Açúcar de cana com absorção lenta é criado a partir de resíduos
Cientistas da plataforma PBIS desenvolveram uma sacarose de cana de absorção lenta usando café verde descartado e pele de amendoim da agroindústria.
Por Tribuna RN
Publicado em 28 de setembro de 2026 às 21:35 • 2 min de leitura • Cobertura Regional • Fonte: RSS (Novo Notícias)

NATAL/RN — Cientistas ligados à Plataforma Biotecnológica Integrada de Ingredientes Saudáveis (PBIS) criaram um novo tipo de açúcar de cana com absorção mais lenta pelo organismo. Segundo os pesquisadores, a novidade aproveita sobras da agroindústria — extratos de grãos defeituosos de café verde e a película avermelhada que reveste o amendoim — para transformar a sacarose comum em um ingrediente de baixo índice glicêmico.
O anúncio interessa diretamente ao consumidor potiguar: o produto mantém o sabor adocicado da cana, mas chega à corrente sanguínea de forma gradual, o que pode ajudar no controle da glicemia e na prevenção de picos de açúcar após as refeições. O trabalho foi divulgado pelo portal Novo Notícias e coloca o reaproveitamento de resíduos no centro da inovação alimentar brasileira.
A inovação que nasceu do reaproveitamento
O ponto de partida da pesquisa foi dar destino nobre a materiais que hoje são descartados pela cadeia produtiva. Os cientistas observaram que:
- Matéria-prima inusitada: grãos de café verde considerados defeituosos e a pele fina do amendoim, ambos resíduos agroindustriais.
- Base do produto: sacarose extraída da cana-de-açúcar, a mesma usada no açúcar de mesa.
- Diferencial técnico: combinação com extratos vegetais que retarda a absorção do açúcar pelo organismo.
- Resultado esperado: um adoçante com índice glicêmico reduzido, de digestão mais lenta.
- Apelo sustentável: transforma descarte em ingrediente de valor agregado para a indústria de alimentos.
Na prática, a tecnologia agrega compostos bioativos dos extratos à sacarose, alterando a velocidade com que o corpo metaboliza o açúcar. Para a indústria, abre caminho a linhas de produtos voltadas a consumidores que buscam equilíbrio entre sabor e saúde — de bebidas a panificados.
Por que o índice glicêmico importa
O índice glicêmico mede a rapidez com que um alimento eleva a glicose no sangue. Produtos de absorção rápida provocam picos seguidos de queda brusca, o que está associado a fome precoce, cansaço e, no longo prazo, maior risco de resistência à insulina e diabetes tipo 2. Já ingredientes de absorção lenta liberam energia aos poucos, favorecendo saciedade e estabilidade.
No Rio Grande do Norte, onde o diabetes atinge milhares de famílias e pesa na rede pública de saúde, alternativas desse tipo têm potencial de impacto real na mesa do potiguar — do cafezinho diário aos doces das festas juninas. Nutricionistas ouvidos em reportagens sobre o tema costumam lembrar, porém, que nenhum açúcar é isento de moderação: mesmo versões de baixo índice glicêmico devem ser consumidas com equilíbrio dentro de uma alimentação variada.
Conclusão
A sacarose de absorção lenta desenvolvida pela PBIS ainda precisa percorrer etapas típicas de uma inovação — testes complementares, escalonamento industrial e regulamentação — antes de chegar às prateleiras dos supermercados. Até a publicação desta matéria, não havia anúncio de data para comercialização. A expectativa, segundo os pesquisadores, é que a tecnologia atraia a indústria de alimentos funcionais e fortaleça a economia circular na agroindústria. Novos detalhes sobre licenciamento e produção devem ser divulgados pelos responsáveis pelo projeto nos próximos meses.
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