso. A linha de apuração sustenta que o SUS arcava com o custo do exame, enquanto o suposto beneficiário pagava uma quantia extra para furar a ordem. A expressão latina que dá nome à operação remete justamente à ideia de atendimento acelerado, sem respeitar a espera legítima.
As informações divulgadas até o momento partem de notas oficiais da Polícia Civil e da Sesap. Nenhum valor supostamente cobrado, nome de paciente atendido ou laudo conclusivo foi detalhado publicamente.
O Gaeco acompanha a análise do material apreendido para verificar se há indícios de organização, divisão de tarefas e repetição do comportamento ao longo do tempo. Celulares passarão por extração de dados com autorização judicial.
O que acontece agora
O caso segue sob apuração e novas oitivas devem ocorrer nos próximos dias. A direção do hospital informou, por meio da Sesap, que os servidores apontados ficarão fora das escalas enquanto durar a restrição judicial, sem prejuízo para a continuidade dos plantões. A orientação para pacientes e familiares é manter os agendamentos normalmente e buscar os canais oficiais da unidade em caso de dúvida sobre remarcação.
Se a análise confirmar a cobrança paralela, o Ministério Público poderá oferecer denúncia e a Justiça decidirá sobre eventual ação penal. Até lá, todos os citados seguem na condição de investigados, sem qualquer declaração definitiva de culpa.
Espaço aberto para defesa: Em conformidade com a presunção de inocência até o trânsito em julgado, o espaço abaixo permanece aberto para eventual manifestação dos envolvidos ou de suas respectivas defesas técnicas, conforme determina o Manual Editorial e Jurídico da Tribuna RN.
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